VIRTUALIDADE E FANTASIA: UM ENFOQUE
PSICANALÍTICO SOBRE A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
II
Universidade Federal de Santa Catarina
Programa de Pós-graduação em
Engenharia de Produção
VIRTUALIDADE E FANTASIA: UM ENFOQUE PSICANALÍTICO
SOBRE A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Lilian Maria Ribeiro Conde
Dissertação apresentada ao Programa de
Pós-Graduação em Engenharia de Produção
da Universidade Federal de Santa Catarina
como requisito parcial para obtenção do título
de Mestre em Engenharia de Produção
Florianópolis
2000
III
Lilian Maria Ribeiro Conde
VIRTUALIDADE E FANTASIA: UM ENFOQUE
PSICANALÍTICO SOBRE A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Esta Dissertação foi julgada adequada para a obtenção do título de Mestre
em Engenharia de Produção, área de concentração em Mídia e
Conhecimento, e aprovada em sua forma final pelo Programa de Pós-
Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa
Catarina
Florianópolis, de setembro de 2000
Prof. Ricardo Miranda Barcia, Phd.D.
Coordenador do Curso de Pós-Graduação
BANCA EXAMINADORA:
_______________________________________
Prof
a. Tamara Benakouche, Dra.Orientadora
_______________________________________
Prof. Kleber Prado Filho, Dr.
_______________________________________
IV
Prof. Francisco Antonio Pereira Fialho, Dr.
À minha mãe, Therezinha Horta Ribeiro, porta de
entrada para o mundo das relações amorosas.
A meu pai, Antônio Chaves Ribeiro, com quem
aprendi o amor pelo conhecimento.
A meu irmão, Nilson Antônio Ribeiro, pela
capacidade técnica colocada generosamente a
meu dispor neste trabalho.
À minha Vó Lina (Laudelina Chaves Ribeiro), Tia
Piva (Sylvia Lemos Alves Ribeiro) e Zé (José
Cândido Conde Filho), como pessoas que um
dia passaram e continuam em mim.
V
Agradecimentos
Tamara Benakouche, neste percurso, no qual tive a fortuna de tê-la como
companhia, aprendi a tenacidade, a paciência e o rigor científico como
instrumentos fundamentais de pesquisa. Sou-lhe eternamente grata pela
doçura e força com que você me conduziu.
Maria Cristina Borja Gondim, irmã que a vida me deu, esta é mais uma etapa
em que olho ao lado e encontro-lhe sempre disposta a dar-me a mão nos
momentos difíceis. A você, “companheira de tantas jornadas”, serei sempre
reconhecida.
À Érika e à Mayra, filhas amadas, que tiveram a paciência de me ler e
suportar minhas ausências.
Aos colegas de mestrado e amigos, presentes sob diversas formas neste
texto e em minha memória afetiva.
Aos amigos, Fernando César Moraes, Hélio Lemes da Costa Jr. e Paulo
César Rodrigues de Souza, grupo de mestrado, pelo estímulo e confiança.
À Dulce M. Cruz, Eunice Passaglia, Hélia Gomes Cardoso da Rocha,
Marialice de Moraes, Rosângela S. Rodrigues e Sônia Pereira, que, com o
cuidado que lhes é peculiar, pronta e continuamente disponibilizaram textos
e documentos solicitados.
A Adelaide Bernier @., companhia das madrugadas solitárias, que entre o
cansaço e o desânimo oferecia-me o estímulo com a presença de sua
amizade virtual.
VI
"A inconsciência é uma pátria; a
consciência, um exílio".
Emile Michel Cioran 1911-1995
Filósofo romeno
"Vivemos num mundo de fantasias e
ilusões. Nossa tarefa mais árdua é
encontrar a realidade."
Iris Murdock 1919- Escritora inglesa
“As palavras do mundo estão loucas
para formar sentenças.”
Gaston Bachelard (1884-1962)
VII
Sumário
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................
CAPÍTULO I – A COMUNICAÇÃO E A PSICANÁLISE NA EDUCAÇÃO ......................... 08
1.1 – O Processo de Comunicação ............................................................ 09
1.2 – Limitações teóricas sobre Comunicação ........................................... 12
1.3 – O processo de comunicação na Aprendizagem ............................... 17
1.3.1 – A aprendizagem formal ...................................................... 22
1.3.2 – A educação formal à distância ........................................... 25
1.3.3 – A especificidade do ensino à distância .............................. 30
CAPÍTULO II – O APORTE DO CONCEITO DE FRUSTRAÇÃO NO ESTUDO DOS
PROCESSOS COMUNICATIVOS ............................................................... 39
2.1 – A eliminação da frustração ................................................................ 43
2.2 – A convivência com a frustração ........................................................ 45
2.3 – Tecnologia: uma resposta a desafios? .............................................. 49
2.3.1 – Tecnologia e saúde mental: Um tema, diversas opiniões ... 55
2.3.2 – Virtualidade e fantasia ......................................................... 60
2.3.3 – Educação e virtualidade ...................................................... 64
CAPÍTULO III – QUESTÕES DE MÉTODO ...................................................................... 69
3.1 – O estudo de casos como prática psicanalítica ................................... 69
3.2 – A controvérsia sobre o emprego do referencial psicanalítico fora do
“setting” analítico: argumentos e contra argumentos ............................. 71
3.3 – Descrição dos procedimentos técnicos utilizados ............................... 78
3.3.1 – Análise de vídeos ................................................................. 79
3.3.2 – Entrevistas ............................................................................ 80
3.3.3 – A observação participante .................................................... 80
CAPÍTULO IV – UMA INTERPRETAÇÃO E SITUAÇÕES FRUSTRANTES NA EaD ....... 82
4.1 – O filtro da mídia .................................................................................... 83
4.2 – Duas posições e uma questão interpretativa......................................... 93
4.3 – Sítio sem frustração............................................................................... 106
4.4 - A avaliação e a câmera......................................................................... 114
CONCLUSÃO ..................................................................................................................... 121
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁfICAS .................................................................................... 126
01VIII
Resumo
CONDE, Lílian Maria Ribeiro.
psicanalítico sobre a educação à distância
Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Programa de
Pós-graduação em Engenharia de Produção – UFSC, 2000.
Este trabalho – a partir de uma visão da psicanálise de Freud, Klein e Bion -
estabelece paralelos entre a virtualidade dos meios eletrônicos de
comunicação e a virtualidade do psiquismo capazes de suscitar fantasias
que influenciam a emissão e a recepção de mensagens de forma a,
potencialmente, produzir sentimentos de frustração e impedir o
aprendizado. Como recurso metodológico foram empregados a análise, a
partir de fitas de vídeo, de aulas de mestrado a distância FEPESMIG/UFSC
do curso e entrevista, com mestrandos.
Virtualidade e Fantasia: um enfoque. Florianópolis, 2000.Palavras-chave
: fantasia, frustração, psicanálise, mestrado a distânciaIX
Summary
CONDE, Lílian Maria Ribeiro.
psicanalítico sobre a educação à distância
Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Programa de
Pós-graduação em Engenharia de Produção – UFSC, 2000.
This work – starding from a vision of Freud’s, Klein’s and Bion’s
psychoanalysis – establishes a parallel between the virtuality of the electronic
ways of communication and the virtuality of the psyche as capable to raise
fantasies that influence the emission and the reception of messages what
potentials produces frustrations feelings and impedes the learning. As a
methodological resource we used the analysis taken from videotapes of the
Master Course Distance Learning classes (FEPESMIG/UFSC) and
interviews whith classemates.
Virtualidade e Fantasia: um enfoque. Florianópolis, 2000.Keys-words
Learning.
: fantasy, frustration, psychoanalysis, Master Course DistanceX
ABSTRACT
The Federal University of Santa Catarina, together with the
Teaching and Research Foundation of South Minas (Fundação de
Ensino e Pesquisa do Sul de Minas) offer the city off Varginha, among
other course, the Masters Course in Production Engineering whith
emphasis on Media and Knowledge. The main characteristic of thes
Masters Course is that it is a distance learning project, using third
generation Technology – video conference – being transmitted from the
Distance Learning Laboratory of the Federal University of Santa
Catarina.
This work studies the interactions in Distance Learning from
the combination between two virtualities: the mental and that
established by the interactions mediated as a factor that can, in the
processs of communication, activate fantasies, generate
communication impasses, leading to the feelings of frustration and to
the compromise of learning. The theoretical foundation was build up
whith Freud, Klein and Bion, besides some others theories on
communication. The methodology used was the analysis of video tapes
recorded during the Master’s Course classes, above mentioned, and
interviews with the studentes involved. We tried to detect impasse
situations in the student-teacher interactions as a possible contribution
towards the betterment of the Distance Communication process.
XI
ABSTRATO
A Universidade Federal de Santa Catarina em parceria com a
Fundação de Ensino e Pesquisa do Sul de Minas (FEPESMIG) oferecem à
cidade de Varginha, entre outros cursos, o Mestrado em Engenharia da
Produção com ênfase em Mídia e Conhecimento. A principal característica
deste mestrado é o fato dele ocorrer a distância, através de tecnologia de
terceira geração – a vídeoconferência, tendo como ponto de transmissão o
Laboratório de Educação a Distância da Universidade Federal de Santa
Catarina.
Este trabalho estuda as interações na Educação a Distância a partir
da combinação entre duas virtualidades – a mental e aquela estabelecida
pela interação mediada como fator que pode, no processo de comunicação,
acionar fantasias, gerar impasses comunicativos induzindo ao sentimento de
frustração e o comprometimento do aprendizado. O referencial teórico
utilizado foi o psicanalítico de Freud, Klein e Bion, além de algumas teorias
sobre comunicação. A metodologia empregada foi a análise de fitas de vídeo
gravadas durante a efetivação dos créditos do mestrado acima especificado,
e entrevistas com alunos. Buscou-se detectar situações de impasse nas
interações aluno e professor, com o objetivo de promover subsídios para a
melhoria do processo comunicativo na Educação a Distância.
INTRODUÇÃO
Há um jeito de olhar a vida e seus fatos na tentativa de
compreendê-los que decorre dos modelos, enunciados e teorias adquiridos a
partir da busca de sentido para os fenômenos a partir daquele que os
experimenta.
Dizem que Gertrude Stein
era a resposta e ao morrer questionara qual era a pergunta. Para nós, vida é
isto: ausência de respostas e inquietação constante. O fechamento, a
resposta final ante a qual já não cabem mais outras questões é a morte. Não
apenas a morte física que veda nossos olhos e nossas mentes para
qualquer ocorrência interna ou externa que nos venha perturbar, mas a
morte metafórica advinda da existência de Thanatos
mordaça mental, o silêncio absoluto, a ausência de questões.
Evidentemente, não existem melhores teorias. Qualquer “melhor”
teoria só pode ser definida desta forma tendo em vista o grau de
consistência e coerência que apresenta para aquele que a esposa.
Diferentes “verdades” podem coexistir até que o tempo e a experiência
tragam algum esclarecimento e determinem o desaparecimento de algumas
e a permanência de outras. Ainda assim, teorias, para que não sejam
transformadas em dogma religioso, devem estar sempre abertas a
questionamentos, revisões e complementações. Se a vida é transformação,
qualquer teoria que se apresente com alguma vitalidade torna-se passível de
sofrer adendos e reformulações a partir de questionamentos que poderão
parturir novas respostas.
Talvez o traço de personalidade que mais defina aquele que busca
fazer ciência seja o da irreverência, tomada como antônimo de reverência,
1 passou toda sua vida perguntando qual2 em nós, buscando a1
papel na vida de Henri Matisse e Pablo Picasso, entre outros, como sua maior incentivadora. É de sua autoria, a
frase: “Uma rosa, é uma rosa, é uma rosa”. Em Paris – para onde fixou sua residência em 1903 – sua casa era
ponto de convergência de escritores, músicos e pintores.
Gertrude Stein (1874-1946) , escritora norte americana, crítica e colecionadora de arte. Desempenhou importante2
(2000). Sobre o tema, remetemos o leitor para o texto “Dissociação da Potência”: Repensando a dimensão
tanática da reação terapêutica negativa”, apresentado na SBPSP em 7/6/2000.
Na atualidade, o conceito de pulsão de morte para explicar alguns fatos clínicos têm sido discutido por GONDIM2
que é definida como “respeito às coisas sagradas; veneração; respeito;
acatamento”. A produção humana de conhecimento, embora evoque a
dedicação e a seriedade do trabalho daqueles que a isto se propuseram, é
tanto mais valiosa e vívida como patrimônio da humanidade quanto mais
enseja questionamentos e novas formulações, quanto mais palpita de vida
através do tempo. Reverenciar o humano é transformar o profano em
sagrado. O primeiro, matéria de entendimento; o segundo, de fé.
Na presente dissertação, o referencial por nós utilizado para a
explicação de fenômenos comunicativos que induzem ao fechamento para a
aprendizagem foi o psicanalítico de Freud, Klein e Bion, autores que
trabalharam aprimorando e reformulando suscessivamente suas próprias
descobertas e a de seus predecessores. Freud chegou à descoberta da
dinâmica do inconsciente a partir do momento em que rompeu com as
crenças dominantes na época, que tinham o histérico como simulador
teatral; sua obra é o testemunho de reformulações e acréscimos à sua
própria teoria. Melanie Klein, a partir de seu trabalho com crianças, realizou
observações que vieram, embora mantendo fidelidade ao texto freudiano em
sua grande parte, modificar aspectos da teoria deste. Bion, analisando de
Klein, acresce a este corpo de conhecimento, os conceitos de pensamento
psicótico e não-psicótico.
A tarefa de buscar o conhecimento é expressão da pulsão de vida
Nesta tentativa – a de conhecer – lançaremos mão de nossa experiência e
conteúdos já adquiridos, para explicar episódios de frustração cuja etiologia
encontra-se em certa disposição mental que pode vir a afetar os conteúdos
de comunicação no Educação a Distância. Partimos de uma questão e de
um pressuposto comentados a seguir.
3.3
básicas: Eros e a pulsão de destruição...A primeira de tais pulsões básicas persegue o fim de estabelecer e
conservar unidades cada vez maiores, quer dizer, a união; a pulsão de destruição, ao contrário, busca a dissolução
das conexões, destruindo as coisas”.
FREUD (1938,p.3382) assim conceitua as pulsões de vida e morte “...decidimos aceitar somente duas pulsões3
A observação – paralelamente à vivência, com todo o aspecto
subjetivo dela decorrente – das relações estabelecidas entre alunos da
Fundação de Ensino e Pesquisa do Sul de Minas (FEPESMIG), matriculados
no curso de Mestrado a Distância em Engenharia da Produção, (ênfase em
Mídia e Conhecimento) e professores da UFSC, induziram-nos a supor que
as interações mediadas podem apresentar impecilho para a compreensão
de mensagens trocadas no processo de aprendizagem, dificultando-o, na
medida em que produzem frustrações. O que ocorre no processo de
comunicação entre as partes (professor/aluno) que pode dificultar o
desenvolvimento e a aplicação do pensamento científico
que serve de ponto de partida para a presente dissertação.
A hipótese que nos acode como possibilidade de resposta à
questão retira seus argumentos da teoria psicanalítica freudiana, no que
tange aos dois princípios de funcionamento mental (Princípio do Prazer e
Princípio da Realidade), suas relações com o processo primário e o
processo secundário, observando as pautas de funcionamento mental
relativo às Posições Esquizo-Paranóide e Depressiva (Klein) e sua relação
com os distúrbios do pensamento (pensamento psicótico e sano) verificados
na presença de frustrações (W.R. Bion).
A motivação humana pode ser vista como resultante de uma
pulsão. Esta visa a um alvo capaz de satisfazê-la, reduzindo a tensão
gerada no interior do organismo para nível próximo a zero. A pulsão urge.
Seu funcionamento para a obtenção do alvo capaz de apaziguar o
organismo segue o modelo do arco reflexo (descarga imediata e total da
quantidade de excitação)
4? Esta é a questão5. Diz-se que quando a pulsão atinge seu alvo e4
toda a angústia decorrente delas até que respostas surjam para explicar eventos. NOGUEIRA (1993, p 218)
refere-se a esta atividade dizendo tratar-se de “uma atividade mental que revela capacidade para consideração
da experiência, interna ou externa, incluindo-se aqui o mental alheio e a necessidade de sua observação,
capacidade para evolução (aperfeiçoamento/reconsideração) e o reconhecimento de tempo e trabalho para
esses processos.”
Pensamento científico, aqui, deve ser entendido como a possibilidade de convivência com a dúvida, solidão e5
Ver a obra de Freud, “Proyeto de una psicologia para neurologos” (1855)4
logra seu intento, a situação é a de satisfação e sua vivência corresponde ao
Princípio do Prazer. Entretanto, por vezes, entre a pulsão e seu alvo são
interpostas barreiras de origem interna (impossibilidade do indivíduo) ou
externa (dificuldades apresentadas pelo meio externo), que demandam
tempo para que sejam transpostas, ou mesmo que representam
impossibilidade definitiva de superação. Esta ocorrência subverte o aforismo
“querer é poder” (querer, nem sempre é poder). Diante deste intervalo de
tempo necessário à realização de desejo ou diante da impossibilidade dessa
realização, emerge o conceito de realidade como contraposição à vivência
de satisfação. “(...) No plano psicológico, realidade é aquele ponto onde a
pulsão (desejo) encontra um limite, uma obstrução, impedindo-se a
satisfação ou a continuidade desta” (NOGUEIRA 1993, p 196). A vivência
de satisfação (realização de desejo) não produz conflito com a realidade. O
que produz conflito com ela é a frustração. Daí, o ódio à realidade não ser
senão o ódio à frustração.
Se aceitarmos a idéia de que o ser humano é um ser pulsional,
teremos de aceitar que todo encontro humano é também um encontro
pulsional, no qual há vivências de prazer (coincidência de pulsões ou
desejos) e vivências de desprazer, motivadas por conflitos de interesses
(pulsões não coincidentes). A administração do conflito de interesses
encontra-se relacionada com o interjogo dinâmico das relações objetais
estabelecidas pela Posição Esquizóide e Depressiva, conforme a pauta na
qual se encontra o indivíduo. Na Posição Esquizo-Paranóide o amor custa
caro, ou seja, para que o objeto seja valorizado e amado torna-se necessário
que ele propicie apenas satisfações, ainda que à custa de privações. Em
outras palavras, o outro integrante do par relacional só pode ter um desejo e
necessidade: servir ao outro integrante da relação. Na Posição Depressiva o
amor custa mais barato: o outro integrante do par pode ser amado a
despeito das frustrações que provoca ao atender seus próprios desejos e
necessidades.
5
Os problemas relacionados aos distúrbios do pensamento
encontram-se vinculados a dois tipos de eventos: a frustração e a pauta
Esquizo-Paranóide. Traduzem-se, eles, em comunicações nas quais “as
palavras perdem sua finalidade comunicativa de esclarecimento, de troca de
idéias, para promover melhor contato com a realidade interna e externa,
possibilitando (....) conhecimento, e passa a funcionar seja como método de
descarga, (...) ou como método de controle do objeto” (NOGUEIRA,
1993,p.203). Neste último caso, a comunicação visa menos esclarecer do
que “converter” o interlocutor das teorias que o emissor está apresentando.
Isto porque, quando um desejo é frustrado, o Ego tem que se haver com
uma multiplicidade de estímulos representados pelas fantasias, hipóteses,
dúvidas, contradições, angústias que preenchem o intervalo entre o desejo e
a possibilidade de sua satisfação. Note-se que, aqui, a frustração é
demarcada pela ausência de gratificação imediata, impondo ao desejo
humano a espera (adiamento da gratificação). Reações intempestivas –
típicas do funcionamento mental em pauta psicótica – podem surgir como
forma de abolir o acúmulo de estímulos do Ego no sentido de evadir-se à
frustração (ao invés de processar ações efetivas para a modificação da
realidade). Sob estas condições, o objeto ou a situação frustrante pode se
apresentar como absolutamente limitado, determinando “ações
evacuatórias” (Bion) despidas do atributo de racionalidade e semelhantes a
episódios psicóticos, por apresentarem-se com as características de
onipotência e onisciência.
Se o encontro humano, tornado possível pela comunicação, já se
vê tão comprometido pelo fato de impor frustrações decorrentes do conflito
de interesses, dificuldades acrescidas devem ser esperadas quando este
encontro é efetivado através de um aparato tecnológico como é o caso da
EaD que, se possibilita, também impõe limites (frustrações), decorrentes da
insuficiência da própria técnica (links interrompidos, deficiências do sistema
de audio e monitor etc). Este é o terreno onde perturbações do pensamento
podem proliferar, dificultando a aquisição de conhecimentos. Nossa
6
suposição é a de que professores e alunos conseguem resultados
superiores no aprendizado quando compromissados entre si (têm cuidado
com o objeto, característica da posição depressiva) e são capazes de
tolerância à frustração mediante a convivência com o acréscimo de
estímulos carreados por ela, a frustração, ao Ego. As teorias da
comunicação consideradas isoladamente, a nosso ver, não focam os
sujeitos ocultos existentes no receptor e no emissor.
É sobre esta última afirmativa que versará o capítulo I. Nele,
buscaremos argumentar que o objetivo da comunicação é o de promover a
troca de significados entre duas ou mais pessoas, mas que este propósito
nem sempre é atingido, porque existem fatores de ordem psicológica que
poderão determinar a maneira pela qual percebemos conteúdos das
mensagens verbais e não-verbais. Trataremos a fantasia como um dos
fatores que podem influenciar a captação das mensagens, em suas origens
e seus desdobramentos, na medida em que a palavra ou gesto são tomados
em sentido unívoco, como defesa contra a angústia. Remeter-nos-emos,
para isto, a algumas teorias psicanalíticas, especificamente àquelas acima
mencionadas, e a algumas teorias sobre comunicação (Goffman, Lewin,
Thompson) como referências das quais extraímos elementos para analisar
os significados desses processos na educação e, em especial, na Educação
a Distância (EaD). Procuramos demonstrar, no caso, que o ódio à frustração
(ou à realidade) produz efeitos sobre a tarefa de adquirir conhecimentos.
No capítulo II, aspectos das teorias de Freud, Klein e Bion tratando
de conceitos como frustração, fantasia e desejo serão expostas. Neste
capítulo, buscaremos, em linguagem próxima ao leitor não especialista,
explanar as contribuições daqueles autores, relacionando-as com as
ameaças historicamente sentidas pelo indivíduo face ao novo e, em
especial, às novas tecnologias eletrônicas. Tentaremos estabelecer
paralelos entre duas virtualidades: a do sujeito (fantasia) e da a Internet,
susceptíveis de produzirem distúrbios de pensamento quando passam a
7
representar aprisionamento na ilusão como forma de evasão à realidade
(frustração).
O Capítulo III versará sobre a metodologia empregada para o
estudo de casos. Neste capítulo, discutir-se-á o emprego do referencial
psicanalítico “extra-muros”
discutindo-as. Narrar-se-á, também, a forma pela qual foi obtido o material
para estudo, bem como o tratamento a ele dado.
No capítulo IV, descreveremos, reproduziremos e analisaremos
situações de interação no curso de Mestrado a Distância em Engenharia da
Produção, ênfase em Mídia e Conhecimento, oferecido pela FEPESMIG em
parceria com a UFSC, em 1999, que acreditamos terem importado em
frustração, e suas resultantes sobre o aprendizado do aluno. Trataremos de
quatro situações, embora o desejo inicial fosse o de extrair, de cada
disciplina, uma ocorrência que tenha produzido impasse de comunicação em
termos de aprendizagem. Este intento foi frustrado por limitação técnica, que
ocasionou gravações apenas de imagem sem áudio.
Esperamos, ao final, haver contribuído – com o melhor dos nossos
esforços – à construção desta nova forma de educar: a Educação a
Distância (EaD).
6, apontando distintas opiniões a esse respeito e6
2000 p. 10.
Conceito criado por Laplanche, apud MEZAN, Renato. Encarte do Jornal do Psicólogo, ano 18, nº 66. Março de8
CAPÍTULO I
A Comunicação e a Psicanálise na Educação
O objetivo do presente capítulo é o de sublinhar a importância do
processo comunicativo entre professor e aluno na aprendizagem em geral,
assinalando a insuficiência das teorias sobre comunicação para determinar o
sucesso ou fracasso no aprendizado. A partir de uma perspectiva
psicanalítica, sustenta-se que a palavra, a tonalidade da voz e as mímicas
facial e corporal, por mais que funcionem como sinalizadores do significado
dos termos, não cumprem sua missão definitivamente. Há um espaço,
intocado pela palavra e constituído pela atividade fantástica, que pode
subverter o sentido dos termos, encaminhando a uma percepção distorcida
da realidade, e comprometer o resultado da aprendizagem. Tal fato – ao
nosso ver – repousa sobre aquilo que intitulamos de sujeito oculto do
receptor e emissor e que é formado por ocorrências vinculadas ao
denominado de Processo Primário, na teoria freudiana. Se a aprendizagem
é decorrência do Princípio de Realidade e dos Processos Secundários que
regem o pensamento, a interferência do Princípio do Prazer e dos Processos
Primários tendem a adicionar ruídos no processo comunicativo e a
comprometer o resultado da aprendizagem por facultarem o aparecimento
de “distúrbios do pensamento” na presença de frustrações, tal como
estudados por Bion a partir das observações de Melanie Klein sobre as
relações de objeto na Posição Esquizo-Paranóide.
A interação face a face não salvaguarda a ocorrência do fenômeno,
que é agravado na interação mediada e quase mediada. Com base nestas
considerações, deter-nos-emos ao refletir, ainda neste capítulo, sobre a
especificidade do processo comunicativo em EaD.
10
1.1 O processo de comunicação
Especialmente na atualidade, considerada por alguns como a Era
da Comunicação e da Informática, o tema comunicação passou para a
ordem do dia, graças ao grande incremento que novas tecnologias
aportaram para as trocas humanas.
A comunicação pode ser estudada sob diferentes vértices;
consideraremos aqui o formal, o psicológico e o tecnológico.
Sob o ponto de vista formal, a comunicação é o processo de
transmissão e recepção de informações, sinais e mensagens através de
gestos, palavras e outros símbolos de um organismo para outro (BERLO,
1997). Entende-se, pois, por processo formal da comunicação, os aspectos
físico e objetivo sem os quais não haveria estimulação orgânica que
permitisse o aparecimento simultâneo dos processos psicológicos que
caracterizam a comunicação em si. Assim, a acuidade auditiva e visual, a
integridade do sistema nervoso e do aparelho locomotor e a ausência de
interferências ambientais (nível de ruídos) fornecem as condições
fisiológicas e físicas para que a comunicação se processe como
possibilidade de discussão de significados entre duas ou mais
personalidades. Estudar o processo comunicativo a partir do enfoque
meramente formal equivaleria a reduzir a comunicação a um fenômeno de
estimulação a nível fisiológico.
Sabe-se por algumas teorias da comunicação (LEWIN,1947;
THOMPSON,1998) e por algums teorias psicanalíticas, entre elas as de
Freud, Klein e Bion, que no momento em que dois organismos se encontram
para a troca de significados, suas personalidades interagem (para Klein e
Bion, o contato psicológico inicia-se antes mesmo de um encontro e é
expresso pelas fantasias e expectativas acerca dele, o que, de certa forma,
antecipa a ocorrência do contato psicológico em termos do contato formal
1).1
encontram, elas estabelecem uma relação, quer queiram ou não; isso se aplica a todos os encontros, inclusive a
psicanálise”
PICK in BARROS (1989, p. 183), relata que BION “fez a sucinta observação de que, quando duas pessoas se11
Para Lewin (apud MAILHIOT,1973, p71), necessariamente o percebido não
expresso formalmente (linguagem não-verbal) intervém no percebido
formalmente expresso (linguagem verbal). Neste último nível, a atividade da
fantasia com suas percepções seletivas oriundas de interesses,
expectativas, processos emocionais, experiências anteriores, podem alterar,
restringir ou ampliar o conteúdo da mensagem. Este é o vértice psicológico
dos processos de comunicação a ser privilegiado, no decorrer da presente
dissertação, para discutir as resultantes dos processos de interação
professor/aluno em termos de êxito ou insucesso no aprendizado.
O terceiro enfoque do processo comunicativo relaciona-se ao
emprego de tecnologias nas interações. Embora os meios de transmissão de
mensagens possam ser incorporados ao vértice formal da comunicação – já
que tratam de emissão e recepção - optamos por inseri-lo numa outra
categoria, apoiando-nos no fato de que representam um aspecto externo ao
processo de interação. Além do mais, o fenômeno de desencaixe entre
tempo e espaço (GIDDENS, 1995, p 29) efetuado pelas comunicações
propiciam uma nova gama de estimulações sobre os processos
interacionais, no plano psicológico, por razões que trataremos
posteriormente. Sob este vértice – o da tecnologia - Thompson (1998)
considera três tipos de interação que podem ocorrer de forma híbrida ou em
separado
Segundo ele, a interação face a face possui caráter dialógico (alternância
entre receptor e emissor no fluxo de informações e comunicações); é
efetivada em contexto de co-presença e possibilita acesso a uma
multiplicidade de deixas simbólicas, que permitem a redução da
ambigüidade acerca do conteúdo da mensagem. A possibilidade de acesso
à comunicação não-verbal e, conseqüentemente, às deixas simbólicas,
refere-se – sob nosso ponto de vista – ao que Goffman (
1998, p 82) denomina de região de fundo da estrutura interativa, que na
interação face a face é comum ao emissor e ao receptor, em termos de
ambiência (física e afetiva). A despeito da interação realizar-se sob
: as interações face a face, as mediadas e as quase mediadas.apud Thompson,12
determinadas condições estruturadas - implicando sempre em certas
suposições e convenções, como também características físicas do ambiente
(disposição espacial, móveis, equipamentos, roupa etc) – há sempre, no
nosso entender, a possibilidade de – no contato face a face – o indivíduo
(receptor ou emissor) revelar-se. Goffman denomina “região frontal” de
interação aquela que corresponde à conformidade do comportamento do
indivíduo face ao que depreendeu da situação na qual a interação se
processa. Em uma dada situação de interação, indivíduos percebem a
situação como formal ou informal, por exemplo, e buscam comportar-se
segundo o percebido. O que não se adeqüa à imagem que o emissor busca
projetar é relegado à região de fundo, mediante o comportamento reflexivo
de auto-censura. Em outros termos: o indivíduo tende a suprimir condutas
que contrastam com determinado ambiente (região de fundo) e a substituílas
por outras tidas, por ele, como adequadas (região frontal).
Desde os anos 40, Kurt Lewin havia apontado – ao estudar a
dinâmica dos grupos – para os aspectos não-verbais da comunicação
(mímica facial, postural, entonação de voz, silêncios, ausências), situando-os
como fator importante na aferição da autenticidade da mensagem e mesmo
como forma de percepção da estrutura na qual a interação é processada.
Sem contradizer as afirmações de Thompson e Lewin, reservamos o item
seguinte para discutir a relatividade deste conceito e das questões relativas
às “regiões de fundo” na estrutura interativa.
Thompson refere-se às “interações mediadas” como sendo aquelas
nas quais entre o emissor e o receptor encontram-se meios técnicos
(telefone, fios elétricos, papel, ondas eletromagnéticas) estabelecendo
pontes para a transmissão de conteúdos simbólicos. Tais interações se
processam “entre indivíduos situados remotamente no tempo, no espaço, ou
em ambos” (THOMPSON, 1998, p.78). As características das interações
mediadas são representadas pela separação entre os contextos (temporais,
espaciais) do emissor e receptor, pela disponibilidade estendida no tempo e
no espaço, pelo caráter dialógico da comunicação, por sua orientação para
13
receptores específicos e pela limitação das deixas simbólicas ou
comunicação não-verbal. Este tipo de comunicação propicia relativo controle
sobre as zonas de interação, possibilitando ser eliminadas do contexto as
informações pertencentes à região de fundo.
O terceiro tipo de interação distinguida por Thompson (1998) é a
“
do uso dos meios de comunicação de massa, tais como livros, jornais,
revistas, rádio, televisão etc. As “interações quase mediadas” diferem dos
outros dois tipos de interação – face a face e mediada – porque o conteúdo
da comunicação orienta-se para um público receptor anônimo e
potencialmente múltiplo e porque são monológicas, isto é, propiciam a
interação entre leitores ou telespectadores, mas não entre o emissor e
receptores da mensagem. É comunicação em sentido único e, portanto, não
passível de reciprocidade interpessoal. A despeito desta última
característica, laços de amizade, fidelidade e afeto são mantidos quando,
por exemplo, prefere-se um determinado autor ou um noticiário a outros, ou
quando surge o fenômeno do fã – tema a ser tratado posteriormente. Neste
tipo de interação, devido a separação tempo/espaço, a região de fundo pode
sofrer cuidadoso controle mesmo quando revelada; as deixas simbólicas
tornam-se reduzidas devido à separação tempo/espaço – salvo quando há
possibilidade de interatividade com “
comunicações tornam-se disponíveis porque são impressas e gravadas.
interação quase mediada”. Este tipo de interação é aquela existente a partirfeedbacks” imediatos e contínuos – e as1.2 Limitações das Teorias sobre Comunicação
As teorias das Comunicação – ou a maneira como são utilizadas -
ao considerar a linguagem não verbal, em geral o fazem como se houvesse
uma linha interpretativa definida entre o gestual e a palavra
2, esquecendo2
O sorriso pode significar que as palavras não correspondem à verdade.” Pensamos que a afirmativa não é
esclarecedora porque ou se trata de dizer que sorriso=mentira ou então admitir que não sabemos muitas vezes
o que significa o sorriso em um dado contexto comunicativo, e que a tentativa de dissimulação é apenas uma
Dimbleby Ricnard e Burton Graeme, afirmam que (1985 p. 60) : “É possível sorrir enquanto se diz alguma coisa.14
seus autores de que muitas vezes a mímica pode referir-se a conteúdos
mentais diferentes, de memória e de fantasia que, se guardam algum nexo
associativo com a comunicação presente, necessitam de tratamento mais
acurado para que o receptor chegue ao significado dado pelo emissor. Ao
nosso ver, existem situações nas quais o produto verbal parece não se
encontrar em consonância com a atuação não-verbal. Entretanto, a
percepção da incongruência entre ambos poderia limitar-se a este fato e
permitir o levantamento de hipóteses acerca da ocorrência sem, contudo,
desqualificar a mensagem ou o emissor. A atuação não-verbal encontra-se
muitas vezes associada não ao conteúdo da mensagem, mas a fantasias do
emissor acerca de si próprio e do receptor. Exemplificando o fato: é
freqüente – especialmente nas relações assimétricas
tempo existente entre a configuração do contexto comunicativo ou resposta
do receptor e a emissão da mensagem seja preenchida por atividades
pertencentes ao imaginário e que se apresentam sob forma de dúvidas
(Será que “ele/ela” vai gostar? Será que estarei sendo conveniente? Será
que o que pretendo transmitir está correto? Será que serei criticado (a)? etc).
Estas hipóteses implicam em certo grau de angústia que concorrerão com
um acúmulo de excitação à consciência, as quais freqüentemente são
respondidas fantasiosamente, determinando a maior ou menor segurança
com a qual a mensagem é transmitida. Equivocadamente, pode o receptor
tomar a angústia produzida pelas fantasias do emissor como prova
irrefutável de que, por exemplo – se o contexto for o de apresentação de
trabalho acadêmico –, a tarefa não foi realizada pelo aluno devido à atitude
insegura contrastada com a qualidade do material apresentado.
Por outro lado, as chamadas “regiões de fundo”, que na teoria de
Goffman sugerem “ruídos” dos quais se quer afastar a “região frontal” da
3 - que o intervalo dehipótese entre tantas outras. Ainda: interpreta-se o silêncio como se ele existisse. A nós parece-nos que o
silêncio corresponde apenas à ausência de expressão de determinado pensamento motivado por questões
mentais desconhecidas porque impronunciadas. Como bem na atualidade demonstra o eletroencefalógrafo, a
atividade mental não é silenciosa e só cessa com a morte.
15
comunicação, podem referir-se também a dados de sentimentos e fantasias
que em determinadas situações tentamos suprimir por julgarmos
impressionar negativamente o interlocutor (ou serem inadequados a
determinada ocasião), mas nem sempre podem se manter
“assepticamente” cuidados. Demonstra isto os “lapsus linguae” e as
parapraxias, em geral, tratadas por Freud em Psicopatologia da Vida
Cotidiana (1901)
fenômenos conhecidos socialmente como “gafes” e “distrações”, nas quais o
emissor coloca-se em posição indefensável.
Embora as teorias sobre a comunicação expliquem o processo
interativo, não o fazem de forma satisfatória, pois parecem apoiar-se no fato
de que “informações sobre a nossa própria vida mental ou alheia se
apresentam clara e inequivocamente à consciência”, podendo ser
manipuladas, ou tornando “o psíquico linear, estático, plano, chegando ao
4, os quais podem ser traduzidos na atualidade comoponto de ser abordado em termos explicativo-causais”
p.228). A nós nos parece – e estamos bem acompanhados nesta crença –
que o pensamento pode ser subvertido por
