na primeira manhã não posso dizer que encontrei o inesperado. aquela manhã, tantas vezes adiada, finalmente se revelava e agora nascia, contra a minha vontade, ainda na noite emaranhada. sonâmbulo ainda, encontrei vestígios do teu corpo. teu cheiro permanecia na memória, restos do teu riso continuavam presentes na cena. tuas mãos a me tocar, teu corpo sob o meu, na mesma cama em que prometemos um ao outro nunca dizer-mos adeus. a luz imprecisa daquela manhã não me permitia acreditar que o som da tua voz havia cessado, restando agora apenas a ruidosa agonia dos espelhos a me despertar para o indesejado, o inevitável e o desejo de não acordar nunca mais. os rastros da minha saliva pelo teu corpo eram agora teoremas, a concretude definitiva da tua partida, na mesma cama em que me traíste.


