A desistência de Brunori: jogada política?
Postado em 08:18 AM, 9/4/2008
Esta “saída” de cena de Luiz Antônio Brunori pode ter várias interpretações e também vários desdobramentos. E como a política é um jogo de paciência e de vale tudo, nenhum detalhe ou projeção poderá ser deixado de lado.
A desistência do ex-prefeito de se candidatar a um terceiro mandato, desta feita pelo PSB, deve ser levada com extrema cautela pelos partidos políticos taperenses, especialmente o PP, sigla com maiores chances de lhe fazer frente nas urnas neste momento. E, claro, como cada partido possui uma realidade no contexto, convém que todos fiquem “ligados”, pois sabem como é a política.
Na entrevista dada à Rádio Planetário de Espumoso, Brunori disse que não concorreria nesta eleição porque seu partido, por ser novo, não lhe ofereceria estrutura suficiente para levá-lo mais uma vez à Prefeitura. Em parte ele está certo, mas sua ação pode ser vista como uma jogada para induzir o adversário ao erro. Na política se usa muito deste artifício e os “raposões” nasceram dele.
Quando Brunori diz que não é candidato em outubro ele pode estar falando a verdade, como pode também estar blefando e desestabilizando possíveis alianças e acordos partidários. A coisa piora porque haveria dúvida até o último segundo da data limite para as definições de nomes. Vai que numa dessas, no apagar das luzes, Brunori e o PSB resolvam concorrer. O que aconteceria aos partidos que se estruturaram para uma situação e teriam de revê-la, praticamente sem tempo? E como levar em “banho-maria” uma aliança ou um acordo até o final, sabendo que os partidos exigem uma definição imediata sobre parceria? Já imaginou, por exemplo, o PP coligar com um ou mais partidos ou mesmo não coligar com ninguém e, no último minuto, Brunori e o PSB resolvem concorrer? Toda engenharia montada iria pelo ralo e uma nova teria de ser armada, também sem tempo hábil. Este, infelizmente, é um dos muitos riscos que se corre em uma eleição. Outra coisa. Acordos podem ser feitos e desfeitos a qualquer momento, mas o bom é que eles não têm a garantia de que o eleitor vá aceitá-la ou não.
De qualquer forma os partidos políticos deverão estar atentos a possibilidade de Brunori e o PSB virem a concorrer. E esta dúvida irá até o último segundo da data limite imposta pela lei. E o que fazer? Coligar ou não? E com quem? Estas e outras perguntas terão de ser respondidas muito em breve.
Nome – Pelas projeções que estão sendo feitas em Tapera a próxima eleição deverá ter, no máximo, três candidatos a prefeito: Ireneu Orth (PP), Roberto Visoto (PMDB) e Ivaldo Corazza (PTB). O partido que governa o município tentará a reeleição pelas mãos de seu vice-prefeito, fato que é confirmado pelo próprio Corazza. A dúvida fica por conta de PT, PDT e PSB. Pelo que se ouve o PT poderá compor com o PP, mesmo tendo bom trânsito com o PMDB. Sozinho não largará. O PDT, por sua vez, também não deverá largar sozinho e poderá compor com PP ou PMDB. Na última eleição o PDT entrou de vice na chapa do PMDB. Já o PSB deverá compor com o PP, podendo colocar o candidato a vice. Isso é o que está sendo comentado na cidade e dividindo opiniões. Outra grande dúvida é sobre quem comporia com o PTB. Já ouvi falar que Luiz Antônio Brunori apoiaria o partido do prefeito Nestor Arnemann, a quem ajudou a organizar seu secretariado na eleição passada. Por outro lado tem gente ligada a ele que não confirma este apoio e as razões seriam muitas.
O PT e o PDT sabem que sozinhos suas chances de emplacar nas urnas contra o PMDB e o PP seriam diminutas. Mesmo coligados entre si a situação se complicaria. Já na companhia de um dos dois grandes ou de ambos, o cenário mudaria de figura e ajudariam a eleger o próximo prefeito de Tapera. No atual momento a inclinação do PT e do PDT seria sobre o PP e muitos fatores indicam isso.
Nada está definido para a eleição de 2008 e tudo que for dito agora poderá não valer amanhã. Arrisco a prever apenas que teremos três candidatos a prefeito. Mais não revelo porque existem várias situações sendo colocadas todos os dias sobre alianças e apoios. Mas, uma coisa eu adianto: haverá polêmica nesta eleição.
Luiz Antônio Brunori, mesmo estando fora da eleição, dita o ritmo da mesma em Tapera e mostra sua força. Sem saber quem apoiará ele causa dúvida até o final do prazo obrigando os partidos a pensar em várias fórmulas. Por outro lado é bom que se saiba que Brunori não poderá concorrer por outro partido que não seja o PSB e isso se o partido quiser. A palavra final será sempre da executiva do partido.
