
Normalmente no Natal já ficamos mais sensíveis e uma história que mexeu muito comigo foi saber que o menino Sean foi entregue ao pai americano, na véspera de Natal, para embarcar direto para os Estados Unidos. Para mim mais uma decepção com o país Brasil.
Não acho que o que a mãe brasileira fez ao sair dos Estados Unidos sem avisar o pai da criança foi correto. Mas o que está feito está feito e o menino que na época tinha quatro anos hoje tem nove. A mesma justiça brasileira que deu ao padrasto brasileiro a guarda da criança, cinco anos após está voltando atrás em sua decisão e mandando o menino direto para os EUA.
Também não acho que está em questão a vontade do pai legítimo de viver com seu filho e nem julgo isso. Coloco em julgamento a justiça brasileira. A mãe dele morreu no parto da irmã que hoje tem pouco mais de um ano de idade. Aqui além de morar no Rio de Janeiro e ter uma família com avó, irmã, padrasto e outros parentes, já tem uma rotina com amigos, colégio e gosta da vida que tem. Fala português, mora na praia e acima de tudo é brasileiro.
De repente anos mais tarde o Brasil decide que no dia 24 de dezembro o menino deve ir direto para os Estados Unidos com seu pai. Ele não foi ouvido, ou seja, a opinião dele ou vontade não foi considerada. A avó foi impedida de viajar com o menino e passar o Natal junto do pai americano para tornar a transição mais amena.
Conclusão foi que ele pegou o avião com o pai, numa transição brusca, em dia de Natal para ir para um país diferente, de língua diferente, onde no momento faz muito frio e o mais crítico, não foi por opção e nem por um período curto.
Sean estava vestindo uma camiseta da seleção brasileira. Coincidência? Acho que foi a única forma que ele teve de manifestar a sua vontade.
“Em resposta a decisão do Supremo Tribunal Federal, o Senado dos EUA aprovou imediatamente, ainda na noite de terça-feira, a lei comercial que prorroga benefícios alfandegários de bilhões de dólares para algumas exportações brasileiras. O senador Frank Lautenberg, de Nova Jersey, havia obstruído a votação como forma de protesto.”
Como a própria avó do menino disse, a sensação que dá é que foi um acordo puramente político. O Brasil vendeu o Sean. Se não fosse assim, a transição seria mais amena, com o menino se familiarizando com o pai aos poucos, com a língua, com a cultura e não indo definitivamente, sem poder se manifestar, no dia de Natal e sem a presença dos familiares brasileiros.
Que país é esse?
R.K.A
