6/3/2008
QUEM PAGA AS CONTAS DAS FRAUDES BANCÁRIAS?

"There is no such thing as a free lunch" - Robert Heinlein, popularizada por Milton Friedman

 

Milton Friedman provavelmente diria que essa discussão sobre quem paga a conta das fraudes bancárias é estúpida: no final sempre quem paga é o cliente. Como diria o prêmio Nobel de Economia, banco não fabrica dinheiro, e sim vive dos juros e das tarifas bancárias cobrados dos seus clientes. De uma forma ou de outra o custo com as fraudes bancárias vai ser sempre repassado para eles - sempre.

Considerando isso, vamos fazer um rápido teste. Se você fosse um banco, como você cobraria o custo das fraudes bancárias dos seus clientes? 

A) Assumiria as fraudes como um custo operacional, como fazem as operadoras de cartão de crédito, e cobraria dos clientes através de juros ou tarifa. 

ou

B) Repassaria diretamente a conta para o cliente que foi fraudado.

Para os bancos a opção óbvia é a (a). Ao não fazer o ressarcimento e cobrar a fraude diretamente do cliente que foi fraudado, o banco aumenta o risco e diminui a atratividade no canal de negócios mais lucrativo que ele possui. Fraude que ele poderia facilmente diluir como custo operacional entre seus clientes, ainda mais em um mercado bancário com as características do brasileiro.

Para os clientes a melhor opção também é a (a). Nas duas opções quem paga a conta é ele, mas na primeira opção o risco é dramaticamente menor. Como assim, diriam os "pró-ROI" ? Tio Cima explica: em termos de mercado risco é a variação dos resultados, expressada matematicamente pelo desvio padrão. Para um cliente normal, que tem aversão ao risco (ou antecipa o arrependimento), pagar digamos 30 reais em tarifa bancária mensalmente para cobrir as fraudes é melhor do que não perder nada durante cinco anos, e depois perder de uma vez só R$ 1500 reais com uma fraude.

Se é pior para os ambos os lados, então porque alguns bancos parecem estar optando pelo caminho de repassar a conta diretamente para o cliente fraudado? Bem, na verdade eu não tenho certeza que eles estejam de fato fazendo isso - a matéria do Valor Econômico é demasiado vaga e não cita nenhum caso ou banco especificamente. Eu sinceramente não acredito que eles estejam caminhando nessa direção. Os bancos são muito inteligentes para fazer isso.

Ainda assim as instituições financeiras estão diante de um dilema: a segurança do canal depende fundamentalmente de ações que só cliente pode tomar. São os usuários que têm que manter o seu sistema atualizado, o firewall ligado e o antivirus funcionando, e os bancos precisam que os clientes continuem fazendo isso para reduzir as perdas com as fraudes. Se os bancos assumirem abertamente que cobrem todas as fraudes bancárias, os clientes podem deixar de tomar estas medidas e assim aumentar as fraudes. É necessário dosar a comunicação de forma que os usuários continuem se preocupando e se protegendo contra as fraudes, mas ao mesmo tempo não fujam da Internet.

Existe um outro grande mercado que vive de riscos que dependem da ação dos clientes, e que gerencia o mesmo dilema: o de seguro de automóveis. O que as seguradoras fazem? Elas premiam os clientes que as ajudam a reduzir o seu risco: consideram o uso de alarmes e sistemas de segurança no prêmio a ser pago, dão descontos para os clientes que não tiveram sinistros, restringem a área de cobertura do seguro. Nenhum cliente de seguro de automóvel descuida da proteção do seu carro, mesmo sabendo que a seguradora irá reembolsá-lo em caso de roubo.

Os paralelos com as ações que os bancos poderiam tomar são evidentes, e ficam como exercício para o leitor.


By fcima.

Postado por: Xamuska às 08:17 AM | em: Artigos
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14/9/2007
VOCÊ SOFRE DE "NORMOSE"?
Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, ouvi uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal. Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar.
 
O sujeito "normal" é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Quem não se "normaliza" acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?
Eles não existem.
 
Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha "presença" através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.

A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar?

Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu "normal" e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original.

Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros.
É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.

Eu simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera.
Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.

Martha Medeiros
05.8.07 - Jornal Zero Hora - P.Alegre - RS

Postado por: Xamuska às 12:44 PM | em: Artigos
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