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10:37, 28/3/2009

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Temporariamente sem palavras.
Motivo: Construindo sonhos...
Jaque Crivilatti
10:37, 28/3/2009

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Temporariamente sem palavras.
Motivo: Construindo sonhos...
Jaque Crivilatti
10:08, 1/3/2009

Chuva
Cabeça cheia, pensamentos a mil e a tristeza me abatia. Fui caminhar e observar. O céu era só chocolate. As nuvens engordavam, engordavam e batiam umas nas outras ao passar. Estava tudo muito confuso, como eu também estava. Então Deus segurou aquele amontoado de nuvens e as torceu, fazendo chuva, lavando assim meus pensamentos e coração.
Jaque Crivilatti
10:53, 21/2/2009

Uma sobre o Carnaval
Zé Ninguém era um morador da periferia, pé de chinelo, adorava uma pinga “da boa” e amava ver as mulatas sacolejando o “pandeiro”.
Um dia, as vésperas do Carnaval, saiu na principal “avenida” do morro cantarolando, gritando, berrando um samba enredo:
- Alôôôô periferiaaa! Bate tchic-tum, sambarê, sambarê, tum, tum, feliridede, ziguidum, laia, laiê, opaaaaa! Tenho tanto amosttderoo ôôôô! Ia, ia, ia, ia, ia! Alegrosa, explendur de mi fá ture rê! Leia, leia, leiê, leiê! Ôô! Ôô! Ziiiiiguidim, sim! Sim! Iê iê meu povo! Alôôôô periferiaaa! Bate tchic-tum, sambarê, sambarê, tum, tum...
Depois disso ele virou um dos maiores puxadores de samba enredo do Brasil. Agora que morreu virou brasileiro ilustre.
Vai entender... Arte é arte. Cultura é cultura.
Jaque Crivilatti
11:58, 14/2/2009

Tamanho 37
Entre um tênis, uma sandália, um chinelo e um par de havaianas...Sim! Um par de havaianas! Ela viu o homem mais lindo de todo o cosmo! Moreno, alto, olhos amendoados e feições de um deus gregoriano, romano ou seria grego? Pensando bem gregoriano é o calendário, mas ele poderia ser o deus que quisesse porque... Oh! Ele era lindo, de cair o queixo! Ele a encarou com um certo ar de: “eu sou o cara”. Ela o olhava com os olhos brilhando e pensando: “Não pode ser, não pode ser! Ele está te olhando, ele está te olhando! Fecha a boca, fecha a boca!”. Quando, entre os calçados surgiu uma pedra no sapato; a outra, digo, a dele, melhor, a namorada dele. Elas se fulminaram ao se perceberem. Ele levantou uma só sobrancelha com a expressão de: “eu sou o ‘bam bam bam’” e seguiu sendo arrastado pela namorada possessa . Ela fez ronda atrás do casal porque tinha certeza que aquele olhar não tinha sido algo banal. O casal foi ao caixa pagar o que escolhera e ela numa atitude desesperada pegou o primeiro par de calçados que vira na frente, só para ficar na cola dos dois e tentar entender tamanha calhordice dele. Eles saíram da loja e embarcaram no carro. Ela saiu da loja e embarcou no seu carro, dirigindo atrás do par de olhos amendoados safados. Eles passaram o semáforo. Ela não conseguiu passar, chegou em casa decepcionada e foi olhar na sacola o que havia comprado. Sapatilhas de camurça tamanho 35 e ela calça 37.
Jaque Crivilatti
11:55, 9/2/2009

Gosto e não gosto
Existem várias coisas, situações e pessoas que as pessoas podem não gostar. Eu por exemplo, não suporto molho branco, salto fino, pinscher, suco de agrião, pagode, unha grande, boy, papo de anjo, pijama de cetim, calculadora cientifica (eu nunca consegui mexer em uma), lâmpada incandescente amarela, patricinha, carne de porco e várias outras coisas.
Quanto as situações, não suporto aquelas situações onde você fica com cara de planta diante de várias pessoas porque está acompanhando algum amigo, namorado, etc...
Não consigo e entro em tédio profundo se fico ouvindo algum assunto que não gosto ou literalmente não me interessa. (E eu sou muito curiosa).
Não existe pior situação que esta: Festas em família. Ainda mais quando você entra naquela derradeira idade onde ter um namorado é quase regra (na visão das suas tias), então surge aquela pergunta por boa parte dos parentes: “Cadê o namorado?” Ahhhh! Se eles soubessem que eu pulo de raiva por dentro...Mas fazer o que? O jeito é sorrir, sorrir, sorrir, sorrir...
Não gosto quando amigos ou parentes me questionam: “Por que não vem mais aqui?”, soa como se tivéssemos abandonado literalmente esse amigo ou parente. Isso me deixa sem mentiras plausíveis.
Fico sem jeito quando minha mãe me apresenta como sendo seu “bebê”, mesmo com 20 anos de idade.
Chata mesma é aquela situação em que você se vê em apuros para encontrar um banheiro, quando encontra é um banheiro público, e quando pensa que vai conseguir fazer suas necessidades, tudo bloqueia...
Fico roxa de vergonha quando encontro alguém na rua e simplesmente tenho um branco, fico procurando em todos os arquivos mentais possíveis e o nome desse alguém não surge. Argh... Isso é muito chato.
Quanto a pessoas, eu não tolero pessoas brincarônicas (brincalhona + irônica) demais, a gente acaba ficando brava. Eu fico.
Detesto aquelas pessoas efusivas, entusiasmadas com tudo, que amam tudo e todos. É tudo balela, ninguém consegue ser tão feliz, caso conseguisse, para que existiria a tristeza?
Não gosto de pessoas melancólicas demais. Acabam nos deixando tristes também, melancolia só é boa quando usada na medida. Faz refletir na vida.
Não gosto de gente que não se acha igual ao outro. Claro, somos fisicamente dessemelhantes e psicologicamente também, mas todos somos constituídos da mesma matéria. Hoje estamos vivos, e amanhã?
Não gosto de pessoas muito simpáticas, como já dizem as boas e más línguas: “Simpatia demais é falsidade”.
Não gosto de pessoas que alcançam grandes conquistas e fazem questão de demonstrar sua genialidade e realização. Afinal, grande mesmo é aquele que sabe ter humildade.
Não gosto de pessoas devotas demais. Devoção em excesso bloqueia nossa capacidade de conhecer o novo e conseqüentemente não poderemos julgar o correto.
Repudio toda e qualquer forma de conservadorismo. Conservar demais é afastar-nos dos outros, seja por raça, religião ou qualquer outra forma tribal.
Não gosto e não faço questão de conviver com pessoas. Eu gosto é de gente, sentimentos e personalidades.
Não gosto de gente hipócrita, que omite a si mesmo a fim de achar que está sempre certa.
Não gosto de gente muito sexy. O que é bonito é para se mostrar, mas não para oferecer.
Finalmente, eu acho que não gosto um pouco de mim mesma, afinal eu acho que às vezes crio situações importunas e eu acho que acabo agindo de maneira errada. Eu acho também que sou muito crítica comigo e com os outros e acho que isso me torna chata...
Ah! Esqueci de relatar! As pessoas indecisas me atormentam... Eu acho que me atormentam... Enfim, é tudo relativo, depende de cada um. Mas uma coisa é certa, os meus achismos e dúvidas acabam sempre virando certezas.
Jaque Crivilatti
05:36, 20/1/2009

Estrelas são pequeninos interruptores.
Ao serem acionados, à noite vem.
Ao serem desligados, o dia nasce.
Jaque Crivilatti
04:09, 18/1/2009

LOVELY RITA
Rita fechou o sobre-tudo como se uma ventania fechasse uma porta. Sabia por quem estava sendo observada e não gostava nada daquilo. Pensava, pensava e pensava: “Não pode ser ele... é impossível!” E, continuou caminhando rapidamente, quando, escutou o vidro da BMW abrindo:
- Moça! Hey moça! Por favor!
Ela virou rapidamente e como se levasse um soco no estômago, respondeu:
- O que você quer? Eu fiz algo pra você?
Ele sorriu e respondeu:
- Não. Absolutamente não. Podemos conversar um instante?
- Fazer o quê, já estamos conversando. (Dando de ombros).
- Você sabe quem sou?
- Eu deveria saber?
- Dever, não é um dever, mas, se você assiste televisão, ou loca filmes, ou vai a cinemas, ou lê colunas de fofoca, ou...
Ele parou, entreabriu um sorriso e silenciou. Ela aumentou o tom da voz, cuspiu o chiclete fora, apontou o dedo bem no meio do rosto do jovem e falou:
- Olha cara, só porque você é um astrozinho hollywoodiano não quer dizer que obrigatoriamente deva te conhecer ou pelo menos querer te conhecer. Ta legal?
- Nossa, quanta hostilidade senhorita. (Com um tom sarcástico).
- Afinal, o que você quer comigo? Não estou te acusando de nada, não sou uma fã psicótica sua e nem estou grávida de você... O que é quê tem?
- Gostei de você.
- Ah entendi... E por isso acha que pode me ter estalando os dedos?
- Não, de forma alguma! Agora sou eu quem está ofendido! Ora!
- Por que você não vai catar... Sei lá! Alguma dessas estrelinhas, magrelinhas, bonitinhas e queridinhas? Ou, uma dessas estrelonas, gostosonas e cheias de glamour? Ah, e o melhor é que com elas deve ser de graça e com muito mais luxo do que comigo.
- Porque “inha” ou “ão” não me agradam e luxo é uma questão financeira. Gosto do desconhecido e sou uma pessoa que não dá importância a bens materiais. Entende?
- Quer uma aventura comigo? Ah! Pode ir embolando todo dinheiro que ia me dar e colocar no bolso! Pode esquecer! To nessa vida, mas, é algo temporário, saca? O mercado de trabalho ta difícil, concorrido e enfim... Não te devo explicação nenhuma!
- Uma conversa formal, topa? Como se fosse uma entrevista de emprego. O que acha?
- Cara, vê se me erra! O que você quer com uma mulher que ganha a vida na calçada?
- Conversar. Só isso.
- Sei... Conversar e... Vai embora! Você ta atrapalhando meu serviço!
Ele sentia algo forte. Uma sintonia tão perfeitamente perfeita que seria um absurdo não tentar uma conversa com aquela mulher. Então, com os olhos cheios de clemência, avançando o carro ao lado de Rita, enquanto esta caminhava, ele pediu humildemente:
- Aceite um café e algumas trocas de palavras, na calçada mesmo. Só o que te peço! Por favor!
Rita não era uma mulher muito comum, embora levasse a vida que levava, era jeitosa e muito sedutora. Era idealista e orgulhosa, tinha o ímpeto maior que de muitos políticos que conquistaram multidões. Sabia que a vida era dura e não estava acreditando que a história de Julia Roberts em “Uma linda mulher” pudesse sair da surrealidade, mas, um café naquela noite fria, cairia bem.
- Um café e você vaza. Ok?
Afoitamente ele respondeu:
-Ok!
Ele desceu da BMW, olhou profundamente nos olhos de Rita como se pressentisse algo e começou a acompanhar os passos dela.
- Cara, você deve estar bêbado. Deve ter vindo direto de uma dessas festas de entrega de prêmios para celebridades. Só pode! Você deve estar frustrado ou decepcionado com algo relativo a isso, to certa?
- Errada. Não estou frustrado, decepcionado, bêbado ou chapado. Nada disso. Só quero conversar com você.
- Sou uma linda mulher?
Nesse momento Rita gargalhou descontroladamente por mais de um minuto a fio. Notou que ele não sorriu, subitamente desfez as feições de graça e emudeceu.
- Quando você vai me levar a sério?
- Quando você estiver lá na TV ou rodando no meu DVD.
- Olha... Como é teu nome?
- Rita.
- Rita, eu atuo em filmes sim, mas, como pode ver, sou de carne, ossos e confesso, um pouco de glamour. Porém hoje, ao entrar nesta avenida, estacionar meu carro em frente à tabacaria e me deparar com você, percebi que sou de carne, ossos e algo que não sei explicar. Algo que me aquece por dentro.
Os olhos de Rita brilharam e suas mãos estavam começando a suar, embora já tivesse escutado esse tipo de balela inúmeras vezes e embora estas inúmeras vezes tivessem sido ditas por bêbados ou narcóticos. Ela acendeu um cigarro e disse:
- Bacana. Vamos tomar esse café logo.
Seguiram emudecidos até a cafeteria. Ele quebrou o gelo mostrando o pulso enfaixado por conta de uma cena que fizera recentemente e Rita acabou rindo. Entraram na cafeteria e conversaram durante quase uma hora. Saindo de lá, ele perguntou:
- Posso tomar café com você, novamente, amanhã?
- Mas a gente mal tomou esse! Mas a insistência é tanta e eu fico tão sozinha às vezes, que... Pode ser. Venha então!
Ambos sorriram. Rita havia ficado encantada pelo astro e o astro havia ficado encantado por Rita.
Assim, passaram a tomar café todos os dias juntos, até a ventania fechar a última pálpebra do astro ou a última pálpebra de Rita.
Jaque Crivilatti
08:55, 28/12/2008

Esperança
Mário Quintana
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...
Texto extraído do livro "
01:15, 14/12/2008

Fêmea Negra, Mãe África
Fêmea negra,
Tua cor que é vida, e tua forma que é formosa!
Crescemos à tua sombra; a brandura do teu peito acalentou os brasileiros, no Sul, no norte, no leste, oeste e te descobrimos,
Querida terra, do alto o ímpio desfiladeiro,
Sua beleza me compreende no coração.
Fêmea negra, mãe África.
Fruta madura de território robusto, enlevo preto de vinho negro,
savana de perspectivas puritanas,
savana de perspectivas puritanas, do glorioso.
Teu clamor é o cântico espiritual da pátria.
Fêmea negra,
Lençol de amor que nenhum sopro bagunça, lençol estendido na alma dos afro-brasileiros,
nos lençóis dos príncipes do Império Mali.
Linda terra de adornos celestes, as tuas estrelas refletem sobre a nossa terra portuguesa.
Deleite da alma, as cintilações do teu alvorecer permeiam em nossas façanhas.
Espalha-se minha gratidão, perante o sol da nossa terra.
Fêmea negra,
Eu louvo a grandeza do teu povo para fixá-lo eternamente e alegro-me em saber que nossa sina é alimentar tuas raízes.
Fêmea negra, mãe África.
Jaque Crivilatti
* Poema escrito em 2006 para a Bienal da UNE
09:32, 21/11/2008

Fortes e frágeis
Mulheres nascem e morrem com uma única personalidade e acreditem, cada uma distingue da outra.
Mulheres acreditam que beleza é fundamental, seja ela exterior ou interior.
Mulheres não admitem ponto final. Elas acreditam em recomeço.
Mulheres são fortes. Mulheres são frágeis.
Mulheres gostam de coisas simples, seja tomar banho de chuva ou encontrar “aquele” batom.
Mulheres surpreendem-se com pouco, até mesmo com uma simples flor apanhada na rua.
Mulheres não amam homens. Mulheres amam o amor.
Mulheres são fortes. Mulheres são frágeis.
Mulheres são insaciáveis. Procuram a cada dia mais seu espaço.
Mulheres amam estar gestantes, de filhos ou de idéias.
Mulheres adoram o cotidiano. Odeiam a rotina.
Mulheres são fortes. Mulheres são frágeis.
Mulheres gostam do incerto. “E se”, “talvez”, “pode ser”, “eu acho que”.
Mulheres encantam. Mulheres desencantam.
Mulheres geram destinos, embalam sonhos e entrelaçam em uma mesma trama a sensibilidade e a coragem.
Mulheres são fortes. Mulheres são frágeis.
Jaque Crivilatti
11:09, 12/11/2008
Uma vida televisiva
Um corpo escultural, com medidas literalmente imprescindíveis. Uma carreira extremamente bem sucedida e um príncipe, montado em um cavalo branco e com aquele aparato romanesco. É esse o sonho sonhado por maior parte das mulheres. Digo com precisão, pois já fui uma destas. Agora não mais sou. Mas Lucy é uma destas milhares de devaneadoras que conheço. Ela trabalha no mercado publicitário, então, tudo gira em torno da sua mente fantasiosa. Ela espera um encontro ideal há 12 anos. E o encontro ideal de Lucy não é nada convencional, assim como sua mente. Ela imagina que seu encontro deve ser uma campanha de shampoo: Ela linda e maravilhosa atravessando uma movimentada avenida de uma metrópole e ele um charmoso homem que pára o carro importado bruscamente ao sentir o aroma que exala de seus cabelos, ele corre em sua direção, a abraça e a rua se enche de flores que marcam a fragrância do shampoo.
Mas a vida, a vida real passa muitíssimo longe de propagandas publicitárias e Lucy nem havia notado que algo se passava entre ela e um cliente da agência onde trabalhava. Ele aparecia pelo menos duas vezes na semana para conferir o andamento dos trabalhos que havia solicitado e sempre arranjava algum trabalho para ser feito. Mas Lucy não estava nem aí, não tinha nada de romântico, nenhum violino, nenhuma rosa, nada de glamour. Para ela, não aconteceria nada entre os dois, pois ele a via sempre com olheiras, de uniforme, com um visível mau humor matinal. Embora ela sentisse as mãos suarem e o coração acelerar um pouco quando ele se aproximava, não conseguia perceber que ali estava nascendo algo, nem percebia que seus olhos constantemente se encontravam com os deles e que ele estava sentindo algo por ela e ela por ele. Passaram alguns meses, o cliente de Lucy, sumiu.
Certo dia ela foi convidada para um almoço de domingo na casa de praia de uma amiga e coincidentemente reencontrou seu cliente lá, ele era amigo do namorado da amiga de Lucy.
O vento soprava e o dia não estava muito ensolarado, mas a praia estava linda, com este cenário ao fundo, Lucy avistou o seu cliente, ele caminhava pela areia, vindo em sua direção, do interior da casa vinha um som gostoso de bossa misturado com as ondas do mar. Foi o bastante para Lucy repentinamente e surpreendentemente gritar: Hugooo!!!
O coração foi a mil, as mãos suaram e então ela percebeu que Hugo era um príncipe.
Instantaneamente o coração de Lucy desacelerou, as mãos ficaram tremulas e a face atônita, pois percebeu que Hugo estava acompanhado e diga-se de passagem, muito bem acompanhado. Abismada com o final da sua triste propaganda, Lucy pensou em se recolher, achar algum cantinho e chorar. Mas que nada! Ignorou as lágrimas, o cenário perfeito que havia visto e já bolou em sua mente copiosa uma propaganda mais invasiva, onde Hugo deixaria a atual amada para ficar com ela, bolou mentalmente todo um cenário e contexto que resultariam em um desfecho feliz.
Lucy não está se importando, tudo o que ela quer é uma vida televisiva, onde o príncipe seja encantado e ela a princesa despertada. Se não for assim, ela não quer. Pena que os dias não são inacabáveis e que sonhos, quase sempre, só podem ser propagandas publicitárias.
Jaque Crivilatti
02:46, 25/10/2008

Mãe terra
A terra edificando, construindo e formando, vida.
A terra sujando, lambuzando e brincando, criança.
A terra borbulhando, revirando e banhando, passarinho.
A terra transformando, germinando e nascendo, flor.
A terra moldando, afeiçoando e construindo, casa.
A terra plantando, colhendo e alimentando, comida.
A terra dançando, subindo e descendo, vento.
A terra arredando, dissipando e cobrindo, morte.
11:05, 5/9/2008

Televisão pra quê?
Em uma sexta-feira chuvosa de novembro de 1968 o Sr. Amadeu surgiu em casa acompanhado por carregadores de uma loja de eletrodomésticos, móveis e outros afins. Descarregaram e desembalaram na sala uma extraordinária televisão, em preto e branco ainda, mas, muito vistosa e grande, realmente grande, uma caixona de madeira com uma tela oval onde segundo Geraldina, continha o mundo.
Tudo preparado, família reunida em seus assentos e estava aberta a visita ao mundo em um apertar de botões, só faltava Ofélia, a filha mais nova. Dona Elvira levantou-se e foi chamar a filha para prestigiar a mais nova aquisição de seu pai, mas Ofélia não estava nem aí, e ela lá ia querer saber de televisão? Estava escutando vitrola com os olhos fechados e disse a mãe: Pra que ver, se a imaginação sempre foi muito melhor que a realidade? Prefiro construir novas flores na minha florescência.
Jaque Crivilatti
10:23, 13/8/2008

Para Jesus, feito por crianças
“Querido Jesus, nós estudamos na escola que Thomas Edison inventou a luz, mas no catecismo dizem que foi você. Pra mim, ele roubou a sua idéia.”
“Querido Jesus, por favor ponha um pouco mais de férias entre o Natal e a Páscoa. No meio, agora está sem nada.”
“Querido Menino Jesus, por gentileza, mande-me um cachorrinho. Eu nunca pedi nada antes, pode conferir.”
“Querido Menino Jesus, todos os meus colegas da escola escrevem para o Papai Noel, mas eu não confio naquele lá. Prefiro você.”
E se todos tivessem pensamentos mais "miúdos" o mundo seria verdadeiramente grande.
Jaque Crivilatti
03:53, 27/7/2008

Rosa
Não me preocupo que ao longo dos dias,
minha derme, minha voz e meus cabelos fiquem senis.
Penso na rosa: Hoje é botão, amanhã enflora e depois principia a
despetalar.
Vou deixando a mocidade e meu aroma pelo ar.
O tempo vai ventando e levando um pouco do meu eu e da rosa,
as pétalas, a fragrância e nossas folhas que escoltam gentilmente o
vento.
E por lentamente me consumir,
me rescindir,
é que o futuro recordar-se-á de mim, da rosa.
Pétalas, porções de mim.
Desabrochar a cada dia mais,
eis meu fado.
Jaque Crivilatti
11:15, 19/7/2008

Antônio encontrou Maria
No fundo do copo, no fundo da garrafa, no fundo do caneco, no fundo da taça, no fundo do poço, assim estava a vida de Antônio. Já não encontrava motivos para viver desde sua demissão em uma das mais famosas companhias de telecomunicações e após o termino de um relacionamento de longa data, longa mesmo, 34 anos.
Pai de cinco filhos, homem de cinco mil dívidas, homem de 5ª categoria que só se animava após o 5º copo de cachaça pura. Andava por aí, sem era nem beira, arrancando os cabelos, tentando encontrar soluções impossíveis, cambaleando as pernas e os sonhos que um dia tivera. Pobre do Antônio! Não tem nada, não é de nada, não quer saber de mais nada!
Um dia desses, era um dia normal, aconteceu um encontro casual e o destino fez de seu azar a mais pura sorte. Antônio conheceu Maria, mulher franzina, de pele eriçada e de mãos calejadas.
Antônio e Maria enamoraram-se, casaram-se e recomeçaram. As queixas de Antônio dissiparam e seu vício partiu. Maria estava mais robusta, com a tez e mãos lisas.
Gostar faz bem, todo mundo precisa amar também.
Jaque Crivilatti
11:03, 2/7/2008

Dona Tereza e o Bicho-Homem
“Porque quando nóis cheguemo aqui, era tudo um matagal só. Pra lá, aqui e lá pras banda do Seu Bastião, era tudo mato! Hojindia se vê só as urtiga e as tiririca da minha hortinha. Como que pode, né? O bicho homê é um bicho arcaide mesmo! Cabaram com tudo a natureza, despois ficam falando desse calorão que anda esquentando o mundo. Tô pra vê bicho mais burro! Tô pra vê, fia!”
09:15, 27/6/2008

Não
Olho-te tão pleno, tão sereno, tão ameno. Nunca é o suficiente para explicar o que jamais será presente.
Admiro-te em cada porção, em cada dimensão, em cada emoção e vem-me a razão.
Querer-te não devo e por isso escrevo. Escrevo o que decorre em minha mente, que transcorre em meu peito, latente.
Gosto-te escondida, incontida em vontades que jamais serão realidades.
És feliz, és amado, mas por mim, continuará sendo um sonho esperado.
Venero porque puramente te quero.
Arquitetei um bem-querer surreal, não ideal.
E por amar-te tão amiúde, guardei-te onde ninguém saberá, onde jamais sairá e onde sempre estará: No meu coração e na razão do não.
Jaque Crivilatti
10:05, 23/6/2008

Ironizando...
Jactar-se de puerilidades: A futura geração revolucionará este país!
...
É, aham...
Mais uma vez, everybody: Hahahaha!
Jaque Crivilatti
06:18, 22/6/2008

Oportunidades
Sílvia já acordava cansada, saia apressada para o trabalho e às vezes, quase sempre, perdia o ônibus. Reclamava, reclamava sem parar e continuamente, questionava o mundo: “Por que tudo é tão difícil?”. Acreditava somente naquilo que possuía sentido, que para ela, era o que podia ver, conhecer e entender. Por isso acreditava veemente no seu potencial e achava que todos seus problemas precisavam unicamente e exclusivamente de uma resolução que somente ela podia dar.
Mais um final de mês batia a porta de Sílvia e ela estava esgotada de fazer cálculos e mais cálculos, estava esgotada de tentar sustentar um relacionamento insustentável e ainda mais esgotada de ser mártir e heroína de si mesma. Foi então que em uma atitude inimaginável, Sílvia atirou-se no chão, olhou para o céu com o rosto lavado e os olhos transbordados em lágrimas, gritando: “Eu preciso de você! Deus, sozinha eu já não posso mais! Preciso de força, preciso de paciência, preciso de sabedoria! Dá-me Senhor!” e, ficou ali por mais algum tempo, atirada no chão, chorando incontrolavelmente. Depois de soltar todo pranto que estava trancafiado há algum tempo no peito, ela dormiu. Outro dia começou e Sílvia seguia seu itinerário: Reclamando e questionando o mundo. Outros dias vieram e Silvia continuava com os mesmos problemas, mas, em proporções cada vez maiores.
A beira de um precipício e envolta em uma extensão de problemas, Sílvia precisava agir, precisava achar alguma solução, por mínima que fosse. Decidiu erguer a cabeça e prosseguir. Encarar problema a problema. Mergulhar no marasmo de dificuldades que ela mesma havia arquitetado e, solucionar.
Forte, Sílvia havia tornado-se forte. Revigorada ela solucionou problema a problema, entendeu que encarar os problemas é preciso, evitá-los é aumentá-los e entendeu que podia entender a crença de milhares de pessoas em Deus, pois, Ele sempre esteve presente na vida dela, ela que não o via. Deus estava ali, dando oportunidades a Sílvia, de adquirir mais força, adquirir mais paciência e adquirir mais sabedoria. Todas as dificuldades na verdade, representavam oportunidades.
Entender os desígnios de Deus nem sempre é fácil, mas, Ele sempre nos dá oportunidades de compreendermos e sempre nos dará oportunidades de adquirirmos nossas aspirações.
Lembrem-se: Todo dia é uma nova oportunidade de adquirirmos aquilo que quisermos, basta acreditar.
Jaque Crivilatti