3/8/2009

foi só quando me deixaste: na ausência de chão é que pude construir o meu chão e minha pátria, encontrei a saída do labirinto por onde vagava, entendi que labirinto era o teu nome. porque tu tinhas olhos onde eu me perdia e eternamente perdido em teu encanto, não me permitia enxergar outros caminhos e outros encantos. porque teus braços docemente me acorrentavam e só a ausência deles me possibilitou transpor fronteiras, alcançar outros horizontes além daqueles por ti decretados. porque tua voz era o canto a atrair o incauto navegante para o abismo das águas e me contava coisas em que só eu acreditava. porque tu dizias meu nome e com os olhos fechados, tua voz penetrava minha carne suplantando o ruído do mundo, dentro da noite que eu supunha eterna.  porque tua pele e teus cabelos falavam o mesmo idioma das minhas mãos, que acreditavam ser ouvidas. porque eu tinha a certeza que não poderia me entregar a mais ninguém sem que para isto tivesse que trair a mim mesmo e que também não poderias jamais ser de outro, a não ser que de ti eu desertasse e me tornasse apátrida. foi só quando me deixaste: por mais estranho que pudesse parecer, pude enxergar toda a estranheza de que eu era feito.


posted by jardim at 22:08 | in:
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