descubro em minhas mãos o que tinha como inalcançável. estações afora desejando o teu corpo, recriando-o em outros corpos, uma realidade tão distante que hoje, ao tocá-la, me pergunto se não é ficção. uma fome que mesmo depois de tanto tempo não pôde ser extinta. e se hoje posso enfim vê-la aplacada, posso também vê-la renascer imediatamente após a saciedade. perdi a conta dos dias em que a realidade me privava de ti, a inventar desejos alternativos em cada peito que meus lábios tocavam. por seres inalcançável, em minha incompletude, a saciedade possível enganava a fome. tenho enfim a fome que me completa, a fome que não mais me tortura, mas que me alimenta. a fome que me liberta, a fome que tuas formas me oferecem. a fome de ti, sorriso e bunda. a fome de teus desejos, a fome antes martírio e agora deleite.


