Seu currículo é muito legal, mas você não acha que é um pouco ‘over qualified’ para função? Seria ótimo ter uma pessoa com a sua experiência em nossa equipe, mas no momento não temos orçamento para contratação. Obrigada pelo interesse, mas não temos ‘budget’ para uma contratação deste tipo. Com um currículo neste nível, você não vai ter problemas para recolocação, se surgir algo adequado ao seu perfil entraremos em contato.

Diante disso ficamos lisonjeados e com peito estufado ou frustrados? Hoje em dia a demanda é enorme, mas ao mesmo tempo pós - graduação, estudo no exterior, línguas, experiência em alguns casos parece que joga contra. Qualificação já não é mais sinônimo de ‘chuvas’ de propostas e até assusta os empregadores, que muitas vezes preferem contratar mais pessoas menos qualificadas do que pagar um salário um pouco melhor para uma única pessoa.
Nunca achei que fossemos chegar neste ponto. Já vi gente mentindo a beça no currículo para colocar mais coisas do que realmente fez ou sabe, mas agora vamos começar a onda de ter que mentir e tirar coisas do currículo para conseguir emprego e ficar ‘under qualified’ ou no ponto que eles querem. Quando o entrevistador perguntar se você tem pós – graduação responda que não, se tem outra língua diga que só o português, se morou fora? Claro que não. Eu? Não.
Se fosse um dono de empresa e me deparasse com um candidato super-qualificado para função, com um currículo muito bom acharia ótimo e tentaria conversar para entender as razões e o interesse dele naquela vaga e não rejeitá-lo. Hoje em dia ter um bom histórico, escolar e profissional ajuda a montar uma coleção de ‘nãos’ de potenciais empregadores. Se a empresa não pode pagar um salário adequado a qualificação que faça uma proposta de três meses que evolua conforme aquele funcionário for dando resultado para empresa.
A grande questão do momento é como achar a medida certa? Nem de menos e nem demais. Acho que esta medida certa vale não só para quem está estudando, se aprimorando, investindo em si próprio como também para os empregadores, caba a eles também encontrar um ponto de equilíbrio e analisar caso a caso, chamar para uma entrevista, esclarecer as coisas, e não ler um currículo e descartar de imediato por considerar super-qualificado.
Amigos e amigas, se disserem a vocês que são bons demais para um cargo ou função, vai ver que são mesmo.
R.K.A
