20/1/2010
A felicidade verdadeira só existe quando estamos desapegados de qualquer interesse particular

Era uma vez um rato chamado Kanobi. Apesar de boa aparência e agilidade, era um rato com características de rato. Adorava entrar nas casas e pegar moedas e estes pequenos furtos o deixavam extremamente vitorioso e insuflado. O ego dele era enorme e  entre as coisas que mais gostava de fazer estavam levar vantagem e exercitar a arte da manipulação. Não importava se os outros da espécie fossem se dar mal com as suas jogadas, Kanobi só via o que era bom para ele. Tinha seus objetivos e não se desviava deles por nada, nem ninguém. Sentimentos o tirariam de seu propósito naquele momento e a vida é feita de escolhas e ele escolhera usar os outros para conseguir o que queria, sempre.

Por vezes agia de maneira a deixar os outros ratos tristes, mas preferia fingir que não percebia, literalmente ‘abafar o caso’, esperar passar para começar tudo de novo. Outras vezes garantia que não era culpa das armações dele o fato dos outros do grupo terem se dado mal, se fazia de vítima, dissimulava, jogava sem parar e mentia tanto que acabava até acreditando na suas mentiras e tomando-as como verdade incontestável.

Armava a ratoeira para os outros até que fizessem a sua vontade, atingissem o seu objetivo. Queria vida mansa, que os outros fizessem o trabalho pesado por ele, ou melhor dizendo, todo trabalho. Enquanto isso esperava que lhe trouxessem comida, moedas e outras coisas. Gostava de ser bajulado, entre os seus pertences estava um espelho que não saia do lado dele. Quando não conquistava algo que queria se divertia no meio do caminho vendo os outros se desentenderem por causa de idéias que ele plantou, de intrigas e várias lenhas colocadas na fogueira.

Era um rato sugador de energia, acabava por enfraquecer e desgastar emocionalmente os outros ratos até que se dessem por vencidos e fizessem o que ele queria, ou que ficassem inertes, sem mais forças para lutar, contestar e não lhe dessem trabalho. Tudo era um jogo onde só haveria um vencedor.

Kanobi sabia ouvir claro, mas não queria, achava a conversa de todo mundo muito chata, sem propósito, preferia ele falar sem parar mesmo que ninguém quisesse mais ouvir. Não tinha paciência para ouvir ninguém, pouco sabia dos interesses, alegrias ou dificuldades de seus companheiros mais próximos. Mesmo assim adorava pegar o ‘bonde andando’ e dar palpite em assuntos dos quais ele não sabia quase nada.

Não tinha amigos, mas se sentia amado porque eram muitas as gangues que se uniam por interesse, que queriam as mesmas coisas que ele. Usar os outros, poder, encher o cofre de moedas na lei do mínimo esforço, impor sua vontade, falar sem parar, cobrar, reclamar e criticar. Como Kanobi não faltavam ratos traiçoeiros, interesseiros e materialistas.

Toda esta história me faz comentar que com certeza Kanobi não fora sempre assim, mas como todos os ratos, homens e espécies do planeta estamos aqui para passar por testes e provas, para nos aprimorarmos e melhorarmos, mas sempre teremos escolhas. Sempre poderemos escolher o caminho mais ético ou o não tão ético, podemos crescer na justiça, mais lentamente ou podemos alçar um vôo mais rápido na desonestidade. Um rato de bom coração ficou fútil e interesseiro porque foi fraco, inseguro, preferiu a estrada fora do amor e da ética. Ele teve e tem opção, como todos nós temos.

A felicidade verdadeira só existe quando estamos desapegados de qualquer interesse particular.

R.K.A

posted by **C.C**R.K.A.** at 9:43 AM | in:
Permalink | email this post | Comments(0)
Comments:


Adicionar Comentário
Criar um Blog-BR - Meu Blog-BR - Denuncie - Visitar outro Blog