não há mais o que esperar, foi-se a noite que parecia eterna, foi-se a manhã, que não há de voltar. dóem os vestígios do teu corpo impregnados no meu corpo, mas tens de mim a promessa de que não haverá dramas, terás somente meu riso a te desejar felicidades. a lembrança dos rastros da tua saliva sobre a minha pele são hoje navalhas a riscá-la. o calor de tuas mãos, tua língua a me percorrer, criaram em mim a ilusão de que para sempre é algo que nunca acaba. falta-me o sono, culpo a luz da imprecisa madrugada por onde vagueio, a ouvir tua voz, réquiem eletrônico na pista de dança, a bombardear meus sentidos entorpecidos. impossível dizer o quanto do que falávamos era real, talvez só mesmo o silêncio.



