Tribuna Cética

Onde estava O "x-men" pelestino? (H.Gil)

121253, 25-Jun-2009 .. Postado em Notícias .. 0 comentários .. Link

Igreja evangélica desaba em Salvador

Apenas a fachada e a parede dos fundos permaneceram em pé. Sete pessoas estavam no local na hora do acidente, mas ninguém se feriu.


  Foto: Arestides Baptista/Agência A Tarde/AE 

Uma igreja evangélica desabou na periferia de Salvador, na manhã desta quarta-feira (24). Ninguém ficou ferido.

O telhado e as paredes laterais caíram, apenas a fachada e a parede dos fundos permanecem em pé.

No momento do acidente, sete voluntários estavam no interior do templo e trabalhavam na troca do piso do local. Um deles percebeu quando uma coluna começou a ruir e todos conseguiram sair a tempo.

Técnicos da Prefeitura devem fazer uma vistoria no local.

 

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1206395-5598,00.html

PS: "X-Men palestino" foi termo retirado das postagens do http://ceticismo.net/, por isso deve ser informado a fonte. =D



Em Portugal... (K.Stumpf)

101032, 1-Apr-2008 .. Postado em Notícias .. 0 comentários .. Link

Ateus criam associação nacional em Janeiro


Cerca de 300 ateus vão criar uma associação nacional para defender o seu pensamento, apologista da liberdade religiosa, mas avesso a todas as Igrejas, que consideram "violentas e falsas".

A oficialização da associação, em Janeiro, surge na sequência da aprovação dos estatutos durante o 3º Encontro Nacional de Ateus, que decorreu no domingo em Coimbra. O grupo tem vindo a formar-se há cinco anos, para debater o pensamento ateísta (que nega a existência de Deus) em encontros e no site www.ateismo.net.

Segundo um dos organizadores, Carlos Esperança, os ateus portugueses "defendem a liberdade religiosa e o direito de se praticar qualquer religião ou até nenhuma". "A religião é uma droga, que contém em si um espírito de violência, demonstrado nos próprios livros ditos sagrados, como a Bíblia ou o Alcorão".

Carlos Esperança critica ainda o Governo português por ter assinado este ano uma nova Concordata com o Vaticano, o que "viola" os princípios de laicismo da Constituição e "prevê certos privilégios para a Igreja Católica". Acrescentou ainda que em Portugal, "país predominantemente católico, os ateus têm receio de se assumir como tal".

Fonte: jn.sapo.pt



Justiça decide sobre outdoors contra homossexuais (K.Stumpf)

130114, 25-Mar-2008 .. Postado em Notícias .. 0 comentários .. Link

Outdoor da Vinacc

    A 1ª Vara Cível da Comarca de Campina Grande, na pessoa da juíza Emília Neiva de Oliveira, decidiu hoje (19), que a Visão Nacional Para a Consciência Cristã (Vinacc) não poderá continuar manifestando mensagens preconceituosas na cidade.

    Segundo a sentença, a entidade religiosa não poderá promover manifestações de cunho preconceituoso nem discriminatório, sob pena de multa diária de R$ 500,00.

    Na sentença, a juíza justificou que a sexualidade é um direito do mesmo modo que a liberdade e a igualdade. Por isso é imperioso reconhecer-se que a sexualidade cabe a cada indivíduo, sendo inadmissível a exclusão social dos homossexuais por preconceito e discriminação. A entidade religiosa ainda pode recorrer da decisão.

    Fonte: ateusdobrasil.com.br



O Mundo se despede de um gênio (K.Stumpf)

111128, 20-Mar-2008 .. Postado em Notícias .. 0 comentários .. Link

  

Faleceu no último dia 18, terça-feira, o escritor britânico de ficção científica Arthur Charles Clarke, autor do conto que deu origem ao filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, morreu aos 90 anos.

    Segundo um assessor, Sir Arthur Charles Clarke morreu devido a problemas cardiorespiratórios. Ele estava em sua casa, no Sri Lanka, onde vivia desde 1956.

    Clarke publicou mais de cem livros, que venderam milhões de cópias.

    Em 1968, seu conto A Sentinela foi transformado no filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, dirigido por Stanley Kubrick.

    As descrições vívidas e detalhadas de naves espaciais e supercomputadores nos livros de Clarke conquistaram milhões de leitores ao redor do mundo.

    Na década de 40, Clarke afirmou que o homem chegaria à lua até o ano 2000, uma idéia considerada absurda na época.

    Muitos creditam ao escritor o mérito de dar uma face mais humana e prática à ficção científica.

    Nascido em Somerset, Clarke era filho de um fazendeiro. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu na Royal Air Force (a Força Aérea Real britânica) em um então projeto ultra-secreto de desenvolvimento de radares.

    "Ele estava à frente de seu tempo de tantas maneiras", disse o astrônomo britânico Sir Patrick Moore, amigo de Clarke desde a adolescência. "Um grande escritor de ficção científica, um ótimo cientista, um grande profeta e um amigo muito querido. Estou muito, muito triste com a sua partida."

    Nos últimos anos, Clarke vivia confinado a uma cadeira de rodas em decorrência da síndrome pós-pólio.

    Seu funeral, a pedido de Sir Arthur, não terá nenhum tipo de ritual religioso. Segundo suas próprias palavras: “Absolutamente nenhum ritual religioso, relacionado a qualquer fé religiosa, deve ser associado ao meu funeral.”

    Clarke já havia dito em uma entrevista que as religiões são “um mal necessário na infância de nossas espécies particulares”. Mas, ele mesmo disse que é hora de sairmos da Infância.

    Em dezembro do ano passado, Clarke listou três desejos para o seu aniversário de 90 anos: que o mundo adotasse fontes de energia limpas, que a paz fosse estabelecida no lugar onde ele vivia, o Sri Lanka, e que fossem apresentadas evidências de seres extraterrestres.

    “Eu sempre acreditei que nós não estamos sozinhos no universo”, disse ele na época, em um discurso para um pequeno grupo de cientistas, astronautas e oficiais, na cidade de Colombo, no Sri Lanka. Os humanos estão à espera de que seres extraterrestres “nos chamem ou nos dêem um sinal”, disse o escritor. “Não temos como adivinhar quando isso vai acontecer. Espero que aconteça antes que seja tarde demais.”

    O bom humor e As Leis de Clarke:

  1. Quando um cientista distinto (renomado) e experiente (de mais idade) diz que algo é possível, ele está quase certamente certo. Quando ele diz que algo é impossível, ele está muito provavelmente errado.

  2. O único caminho para desvendar os limites do possível é aventurar-se além dele, através do impossível.

  3. Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da mágica.

 

Fontes: BBCBrasil.com e ceticismo.wordpress.com



Divulgação de notícia (K.Stumpf)

150305, 18-Mar-2008 .. Postado em Notícias .. 1 comentários .. Link

heller_headshot.jpg Um padre  e cosmólogo polonês que sustenta a possibilidade de comprovar matematicamente a existência de Deus foi o vencedor do mais polpudo prêmio acadêmico do mundo.

E será que ele comprovou matematicamente a não-existência de todos os outros deuses ? Que critérios ele usou para escolher o deus ocidental, e rejeitou Thor, Odin, Zeus, Dionisus, Baal, Osiris, Ra, Bast, Hera, Artemis, Inanna, Set, Poseidon, Hades, Shiva, Brahma, Vishnu, Ganesh, etc….? E quem garante que o deus “matematicamente comprovado” é o deus judeu-cristão ? Ou o deus evangélico, raivoso e cheio de manhas de vingança, além de uma ganância doentia pelo dinheiro terreno ? Ou deus islâmico da guerra e destruição ? E quem me garante que o trabalho dele vai provar alguma coisa ? Nao foi o primeiro a tentar provar a existência desse ser imaginário, e nem será o último..!

O professor Michael Heller, 72, de formação religiosa, com estudos em filosofia e doutorado em cosmologia, receberá em maio, em Londres, o prêmio Templeton, outorgado pela fundação homônima de estudos religiosos sediada em Nova York. O valor da premiação é de 820 mil libras esterlinas (cerca de R$ 2,87 milhões).

Ah, sim… tudo a ver…! De formaçao religiosa…! Com estudos em filosofia…! Um ilustríssimo desconhecido..! Pesquisando no Google Scholar, encontram-se menos de 40 referencias a esse “conhecidíssimo” pesquisador com doutorado em Cosmologia..! A maioria das referencias sobre essa pessoa nao o cita como autor de pesquisas científicas ou trabalhos sérios! Ha pouquíssimas pesquisas realizadas por ele, e a maioria delas refere-se à cosmologia (debates, idéias, teorias, resumos) e álgebra !

Fundação Templeton? Ah, sim… é uma instituição de cunho religioso!! Que só apóia pesquisas que favoreçam a religião, ideologias conservadoras. Já se vê aí um viés de parcialidade…! Ela patrocinou recentemente pesquisas sobre o poder da oração sobre os doentes, anos atrás. E adivinhem ? Os resultados, publicados no American Heart Journal de abril de 2006, foram bem definidos. Não houve diferença entre os pacientes que foram alvo de preces e os que não foram..!!

Pior: a Fundação Templeton apóia o Criaburracionismo! Isso já nos diz muitíssimo sobre a credibilidade dessa instituição! Em tempo… se as provinhas e as historinhas dos crentes evangélicos provassem a existência do amiguinho imaginário deles, estariam todos ricos!! Afinal, qualquer idiota pode dizer “o ar que você respira prova a existência de Deus” ou “olhe a natureza, olhe o céu, olhe o sol. Deus existe.”.

Será que vou ganhar um premio se eu provar que Saci-Perere existe ??

Os trabalhos mais recentes de Heller abordam a questão da origem do universo, debruçando-se sobre aspectos avançados da teoria geral da relatividade, de mecânica quântica e de geometria não-comutativa.

E ninguém ficou sabendo desses trabalhos, não ganhou um Prêmio Nobel, não teve repercussão, e não teve influencia nos rumos da pesquisa científica. Já falei acima: Há pouquíssimos trabalhos publicados, da autoria dele! E querem saber o que é geometria não-comutativa ?

“Ora, sabemos, por exemplo, que 2·3 = 3·2 = 6. Essa é uma propriedade geral satisfeita para quaisquer números reais ou complexos. Dizemos nesse caso que eles comutam. Dois objetos x e y comutam, portanto, quando x·y = y·x. Por outro lado, dizemos que eles não-comutam se x·y não é igual a y·x. Enquanto o que poderiamos chamar de geometria comutativa é algo construído sobre objetos que comutam, a geometria não-comutativa é construída sobre objetos que não comutam.”

Mais detalhes em http://www.ime.unicamp.br/~vaz/geonc.htm

Deve ser muito util para os bibliolatras provarem que Jesus é Deus, mas Deus nao é Jesus, que é o Espirito Santo, mas que por sua vez nao é nenhum dos dois, e assim por diante! 

“Vários processos no universo podem ser caracterizados como uma sucessão de estados, de maneira que o estado anterior é a causa do estado que o sucede”, explicou o próprio Heller em um comunicado divulgado por ocasião do anúncio do prêmio.

Bla-bla… e o que esse fraseado prova ? Parece mais encheção de lingüiça! E cadê o trabalho de Heller, “provando” que esse amiguinho imaginário dos religiosos existe? Alguma referência? Alguma citação ? Algum resumo? Algum press-release? Onde foi publicado? Cadê? Se ele realmente “provou a existência” desse deus imaginário, porque SÓ AGORA ficamos sabendo que ele fez tal coisa, por ocasião de uma premiação de uma instituição de cunho religioso ?

Parece que o trabalho dele não teve muita repercussão… ficou na obscuridade total..!!

Ele rejeitou a idéia de que religião e ciência são contraditórias. “A ciência nos dá o Conhecimento e a religião nos dá o Sentido. Ambos são pré-requisitos para uma existência decente”.

A Bíblia diz que o ouro enferruja. A ciência diz que o ouro não enferruja. A Bíblia diz que ferro flutua na água. A ciência diz que ferro afunda, devido à sua densidade. A Bíblia diz que insetos têm quatro patas. A ciência diz que eles têm seis patas. A Bíblia diz que o valor do Pi é 3. A ciência diz que é 3,1416……….. O Alcorão diz que existem 42 virgens no céu esperando. A ciência diz que não há provas da existência de um paraíso, muito menos de mais de 40 virgens (e quem foi que checou se eram mesmo virgens? Hímens mágicos?). E são vários exemplos de que a Ciência e a Religião são absolutamente contraditórias!! Qual o sentido disso? Preciso de um babalorixá, um pajé, um xamã, um curandeiro, um pastor, um Ayatollah ou padreco para compreender o lado espiritual e passar a ter uma existência decente?

Desde que me conheço por gente, eu tenho uma existência decente… sem precisar de uma religião !!!

“Invariavelmente eu me pergunto como pessoas educadas podem ser tão cegas para não ver que a ciência não faz nada além de explorar a criação de Deus.”

Eu me pergunto como pessoas tão educadas podem ser tão cegas para não ver que a religião não faz nada além de afirmar inúmeras coisas, mas que não consegue provar que são reais ou que existem!!! Até hoje, jamais foi provada a existência de um deus, de um céu, de um inferno, de anjos, de concepção imaculada de adúlteras virgens, da trindade confusa (1 é igual a 3, mas 3 não são 1), do diabo e seu espeto, de um sol que pára de repente, de unicórnios, dragões, mares que se repartem ao meio, gente que anda em cima da água, mortos que ressuscitam, porcos endemoniados, trombetinhas que destróem muros, lanças que furam mais de mil pessoas de uma só vez, de uma criação onde plantas aparecem antes do Sol, ou de dois relatos bíblicos de criação e por aí vai… Quanta fábula, hein…??

Não faz nada além de explorar a invenção de Deus, para enganar a Humanidade e obter vantagens dela. A Ciência é uma luz na escuridão religiosa !!

Aliás, a própria Fundação Templeton admitiu algum tempo atrás que Deus não passava de uma mera hipótese… Tirem suas conclusões. E agradeço a Milady Fátima pela sugestão do tema.

Escrito por André em: ceticismo.wordpress.com



Mais um caso de Pedofilia!!! (K.Stumpf)

170509, 10-Mar-2008 .. Postado em Notícias .. 0 comentários .. Link

Caso de Pedofilia em Rio Grande/RS aumenta minha dúvida:

Até quando as pessoas irão acreditar que doutrinadores são pessoas "puras", sem defeitos e sem maldades?

 

 

 

 

Veja  a reportagem completa: http://ceticismo.wordpress.com/2008/02/19/mais-um-padre-tarado/#more-1673

 



Religião é obstáculo à união política européia (K.Stumpf)

160441, 10-Mar-2008 .. Postado em Notícias .. 0 comentários .. Link

EUROPA - Apesar de todos os discursos grandiosos a respeito da unidade política durante a assinatura da primeira constituição da União Européia, em Roma, em 29 de outubro, foi uma estátua de bronze que acabou ilustrando a atual crise de identidade vivida pelo bloco.

Uma estátua do papa Inocêncio X pairava sobre os 25 líderes da União Européia enquanto estes assinavam uma constituição que não menciona as raízes cristãs do continente. Os apelos repetidos do Vaticano para que a união não procedesse dessa forma não tiveram sucesso, e até mesmo a mão da estátua do papa, feita no século 17, parecia estar estendida em um apelo congelado e fútil.

Em vez disso, a estátua foi uma lembrança do passado espiritual europeu neste momento no qual vários críticos conservadores se queixam de que o secularismo está saindo do controle. As suas suspeitas foram reforçadas quando um ministro católico italiano retirou a sua candidatura para um posto na Comissão Européia, após ser criticado por afirmar que o homossexualismo é um pecado e que as mulheres que se casam e ficam em casa têm uma vida melhor.

Agora, um debate em torno de questões sociais tomou conta da União Européia e acrescentou uma dose de tempero àquilo que é tido freqüentemente como uma tecnocracia insípida. Alguns comentaristas dizem esperar que isso estimule mais pessoas a se interessar pelas políticas da União Européia.

"É mais fácil para o cidadão comum se preocupar com religião e valores do que com questões econômicas técnicas", diz Luca Diotallevi, sociólogo da Universidade de Roma que estudou o papel dos valores sociais e da religião na Europa. "É possível que isso gere mais interesse pela União Européia".

Um forte secularismo tem dominado o discurso político europeu desde que o Tratado de Roma original foi assinado em 1957, criando a Comunidade Econômica Européia, uma entidade precursora da União Européia.

Devido ao fato de os pioneiros da união serem católicos que acreditavam que as raízes comuns do continente iam além das fronteiras nacionais, o Vaticano há muito apóia a experiência.

"A Santa Sé sempre apoiou a promoção de uma Europa unida com base naqueles valores que são parte da sua história", disse o papa João Paulo II após assinar a constituição. "Levar em conta as raízes cristãs do continente significa utilizar uma herança espiritual que continua sendo fundamental para os futuros desdobramentos da união".

As negociações a respeito da constituição incluíam uma acalorada polêmica sobre se as raízes cristãs européias deveriam ser reconhecidas no documento, embora, no final, os oponentes tenham prevalecido.

"O Parlamento Europeu teria provavelmente rejeitado Bush, mas o povo norte-americano, ao contrário, votou nele", disse na quarta-feira Rocco Buttiglione, o ministro italiano obrigado a renunciar por não ter obtido o apoio do Parlamento. "Os Estados Unidos demonstraram ser mais religiosos e mais atentos para com os seus valores do que a Europa".

Buttiglione se tornou uma espécie de ícone para os católicos conservadores que alegam que um secularismo estrito está prejudicando a Europa.

Embora alguns analistas políticos europeus advirtam que a batalha envolvendo Buttiglione e a constituição européia possa minar o apoio da Igreja Católica à União Européia, outros, como Diotallevi, enxergam um raio de esperança.

"O fato é positivo", afirma Diotallevi. "Começamos a discutir coisas que há muito tempo têm sido tomadas como verdades absolutas. A religião era uma questão na qual não podíamos tocar - e agora estamos começando a discuti-la. Não estamos no saindo muito bem nessa tarefa, mas ela está apenas no início".



Um projeto de lei absurdo (K.Stumpf)

140246, 7-Mar-2008 .. Postado em Notícias .. 0 comentários .. Link

Humor, religião e terror

Reportagem de Ivan Lessa, www.bbc.co.uk

    Na segunda-feira, dia 15, o ministro do Interior da Grã-Bretanha, David Blunkett, apresentou ao parlamento o seu projeto de lei destinado a tornar crime punido por lei o chamado "incitamento ao ódio religioso".

        O projeto veio em meio a um pacote de propostas que tem o objetivo de combater o terrorismo.

        A ofensa poderá levar a um máximo de sete anos de cadeia e foi introduzida a pedido de diversos líderes religiosos tendo em vista proteger grupos vulneráveis no decorrer do atual conflito. Trata-se de projeto, para dizer o mínimo, controvertido.

       Hoje, quarta-feira, entre as tradicionais e mui honradas cartas para o jornal The Times, lá está, no mesmo espaço das outras, uma assinada por Rowan Atkinson, muito popular na Inglaterra e nos Estados Unidos, e também no Brasil, quero crer, por uma de suas criações, o Mr. Bean.

       Rowan Atkinson se diz porta-voz de um grupo de comediantes, artistas satíricos e advogados que se encontram, segundo ele, perplexos diante da possibilidade de piada religiosa virar crime.
 
       Atkinson acrescenta que passou uma boa parte de sua vida parodiando figuras religiosas que fazem parte de sua criação como cristão. Ele diz que não deve haver qualquer assunto proibido ao humorista, inclusive a religião, sendo que o juiz final só pode ser a platéia.

        Rowan Atkinson, cujo melhor humor, ao menos na minha opinião, é bem mais cortante que Mr. Bean, se dá ao trabalho de, na carta, descrever um sketch que ele criou para um programa de televisão há alguns anos.

        Seguinte: uma porção de muçulmanos orando, na posição tradicional, e alguém perguntando, "Então, acharam a lente de contato do aiatolá?". Lembre-se que, na época, o líder religioso em questão era o temível Khomeini.

        Em outro trecho da carta, Atkinson pergunta se, com a nova legislação prevista, haveria alguma possibilidade de se produzir e exibir o filme "A Vida de Bryan", uma sátira impagável aos filmes sobre Jesus Cristo - conforme juraram na época os responsáveis, a turma do Monty Python.

        A carta virou notícia. Espera-se agora que o projeto não vire lei.



A decisão só pode ser uma (K.Stumpf)

130142, 4-Mar-2008 .. Postado em Notícias .. 2 comentários .. Link

     O mais antigo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, está certo ao considerar o processo que começará a ser julgado ali amanhã ''''o mais importante de toda a história'''' da Corte, porque, argumenta, será uma deliberação sobre o direito à vida. Mas pode-se explicar de outras formas, quem sabe mais apropriadas, a importância excepcional desse julgamento. Para o relator da ação sobre a qual o Supremo vai se pronunciar, Carlos Ayres Britto, por exemplo, o que está em tela de juízo é um confronto entre ciência e religião - ou, pelo menos, entre ciência e religião católica. Uma terceira formulação, no entanto, talvez seja a mais cabal: o STF está na iminência de fazer história porque foi chamado a se pronunciar, em derradeira análise, sobre a separação constitucional entre Igreja e Estado no Brasil.

            A matéria sub judice é o artigo 5º da Lei de Biossegurança, de 2005, que autoriza, sob condições as mais estritas, as pesquisas para fins terapêuticos com células-tronco, ou pluripotentes, extraídas de embriões humanos. Essas células são assim chamadas por sua propriedade de se transformar em qualquer das células especializadas que formam os diferentes tecidos do corpo. Exatamente por isso, tais células, implantadas no organismo, poderiam desempenhar as funções daquelas outras que ou nunca puderam fazê-lo, por má formação, ou perderam a capacidade para tanto, por terem falido. Desse modo, inúmeras doenças incuráveis e devastadoras, como diabetes, mal de Parkinson, Alzheimer e distrofia muscular - para citar apenas um punhado das que atacam milhões de adultos e crianças -, poderiam ser tratadas com mais sucesso do que até agora.

              Saudadas pela maioria absoluta dos estudiosos do mundo inteiro como a descoberta mais promissora das ciências biomédicas, as pesquisas com células-tronco, extraídas de embriões nos primeiríssimos estágios de sua formação, são permitidas em países culturalmente tão distintos entre si como Espanha, Finlândia, Japão, Israel e Reino Unido. A grande exceção, como se sabe, são os Estados Unidos, onde o poder político do fundamentalismo religioso, no governo Bush, chegou a níveis sem paralelo nas sociedades desenvolvidas da atualidade. E foi por inequívoca motivação religiosa, apesar dos seus desmentidos, que o então procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, entrou no Supremo, em maio de 2005, com uma ação direta de inconstitucionalidade contra os dispositivos da Lei de Biossegurança que tratam das células-tronco.

               A sua tese é um sofisma. Invocando o princípio constitucional da defesa da vida e sustentando que as pesquisas com células embrionárias destroem vidas humanas, pede que sejam banidas. Primeiro, a lei só liberou os estudos e as terapias do gênero com embriões descartados, por inviáveis, nas clínicas de reprodução assistida ou congelados há no mínimo três anos. (Permitida no exterior, a clonagem terapêutica, obtenção de células-tronco a partir de outros tipos de embriões, é expressamente proibida na lei brasileira.) Ora, observam os cientistas, um embrião sem nenhuma chance de ser implantado em um útero, cujo destino inexorável, portanto, é o lixo, ou um embrião congelado, que aos genitores não mais interessa implantar, em hipótese alguma poderia ser considerado vida, ou vida em potencial.

             Aliás, mesmo no útero, na reprodução natural, a implantação do embrião só ocorre a partir do 6º dia - e os biólogos trabalham com aglomerados celulares (blastocistos) de até 5 dias. Segundo - e mais importante ainda -, é a Igreja, não a Constituição, que estabelece que a vida se inicia no ato da concepção. Muitos dos mais respeitados cientistas pensam que, nos organismos complexos, a vida começa quando começa a atividade cerebral e termina quando ela cessa. Para outros, a vida humana, diferentemente da vida em geral, começa com a autoconsciência e se extingue quando ela se perde. De todo modo, a equação posta diante do STF é outra: não lhe compete definir o que é vida, mas decidir se as leis (que valem para todos), se o Estado (laico) e se a sociedade (com os seus adeptos de diversos credos, os seus agnósticos e ateus) devem se pautar pelo que determinada religião entende ser o início da vida. A decisão só pode ser uma.

Fonte: www.estadao.com.br em 4/3/2008.



Entrevista com o cientista Richard Dawkins (K.Stumpf)

150316, 18-Feb-2008 .. Postado em Notícias .. 1 comentários .. Link

O Channel 4 do Reino Unido fez uma série de entrevistas de meia hora em 1994 chamada The Vision Thing. Várias pessoas com diferentes crenças foram entrevistadas por Sheena McDonald, uma respeitada jornalista de TV. O único ponto de vista Ateísta foi posto por Richard Dawkins em 15 de Agosto de 1994.

(Introdução de McDonald)

Imagine nenhuma religião! Até não-crentes reconhecem o valor chocante da letra de John Lennon. Um universo sem deus ainda é uma idéia chocante na maioria das partes do mundo. Mas um zoólogo Inglês que faz uma cruzada por sua visão de um mundo da verdade, um mundo sem religião, que ele diz ser a inimiga da verdade, um mundo que entende o verdadeiro significado da vida. Ele chama a si mesmo um fanático científico. Em Londres eu me encontrei com Richard Dawkins.

(McDonald)

Richard Dawkins, você tem uma visão do mundo - esse mundo livre de mentiras, não as pequenas mentiras com que nos protegemos, mas o que você vê como a grande mentira, que é que deus ou algum criador onipotente fez e observa o mundo. Agora, muitas pessoas estão procurando um significado no mundo, muitos deles acharam através da fé. Então o que é atrativo no seu mundo sem deus, o que é belo - porque alguém iria querer viver no seu mundo?

(Dawkins)

O mundo e o universo são lugares extremamente belos, e quanto mais nós compreendemos sobre eles mais belos eles parecem. É uma experiência imensamente excitante ter nascido no mundo, nascido no universo, olhar em volta de você e perceber que antes de morrer você têm a oportunidade de compreender uma imensa quantidade de coisas sobre este mundo, sobre este universo, sobre a vida e sobre por que estamos aqui. Nós temos a oportunidade de compreender bem, bem mais do que qualquer um de nossos predecessores jamais tiveram. Está é uma oportunidade excitante, seria uma lástima soprar isso e terminar sua vida não tendo compreendido o que há para compreender.

(McDonald)

Certo, bem, vamos maximizar essa oportunidade. Pinte o mundo, descreva a oportunidade que muitos de nós - você irá provavelmente dizer a maioria de nós - não estamos explorando para apreciar o mundo e para compreender o mundo.

(Dawkins)

Bem, suponha que você olhe para um animal tal como um humano ou um ouriço ou um morcego, e você realmente quer saber como ele funciona. O jeito científico de compreender como ele funciona seria tratar ele como um engenheiro trataria uma máquina. Então se um engenheiro fosse empunhado com essa câmera de televisão esse engenheiro iria pegar uma chave de fenda, dividir a câmera em pedaços, talvez tentar fazer um diagrama de circuitos e tentar descobrir o que essa coisa fazia, para que servia, iria explicar o funcionamento da máquina toda em termos de pedaços, em termos de partes.

Então o engenheiro iria provavelmente querer saber como ela veio parar onde estava, qual a história dela - ela foi montada em uma fábrica? Foi apenas um tipo de repentina montagem espontânea? Agora esses são os tipos de perguntas que um cientista faria sobre um morcego ou um ouriço ou um humano, e nós temos um grande caminho a percorrer, mas uma grande quantidade de progresso foi feita. Nós realmente compreendemos muito sobre como funcionamos nós, ratos e pombos.

Eu falei apenas do mecanismo de uma coisa viva. Há um outro conjunto completo de perguntas sobre a história das coisas vivas, porque cada coisa viva veio ao mundo através de nascimento ou incubação, então você tem que perguntar, de onde essa estrutura veio? Veio imensamente dos seus genes. De onde os genes vieram? Dos pais, dos avós, dos bisavós. Você volta através da história, voltando através de incontáveis gerações da história, através de ancestrais peixes, através de ancestrais parecidos com minhocas, através de ancestrais parecidos com protozoários, até ancestrais parecidos com bactérias.

(McDonald)

Mas o ponto final desse processo seria simplesmente uma compreensão do mundo físico.

(Dawkins)

O que mais há?

(McDonald)

Mas para aceitar a sua visão, tem-se que rejeitar o que muitas pessoas suportam com muito carinho e proximidade, que é a fé. Agora, por que a fé, por que a fé religiosa é incompatível com a sua visão?

(Dawkins)

Bem, fé como eu compreendo - você não se importaria em usar a palavra fé a não ser que ela estivesse em contraste com outros meios de saber algo. Então fé para mim significa saber algo apenas porque você sabe que é verdade, ao invés de porque você viu alguma evidência que isso é verdade.

(McDonald)

Mas se eu disser que eu acredito em deus, você não pode provar a não existência de deus.

(Dawkins)

Não, e a virtude de usar evidência é precisamente que nós podemos chegar a um consenso sobre isso. Mas se você escuta duas pessoas que estão argumentando sobre algo, e cada uma delas têm uma fé passional que elas estão certas, mas elas acreditam em coisas diferentes - elas pertencem à religiões diferentes, fés diferentes, não há nada que elas possam fazer para acabar com sua discordância antes de uma atirar na outra, e é realmente o que elas fazem muito freqüentemente.

(McDonald)

Se a religião é um obstáculo para a compreensão do que você está dizendo, porque ela está errando?

(Dawkins)

Um criador que criou o universo ou estabeleceu as leis da física e então a vida teria evoluído ou quem realmente supervisou a evolução da vida, ou algo parecido com isso, teria tido que ser algum tipo de superinteligência, algum tipo de megamente. Essa megamente teria que estar presente bem no começo do universo. Toda mensagem da evolução é que complexidade e inteligência e todas as coisas que viriam com ser uma força criativa vem depois, elas vem como uma conseqüência de milhões de anos de seleção natural. Não havia inteligência cedo no universo. A inteligência surgiu, ela surgiu aqui, talvez ela tenha surgido em muitos outros lugares nesse universo. Talvez em algum lugar em alguma outra galáxia haja uma superinteligência tão colossal que do nosso ponto de vista ela iria parecer ser um deus. Mas ela não pode ser o tipo de deus que nós precisamos para explicar a origem do universo, porque ela não pode ter estado ali tão cedo.

(McDonald)

Então a religião está vendendo uma mentira fundamental.

(Dawkins)

Bem, eu penso que é sim.

(McDonald)

E não há possibilidade de haver algo além do nosso conhecimento, além da sua habilidade como um cientista, zoólogo, para [...]

(Dawkins)

Não, isso é bem diferente. Eu penso que existem todas as possibilidades que haja algo além do nosso conhecimento. Tudo o que eu disse é que eu não penso que haja alguma inteligência ou alguma criatividade ou algum propósito antes dos primeiros cem milhões de anos de existência do universo. Então eu não penso que seja útil equiparar o que não compreendemos com deus em qualquer sentido que já é compreendido nas religiões existentes.

Os deuses que já são compreendidos nas religiões existentes estão todos minuciosamente documentados. Eles fazem coisas como perdoar pecados ou engravidar virgens, e eles fazem todo tipo de coisas humanas, bem ordinárias e mundanas. Isso não tem nada a ver com as profundas dificuldades que a ciência deve ainda encarar na compreensão dos profundos problemas do universo.

(McDonald)

Agora muitas pessoas encontram um grande conforto da religião. Nem todo mundo é como você é - bem favorecido, bonito, rico, com um bom trabalho, vida familiar feliz. Quero dizer, sua vida é boa - nem todo mundo têm uma vida boa, e a religião os trás conforto.

(Dawkins)

Existem vários tipos de coisas que seriam confortantes. Eu suponho que uma injeção de morfina seria confortante - ela pode ser mais confortante, pelo que sei. Mas dizer que algo é confortante não é dizer que é algo verdadeiro.

(McDonald)

Você rejeitou a religião, e você escreveu sobre ela e colocou suas próprias respostas sobre as questões fundamentais da vida, que são - bem toscamente, que nós e os ouriços e os morcegos e as árvores e os calangos somos guiados por replicadores genéticos e não-genéticos. Agora instantaneamente eu quero saber, o que isso significa?

(Dawkins)

Replicadores são coisas que têm cópias feitas de si mesmos. É uma coisa muito, muito poderosa - é difícil perceber que coisa poderosa foi quando a primeira entidade auto-replicante apareceu no mundo. Hoje em dia as mais importantes entidades auto-replicantes que conhecemos são as moléculas de DNA, as originais provavelmente não eram moléculas de DNA, mas elas fizeram algo similar. Uma vez que você têm entidades auto-replicantes - coisas que fazem cópias de si mesmas - você têm uma população delas.

(McDonald)

Nessa descrição crua do que nos faz - o que nos faz sermos nós? Nós somos nada mais que coleções de genes herdados cada um lutando para fazer seu caminho pela sobrevivência do mais adaptado.

(Dawkins)

Sim, se você me pedir para dizer como um poeta, como eu reajo à idéia de ser um veículo para o DNA? Não soa muito romântico, não é? Não soa como o tipo de visão da vida que um poeta iria ter; e eu estou bem feliz, pronto para admitir que quando eu não estou pensando sobre ciência eu estou pensando de uma forma bem diferente.

É uma idéia muito útil dizer que nós somos veículos para o nosso DNA, nós somos hospedeiros para os parasitas DNA que são nossos genes. Essas são boas idéias que nos ajudam a compreender um aspecto da vida. Mas é emotivo dizer, isso é tudo o que há, nós podemos muito bem desistir de ir ver peças de Shakespeare e desistir de ouvir música e coisas, porque isso não têm nada a ver com isso. Esse é um assunto completamente diferente.

(McDonald)

Vamos falar sobre escutar música e ver peças de Shakespeare. Agora, você cunhou uma palavra para descrever todas essas atividades variadas que não são geneticamente guiadas, e essa palavra é 'meme' e novamente isso é um processo replicante.

(Dawkins)

Sim, essas são entidades culturais que replicam meio que do mesmo jeito que o DNA faz. A disseminação do hábito de usar um boné de baseball virado para trás é algo que se espalhou pelo mundo Ocidental como uma epidemia. É como uma epidemia de varíola. Você poderia realmente fazer epidemiologia no boné para trás. Ela sobe até um pico, platôs e eu sinceramente espero que ela morra logo.

(McDonald)

E sobre votação de Trabalho?

(Dawkins)

Bem, você pode fazer - uma pessoa pode levar mais coisas a sério como isso. De certa forma, eu prefiro não entrar nisso, porque eu penso que existem melhores razões para votar Trabalho do que apenas a imitação escravizante do que outras pessoas fazem. Usar um boné de baseball para trás - até onde sei, não há nenhuma boa razão para isso.

Uma pessoa faz isso porque vê um amigo fazê-lo, e ela pensa que parece legal, e é só isso. Então isso realmente é como uma epidemia de sarampo, isso realmente se espalha de cérebro para cérebro como um vírus.

(McDonald)

Então intenções de voto você não poria nessa classe. E sobre as práticas religiosas?

(Dawkins)

Bem, esse é um exemplo melhor. Ela não se espalha, no todo, de um jeito horizontal, como uma epidemia de sarampo. Ela se espalha de um jeito vertical gerações a baixo. Mas esse tipo de coisa, eu penso, se espalha gerações a baixo porque as crianças de uma certa idade são muito vulneráveis à sugestão.

Elas tendem a acreditar no que dizem a elas, e existem razões muito boas para isso. É fácil ver em uma explicação Darwiniana porque as crianças devem estar equipadas com cérebros que acreditam no que os adultos dizem à elas. Apesar de tudo, elas têm que aprender uma linguagem, e aprender muito mais dos adultos. Porque elas não iriam acreditar se dizem à elas que elas devem rezar de um certo jeito? Mas em particular - vamos refrasear isso - se dizem à elas para não apenas fazer elas têm que se comportar de um certo jeito, mas quanto elas crescem é dever delas passar a mesma mensagem para as suas crianças.

Agora, uma vez que você têm essa pequena receita, isso realmente é uma receita para passar adiante gerações abaixo. Não importa quão boba é a instrução original, se você dissé-la com convicção suficiente para crianças jovens e crédulas o suficiente de modo que quando elas cresçam elas irão passá-la para as crianças delas, então ela irá passar e irá se espalhar e isso pode ser a explicação suficiente.

(McDonald)

Mas a religião é um meme muito bem sucedido. Quero dizer, na sua própria estrutura os genes que sobrevivem - os com os genes mais egoístas e bem sucedidos presumivelmente têm algum mérito. Agora se a religião é um meme que sobreviveu por milhares e milhares de anos, é possível que haja algum mérito intrínseco nela?

(Dawkins)

Sim, há um mérito nela. Se você fizer a pergunta, porque qualquer entidade replicante sobrevive através dos anos e das gerações, é porque ela têm mérito. Mas mérito para um replicador apenas significa que ele é bom em se replicar.

O vírus da raiva têm um considerável mérito, e o vírus da AIDS tem um mérito enorme. Essas coisas se espalham com muito sucesso, e a seleção natural pôs neles métodos extremamente efetivos de se espalhar. No caso do vírus da raiva ele causa espumação na boca de suas vítimas, e o vírus é espalhado na saliva. Ele as faz morderem e se tornarem extremamente agressivas, então elas tendem a morder outros animais, e a saliva entra nelas e ele passa adiante. Esse é um vírus muito, muito bem sucedido. Ele tem um mérito muito considerável.

De certa forma toda a mensagem do meme e do gene é que o mérito é definido como em bom ser espalhado afora, bom em auto-replicação. Isso é claro muito diferente do mérito como nós humanos podemos julgar.

(McDonald)

Você escolheu uma analogia para a religião que muitos iriam achar um tanto dolorosa - que é como um vírus da AIDS, como um vírus da raiva.

(Dawkins)

Eu penso que é uma analogia muito boa. Sinto muito se é dolorosa. Eu estou tentando explicar porque essas coisas se espalham; e eu acho que é como uma carta-corrente. É o mesmo tipo de pau e cenoura. Não é, provavelmente, deliberadamente intencional.

Eu poderia escrever num pedaço de papel "Faça duas cópias desse papel e passe-as a amigos". Eu poderia dar à você. Você iria lê-lo e fazer duas cópias e passá-las, e eles fariam 2 cópias e se tornariam 4 cópias, 8, 16 cópias. Logo logo o mundo inteiro estaria atolado em papel. Mas é claro que tem de haver algum tipo de estimulo, então eu iria ter que adicionar algo como isso "Se você não fizer 2 cópias desse pedaço de papel e passá-las, você irá ter azar, ou você irá para o inferno, ou alguma terrível desgraça irá cair sobre você".

Eu penso que se nós começarmos com uma carta corrente e então digamos, bem, o princípio da carta-corrente é muito simples em si mesmo, mas se nós tipo que construirmos sobre o princípio da carta corrente e olharmos sobre mais e mais estímulos sofisticados para passar a mensagem, nós deveremos ter uma explicação bem sucedida.

(McDonald)

Mas isso é tudo que isso pode ser, quero dizer, estímulos sofisticados ou ameaças. Eu estava apenas incomodada que um meme bem sucedido pode invocar algo que ainda não foi encontrado no seu universo pelos seus métodos.

(Dawkins)

Os estímulos sofisticados podem incluir a Massa B Menor e a Paixão de São Matias. Quero dizer, elas são coisas muito boas. Elas são muito sofisticadas e muito, muito belas - janelas com vitrais, Catedral Chartres, elas funcionam e não há surpresa que funcionem. Quero dizer elas são muito bem feitas, muito bem fabricadas.

Mas eu penso que o que você está perguntando é, o sucesso de uma religião séculos afora implica que deve haver alguma verdade em suas afirmações? Eu não penso que isso é necessário, porque eu penso que existem muitas outras boas explicações que fazem um serviço melhor.

(McDonald)

Você se irrita que pessoas achem mais prazer e inspiração em Chartres ou Beethoven ou de fato grandes mesquitas do que elas acham na anatomia de um lagarto?

(Dawkins)

Não, nem tanto. Quero dizer, eu penso que são grandes experiências artísticas - eu não quero diminuí-las de forma alguma. Eu penso que elas são experiências muito, muito grandes, e a compreensão científica está a par com elas.

(McDonald)

E mesmo assim, esses grandes realizações artísticas foram impelidas por mentiras.

(Dawkins)

Apenas pense quão maior elas seriam se tivessem sido impelidas pela verdade.

(McDonald)

Mas a anatomia de um lagarto pode provocar uma grande sinfonia de coral?

(Dawkins)

Ao chamar isso de a anatomia de um lagarto, você, como aconteceu, brinca para conseguir gargalhadas. Mas se você pôr isso de um outro jeito - digamos, o tempo geológico ou a evolução da vida na terra, poderiam ser a inspiração para uma grande sinfonia? Bem, claro, poderiam. É difícil imaginar uma inspiração mais colossal para uma grande peça musical ou poética do que 2 bilhões de anos de mudança evolucionária lenta e gradual.

(McDonald)

Mas no fundo, não há sentido além da celebração pessoal de cada vida, tão quanto você é capaz. Nós esperamos não nascer em uma fila faminta na África central. Mas isso não é suficiente para as pessoas. Elas querem [...]

(Dawkins)

Olhe, pode não ser [...]

(McDonald)

Mas obstinado, você diz [...]

(Dawkins)

Obstinado, sim. Eu não quero parecer insensível. Quero dizer, mesmo se eu não tivesse nada a oferecer, isso não importa, porque isso não quer dizer que o que qualquer outro tem a oferecer portanto tem de ser verdadeiro.

(McDonald)

De fato, mas você se importa sobre isso.

(Dawkins)

Sim, eu quero oferecer algo. Eu apenas quis dar um preâmbulo ao ponto que pode haver um vácuo que é deixado. Se a religião se vai, pode muito bem haver um vácuo em meios importantes na psicologia das pessoas, na felicidade das pessoas, e eu não afirmo ser capaz de preencher esse vácuo, e que não é o que eu quero afirmar ser capaz de fazer. Eu quero descobrir o que é verdade.

Agora, quanto ao que eu posso ter a oferecer, eu tentei exprimir a excitação, o estímulo de ter uma figura tão completa quanto possível do mundo e do universo no qual você vive. Você tem o poder de fazer um modelo muito bom do universo no qual você vive. Será temporário, você vai morrer, mas seria o melhor jeito que você poderia gastar seu tempo no universo, entender porque você está aqui e pôr um modelo tão preciso quanto possível do universo dentro da sua cabeça. Isso é o que eu gostaria de encorajar as pessoas a tentar fazer. Eu penso que isso é uma coisa imensamente satisfatória a fazer.

(McDonald)

E esse será um mundo melhor?

(Dawkins)

Isso será certamente um mundo mais verdadeiro. Quero dizer, as pessoas teriam uma visão mais verdadeira do mundo. Eu penso que provavelmente seria um mundo melhor. Eu penso que as pessoas estariam menos prontas para lutar umas com as outras porque muitas das motivações para lutar teriam sido removidas. Eu penso que seria um mundo melhor. Seria um mundo melhor no sentido que as pessoas estariam mais satisfeitas em ter uma compreensão apropriada do mundo ao invés de uma compreensão supersticiosa.

(McDonald)

Então aqui estamos nós, no seu mundo mais verdadeiro - exceto que não estamos, porque pelas razões da credulidade juvenil você sugeriu que o meme da religião irá continuar se replicando pelo mundo. Para sempre, ou nós iremos algum dia vir ao seu mundo?

(Dawkins)

Eu suspeito que por um tempo muito longo. Eu não sei se "para sempre", seja lá o que o "para sempre" for. Quero dizer, eu penso que a religião tem um tempo terrivelmente longo para ir ainda, certamente em algumas partes do mundo. Eu acho que isso é uma prospectiva um tanto quanto depressiva, mas é provavelmente verdade.

(McDonald)

Não seria porque de certo modo, você mesmo disse, o que você tem a dizer pode não preencher o vácuo que seria deixado se a religião fosse descartada?

(Dawkins)

Eu não sinto nenhum vácuo. Quero dizer, eu me sinto muito feliz, muito satisfeito. Eu amo a minha vida e eu amo todos os tipos de aspectos dela que não têm nada a ver com a minha ciência. Então eu não tenho um vácuo. Eu não me sinto frio e desolado. Eu não penso que o mundo é um lugar frio e desolado. Eu penso que o mundo é um lugar amável e amigável e eu gosto de estar nele.

(McDonald)

Você pensa sobre a morte?

(Dawkins)

Sim. Quero dizer, é algo que vai acontecer com todos nós e [...]

(McDonald)

Como você se prepara para a morte em um mundo onde não há um deus?

(Dawkins)

Você se prepara para isso ao encarar a verdade, que é que a vida é o que nós temos e então é melhor nós vivermos nossa vida ao máximo enquanto nós a temos, porque não há nada após ela. Nós somos acidentes muito sortudos ou pelo menos cada um de nós é - se nós não estivéssemos aqui, alguma outra pessoa estaria. Eu pego tudo isso para reforçar a minha visão que eu sou fantasticamente sortudo em estar aqui e você também, e nós devemos usar nosso tempo breve na luz do sol ao efeito máximo tentando entender as coisas e ter uma visão tão cheia do mundo e da vida quanto nossos cérebros nos permitem ter, que é bem cheia.

(McDonald)

E esse é o primeiro dever, direito, responsabilidade, prazer de homem e mulher. Os cristãos iriam dizer "ame deus, ame seu vizinho". Você iria dizer "tente compreender".

(Dawkins)

Bem, eu não desejaria diminuir o ame seu vizinho. Seria um tanto quanto triste se nós não fizermos isso. Mas, tendo concordado que nós devemos amar nosso vizinho e todas as outras coisas que estão adotadas por essa pequenina frase, eu penso que, sim, compreender, compreender é um mandamento muito bom.

(Fim da Entrevista)

Sheena McDonald se vira para a câmera: Richard Dawkins celebra a vida antes da morte com um entusiasmo contagiante. Ele rejeita a vida após a morte com - para muitos - um entusiasmo desconfortável. Ao fazer isso ele mostra a coragem de um verdadeiro entusiasta zeloso, ao pregar na face da resistência contínua de um universo sem deuses. Falta ser visto aonde o meme Dawkins, sua visão de verdade, irá se replicar com o sucesso que os profetas, padres, papas e gurus têm desfrutado.

Sugestão de leitura: Deus, um delírio - do autor Richard Dawkins



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