Tribuna Cética

Devaneios de final de ano...

150323, 18-Dec-2009 .. Postado em Artigos da Tribuna Cética .. 2 comentários .. Link

Embora eu não canse de afirmar que o grau de crença ou religiosidade de uma pessoa é inversamente proporcional ao seu nível intelectual, sei que essa é uma afirmação que não pode, nem deve ser generalizada. Ao longo do tempo já conheci pessoas com um nível cultural excelente, mas que demonstram ser completamente leigos em outras áreas, até aí não há nada de errado, pois, afinal de contas ninguém tem a obrigação de saber tudo.

Contudo, essa semana ainda após ver o caso daquela criança que o padrasto junto com mais duas mulheres enfiou mais de 30 agulhas no corpo do infante, e isso motivado por crenças e orientações religiosas, me fez relembrar que a religião sempre irá exercer influência nas pessoas que a seguem, na grande maioria das vezes isso não resulta em problema algum, todavia, em pessoas cujo grau de discernimento é precário, isso pode acabar terminando como no caso dessa criança.

Como dito anteriormente, após isso, relembrei que havia um texto que li já faz algum tempo, a qual um promotor de justiça esboçava algumas linhas tratando do problema da fome, o título do seu texto é “A verdadeira causa da fome”, pois bem, primeiramente é preciso que eu explique que considero os promotores de justiça assim como outras tantas profissões, uma função a qual exige um grande conhecimento do indivíduo, primeiro por requerer um curso superior, segundo por exigir muita dedicação e estudo para conseguir passar no concurso, enfim de praxe todos que ascendem ao cargo de promotor de justiça tem uma visão crítica aguçada.

Todavia, foi grande a minha surpresa ao me deparar com o texto do referido representante do Ministério Público, ante a quantidade de equívocos existentes. Cumpre ressaltar que não estou concluindo tratar-se o referido promotor de um energúmeno, com efeito o saber jurídico dele deve preponderar ao meu, o que já demanda respeito de minha parte, não obstante, ainda é de se espantar que uma pessoa com esse grau de educação, de discernimento, de perspicácia acredite realmente no texto que redigiu.

Fica então aquela preocupação, se as pessoas com pouca capacidade cognitiva e intelectual, quando “cegados” por uma crença são capazes de atos horrendos como os praticados contra a referida criança, o que poderia ocorrer, se essa mesma crença acabasse distorcendo a visão de pessoas cuja inteligência (ao menos em parte) é considerada como de destaque, e ainda que dispõem de certo poder em suas mãos?

Depois disso, segue o referido texto com as críticas que julgo ser válidas...




A verdadeira causa da fome1

Há poucos dias a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) divulgou dados assustadores em relação à fome no mundo. Relatório dessa organização indicou que em 2009 mais de um bilhão de pessoas passarão fome. Esse número equivale à sexta parte da população mundial (estimada em seis bilhões de habitantes). Segundo a mesma FAO, em 2008 eram cerca de 915 milhões os que passavam fome.

Especialistas afirmam que a causa desse aumento assombroso do número de famintos é a tão propalada “crise econômica mundial”. Mas isso não é verdade. A razão dessa tragédia está exclusivamente na decadência eticoespiritual do ser humano.

Pausa: Decadência eticoespiritual? Acho que o buraco é mais embaixo...

Isso porque o dinheiro e os produtos alimentícios não evaporaram, nem foram para outro planeta; todas as riquezas naturais e artificiais continuam entre nós. Ocorre que a cada dia os mais ricos, sem qualquer escrúpulo, se apossam de riquezas que não lhes pertencem, que são das outras pessoas

Apossar-se de coisa que não lhe pertence (alheia), é a conduta tipificada (descrita) no crime de furto, previsto no artigo 155 do Código Penal Brasileiro, dessa forma afirmar que “os mais ricos” furtam as outras pessoas a cada dia é supor que todas as pessoas que obtiveram sucesso em sua vida no quesito financeiro agem de má fé, furtando coisa de outrem, me parece uma conclusão um tanto quanto equivocada para não usar outra palavra..

acumulando demais para si em detrimento da própria vida dos mais fracos.

É isso que dá ler muitos Marx e Engels, se o socialismo não deu certo, a extinta União Soviética, sendo que a China já o flexibilizou, sendo apenas Cuba um remascente e não se sabe por quanto tempo, a solução ou melhor o problema não provem de uma única fonte, sendo a forma capitalista a gande vilã.

O pior é que a prática diabólica da ganância é incentivada pelos governos do mundo inteiro, até mesmo pelos que se dizem adeptos do cristianismo, que prega o amor como principal mandamento.

Pronto agora ficou claro, é uma cruza de (socialismo+esquerdismo+religião), ou seja, os que trabalham, os que buscaram qualificação e ESTUDO é que são ruins, e dominam os pobres coitados semelhantes. Parece que esse cara nunca leu a bíblia para ver como o Cristianismo prega o amor... Enorme amor esse... tanto que segundo o livreco dos católicos, o Deus todo poderoso que fez (para quem acredita) o mundo, ganhou um “piti”, ficou revoltadinho porque as criações dele (que deveriam ser perfeita) não obedeceram seus mandamentos, e resolveu mandar um dilúvio para MATAR todo mundo! Isso é amor? Isso é autoritarismo puro! É barbárie! É Genocídio mas idiotas religiosos acham qualquer desculpinha para ignorar tal fato, ainda há inúmeras provas desse suposto “amor” cristão, mas infelizmente acho que o autor do texto não se preocupou em fazer um estudo sobre isso, ao contrário achou que escrevendo um textinho fazendo uma crítica e querendo empurrar goela abaixo seu credo iria fazer grande coisa.



Todos os governantes, democráticos ou não, chegam ao poder prometendo melhorar a qualidade de vida do povo. Todavia, quando lá estão sempre se unem com os mais ricos e estabelecem ou mantêm um sistema de governo que invariavelmente prejudica o pobre.

Isso é a típica auto-justificativa, todo fracassado usa isso, quando não consegue ser bem sucedido em algo ele precisa achar algo para colocar a “culpa” e com isso, se auto-justificar, enganando-se quando na verdade o fracasso se deu por não ter havido o esforço/superação necessário, se não todas, mas boa parte das pessoas que venceram quando tudo indicava o contrário agiram dessa forma, foi superando seus limites que conquistaram a posição que hoje possuem.

Mas essa dupla (ricos e políticos) não está só; é muito bem auxiliada por cientistas de todas as áreas do conhecimento humano, que, patrocinados pelos poderosos, todos os dias inventam teses e coisas novas a pretexto de “desenvolvimento econômico”. Só que essas invenções e toda tecnologia, logicamente inacessíveis àqueles que já passam fome, têm servido para fazer milhões e milhões de novos miseráveis.

Sim... sim... os cientistas, os professores, os ricos, os políticos todos são maus, isso tudo faz parte de uma conspiração para dominar as massas, isso me chama hipocrisia, todos trabalham buscando uma recompensa, é óbvio que todo profissional vai buscar trabalhar para aquele que lhe fornece as melhores condições. A hipocrisia é tanta que garanto que o autor do texto não doa para os famintos metade do seu salário o que daria em torno de R$ 7.500,00 reais, porque será que ele não faz isso, será que os outros R$ 7.500,00 não seriam suficientes para ele sobreviver? Sendo que o salário mínimo é muitas vezes menor e em tese dá para garantir o sustento de uma família, é certo que seria mais do que suficiente, mas eu duvido que o autor irá fazer isso, desse modo ele também trabalha pelo dinheiro, ou seja, é igual as pessoas que ele tanto critica.

Veja-se que nunca antes o homem experimentou desenvolvimento científico, tecnológico e econômico tão estrondoso como agora, exatamente quando a estatística da fome também alcança patamares alarmantes. Portanto, não podemos nos iludir. O tal “desenvolvimento econômico e tecnológico” está piorando o mundo; já é sinônimo de miséria, de fome.

Exatamente, garanto que o carro que ele usa, o celular, e todas as outras mordomias e benefícios que a modernidade trouxe foram feitas por pessoas que estudaram muito, e receberam bons salários para trabalhar, é assim que funciona, mas ainda assim, mesmo usando tudo isso, ele ainda acha que os cientistas, engenheiros, economistas são maus, inclusive a o desenvolvimento econômico e tecnológico esta piorando o mundo, devemos voltar a tratar os doentes com preces, afinal de contas para que hospitais? Os avanços tecnológicos que cada vez mais tratam de criar produtos menos poluentes, e que cada vez mais trazem respostas para as perguntas antes respondidas por dogmas, melhorando assim nossa qualidade de vida, realmente são uma maldição e devem ser abolidos, afinal de contas na idade média, periodo medieval a nossa expectativa de vida era muito maior não era?

Para acabar com a fome no mundo é preciso que aconteça uma revolução moral, ética, algo que retire o homem dessa situação de progressiva decadência espiritual. É preciso que o homem aprenda a seguir o que Cristo pregou sobre amor ao próximo, única solução para que os pobres também tenham acesso a comida.

Siga o exemplo de Cristo, se você não consegue multiplicar a comida, aproveite e se crucifixe, morra e daí alguém vai meter a mão no seu dinheiro. Para que a fome acabe, primeiro é preciso uma revolução na educação, não adianta você dar bolsa (qualquer coisa) e continuar com um pessoa burra e estúpida que continua escolhendo pessoas corruptas para governá-lo. Existe uma frase que diz: “Cada povo tem o governo que merece” e na maioria das vezes assim o é! Via de regra as pessoas são preguiçosas, e querem ganhar tudo! Não querem passar trabalho para conquistar. Mas como diz outra frase, se não me engano de Albert Einstein que diz: “O único lugar que Sucesso vem antes de Trabalho é no dicionário”.

Enquanto isso não acontecer, o número de pessoas que passam fome continuará crescendo paralelamente ao avanço da ciência e do chamado “desenvolvimento econômico”. Mas ao falarmos sobre o aumento do número de pessoas famintas no mundo não podemos deixar de tocar no delicadíssimo problema dos agrotóxicos. Quando cientistas, políticos (cooptados pelos poderosos), fazendeiros e empresários ricos se uniram e decidiram legalizar o uso de agrotóxicos, convenceram os governos e a maioria da população de que os venenos trariam o fim da fome no mundo, pois as plantações agora poderiam vicejar livres das pragas e ervas daninhas, rendendo mais a custo menor. Mas em poucos anos verificou-se que esse revolucionário invento o que fez foi contribuir decisivamente para o desemprego em massa no campo, intensificação do êxodo rural e, consequentemente, aumento significativo da fome e da violência urbana.

Desde os primórdios o homem sempre inventou as ferramentas (seja elas qual forem) para facilitar seu trabalho, para que não tivesse de fazer tanto esforço, é conclusão lógica de que cada vez mais, o trabalho manual irá ser substituído pelo emprego de máquinas. Todavia, isso é algo que os que dependem dessa fonte de renda devem ter em mente, cabendo aos poucos irem buscando alternativas ao trabalho que ora exercem, e não batalhar para que a humanidade deixe de progredir e evoluir ficando estagnada.

Antes dos agrotóxicos as vilas das cidades de regiões agrícolas ficavam vazias em tempos de capina. Produtores rurais com ônibus e caminhões levavam todos os trabalhadores disponíveis (às vezes famílias inteiras) para o serviço da roça. Pagavam bem, e eles, agricultores, também lucravam mais.

Opa! Mas segundo o autor, lá no início do texto, a critica era grande aos que pretendiam 'lucrar' mais... porque agora ele sai em defesa do 'método' antigo, ressalvando que o agricultor 'lucrava mais'?

Agora os agrotóxicos fazem o trabalho de capina. Os bairros pobres estão sempre cheios de desempregados. As ruas repletas de jovens desocupados, muitos deles praticando crimes ou usando drogas. A produção de alimentos aumentou com o funesto advento dos agrotóxicos, é verdade, mas, estranhamente, a fome cresceu em proporção ainda maior. Além disso, os agrotóxicos serviram para contaminar severamente o meio ambiente desequilibrando fauna e flora, provocando assim o surgimento de novas e mais resistentes doenças e pragas em plantas e animais. Sem falar na desastrosa consequência para a saúde humana.

Os agrotóxicos devem sim passar por uma análise criteriosa antes de serem adotados, agora a solução para os problemas da fome é resolvido unicamente pelo re-emprego de mão de obra humana. Pois como falei o comodismo é grande, quantos desses empregados enquanto tinham renda provinda do trabalho no campo procuram investir em sua própria educação? Em sua capacitação?

Agora falam em alimentos transgênicos para acabar com a fome no mundo. Outro engodo. Isso trará ainda mais pobreza e fome à maioria, com mais enriquecimento de poucos, exatamente como ocorreu com os agrotóxicos. Veja-se a miséria que assola atualmente a Argentina, que, por investir pesado nos transgênicos (e pesticidas) há mais de dez anos, tornou-se hoje a maior potência mundial na produção de óleo de soja, segunda de milho, terceira de soja e sétima de trigo. A propósito, um grupo de advogados argentinos ajuizou ação na Suprema Corte pedindo a proibição do uso do Glifosato, o “veneninho” mais fraco e mais usado na agricultura moderna em todo o mundo. Ocorre que, segundo bem fundamentadas pesquisas, esse agrotóxico estaria provocando o nascimento de crianças deformadas e a ocorrência de cânceres em escala largamente acima do normal nas regiões próximas às plantações de transgênicos com aplicação do herbicida. Produtores rurais e vendedores do veneno sustentam que a proibição inviabilizará por completo a produção agrícola na Argentina, o que é absolutamente verdadeiro, pois o Glifosato já substituiu em cem por cento o trabalho humano de capina. Aliás, como ocorre no Brasil, hoje as pessoas sequer sabem capinar de forma braçal.

Voltem a época das carroças, dos curandeiros, vamos abandonar os carros e meios de transportem movidos por combustível fóssil, vamos abandonar o celular (já que também existem advogados que juram que eles causam câncer), mais uma vez é evidente que retroagir não fará nada disso melhorar, o problema não reside no uso das tecnologias, mas sim em como é feito seu uso.

Não adianta revolução industrial, agrícola, científica ou tecnológica; o homem precisa de uma revolução moral, ética, espiritual. Precisa seguir os dois principais mandamentos cristãos (amar a Deus e ao próximo), o que quer dizer respeitar os valores que se referem à vida, à natureza, à caridade. Enquanto isso não acontecer, a fome continuará avançando (e com ela a violência), não importando os sucessivos recordes de produção de alimentos alardeados pelos governos, não importando quantos e quais projetos ou programas os governos inventem. “Fome Zero”, “Mais Alimentos”, “Primeiro Emprego”, “Bolsa Disso”, “Bolsa Daquilo”, tudo é absolutamente ineficaz enquanto aceitarmos como normal que um reles apresentador de TV ou um banqueiro ganhem por mês três milhões de reais, por exemplo, sem nada produzir, sabendo-se que aqui ou no outro lado do mundo a fome cresce em ritmo aterrador.



HAUhauha eu só posso rir mesmo disso! A solução então é amar a Deus e ao próximo. Certo... onde está esse Deus ridículo e ausente? O autor deveria lembrar de qual é o posicionamento quando um pai/mãe abandona seu filho... Está lá no artigo 244 do código penal... e o que será que esse “deus” que ele diz que devemos amar fez? Na verdade ele não fez nada, pois nunca existiu a não ser no pensamento bitolado e ingênuo de idiotas que são verdadeiramente manipulados por todo tipo de sacerdote que avoca para si a vontade de algum deus. E se esse deus existisse, ele já abandonou os seus fieis a muito tempo, então para que amá-lo? Se punimos um pai ou mãe que abandona seu filho, porque seria diferente com esse deus que abandonou suas ovelhinhas bitoladas? E por falar em respeitar valores que dizem respeito a vida, à natureza e caridade, a religião simplesmente ignora todos esses fatos! Ignora a vida, quando prefere que morram mãe e filho ao negar a possibilidade do aborto em casos especiais, Ignora a natureza a medida que prega que há outra vida e sendo que os meios que estão aqui a nossa disposição são para serem usados, ignorando como será a vida dos que ainda nem nasceram e Ignora a caridade já que eu nunca vi os religiosos doarem a metade da fortuna que conquistaram, pelo contrário eles cada vez mais engordam suas contas às custas de ignorantes de parca informação por meio de dízimos, de perdão de pecados e por aí vai. Por último, um banqueiro ou um apresentador não podem ganhar 3 milhões, afinal de contas eles não produzem nada segundo o nosso autor e eu volto a fazer a pergunta será que ele doa metade do salário que recebe? Afinal de contas é um belo salário se comparado com o salário mínimo, ou o salário que os “capinadores” devem ganhar. Será que ele faz isso, se não faz só me resta dizer que ele é um hipócrita, que deduz que outras pessoas que são bem sucedidas ou ganhem bons salários devem repartir com os outros, mas essa regra é óbvio não se aplica a ele, afinal de contas ele deve produzir várias lavouras capinando não é?





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Nilton Kasctin dos Santos, Promotor de Catuípe, 09/07/2009 10:50



Honestidade

200844, 14-Jul-2009 .. Postado em Artigos da Tribuna Cética .. 0 comentários .. Link

Devido a surpresa que tal informação me causou resolvi fazer o post logo, pois bem, uma postura que acho necessária para qualquer pessoa que queira debater é ser imparcial, analisar os dados  que são postos e ao final chegar a uma conclusão. Dessa forma, deve ser afastado qualquer tipo de fanatismo que oculte o “dark side” da posição que se defende.

                Recentemente postei um texto sobre a hipocrisia evangélica, a qual destaquei alguns dados obtidos ao longo do meu trabalho na Promotoria da cidade de Taquara, nesses dados destaquei que até o presente momento dentre as denúncias e crimes cometidos, a lista era liderada por católicos, seguidos de evangélicos.

                Relatei ainda que houve (até agora) um caso envolvendo um espírita, mas hoje (14/07/2009) foi a primeira vez que verifiquei uma denúncia, a qual o acusado foi classificado como ateu. Então para demonstrar que não há fanatismo cego por parte dos editores do Tribuna Cética, cá estou eu postando e informando que dentre os dados estatísticos (compreendidos dentro do meu trabalho) passa a figurar o primeiro caso de um ateu denunciado.

                 Entretanto, cumpre ressaltar o tipo de crime e alguns outros fatores. Conforme pode se observar na próxima imagem a ficha do nosso criminoso contém apenas mais um caso (Art. 180 do CP) – receptação. Ainda, insta esclarecer que o crime (em tese – já que não houve julgamento ainda-) cometido é o de posse de arma (art. 12 da Lei 10.826).

                 Outrossim, o fato de o acusado ter dentro de seu estabelecimento duas armas, foi o que ensejou a sua denúncia. Longe de intentar a prévia defesa do sujeito, mas sabe-se muito bem, apesar da vasta campanha difundida pela mídia, que muitas pessoas ainda possuem armas dentro de suas residências e domicílios, algumas por desconhecerem que a lei criminalizou esta conduta, outras por serem indiferentes ao que a Lei determina.

                Ante ao exposto, na minha opinião pessoal, a conduta do caso em tela, enquadra-se como de pequeno potencial criminal (01 – 03 anos), haja vista que não causou prejuízo pessoal e/ou material a ninguém. Frise-se, ainda, que a criminalização de tal conduta foi amplamente questionada gerando muitas discussões, sendo extremamente polêmica, outrossim, ainda que já esteja tipificada na lei, não quer dizer que não de azo a questionamentos, de se realmente se configura ou não crime tal conduta.

                Por fim, o intuito da presente postagem é salientar que do mesmo modo que o credo religioso (seja qual for) não é pressuposto de honestidade e idoneidade, o ateísmo, agnosticismo, ceticismo ou qualquer outra posição discordante de credos religiosos também não é, porém não há como não se observar a proporção, como tenho apreço por dados corretos, assim que dispuser de um pouco mais de tempo, irei contar os casos e em um novo post ainda a ser publicado disponibilizarei os dados, se possível com gráficos.

 



Hipocrisia Evangélica (H.Gil)

210950, 7-Jul-2009 .. Postado em Artigos da Tribuna Cética .. 0 comentários .. Link
          Então, faz algum tempo que não posto nada aqui, tem lá meus motivos, não gosto muito de apenas "replicar" matérias de outros blogs, acho que já falei isso em algum post passado, mas hoje surgiu algo que vale a pena ser mencionado.
       Para quem não tá atualizado, após dia 06 de março de 2009 eu deixei de trabalhar no Exército, e fui procurar algo na área que estou fazendo meu curso superior (Direito), com sorte consegui um estágio na Promotoria de Justiça de Taquara.
       Cumpre ressaltar que o Brasil apesar de se auto-proclamar um Estado Laico, não é difícil de se encontrar crucifixos em repartições públicas, encontrar manifestações religiosas em nossas leis, não seria diferente nos operadores do Direito.
        Por vezes já vi algumas fundamentações (que sob minha ótica são absurdas) baseadas em designios e vontades de Deus (seja ele qual você escolher, afinal o mercado é seleto), mas particularmente hoje, ao lidar com um processo, e ler o interrogatório, me deparei com uma posição louvável por parte do magistrado.
        Para que haja uma melhor compreensão, vou explicar suscintamente o caso (óbvio por sigilo os nomes são omitidos) - não quero perder meu emprego e ser processado né =D
        O processo tratava-se de um estupro contra uma jovem de 13 anos de idade. Ela teria sido estuprada por um homem de 31 anos quando estava quase (porque há divergências) transando com seu ficante. Segundo a menina o jovem ficante dela com 15 anos, na oportunidade em que ela foi estuprada nada fez para ajudá-la, já o pervertido jovem, obviamente negou, alegando que tentou ajudá-la.
        Não obstante, em outra ocasião posterior, o referido jovem cujo nome deve ter sido retirado do filme "As Crônicas de Nárnia", juntamente com alguns amigos, teria mais uma vez praticado sexo com a jovem contra a vontade da mesma e em frente aos seus amigos, enfim, o foco não é o caso em tela, todo o exposto até agora foi apenas para situar o leitor a respeito dos "personagens".
       Interessante é que o marginal, digo... jovem menino, ao ser interrogado perante juízo, foi questionado se na ocasião do estupro eles haviam ingerido bebidas alcóolicas, logo respondeu que "não", sendo questionado novamente pelo juiz, eis que sua mãe, nomeada como assistente, intervém respondendo no lugar do garoto, na sequência o juiz "fuzila" a falácia da idiota mãe do acéfalo menino.
         A Imagem fala por sí observem:



          Será que os "crentes latu sensu" não conseguem entender que ser ou não ser religioso não é pressuposto de honestidade? não é pressuposto de boa índole! não é pressuposto de bondade! não é pressuposto de nada! nada! No máximo poderia se dizer que é pressuposto de preguiça, pois alguém que prefere acreditar em algo a procurar a verdade, julgo que no mínimo seja preguiçoso!
           Foi com um largo sorriso que li as palavras do juíz, na verdade com um certo deboche! Isso porque vejo todos os dias vários processos, diversos tipos de crimes, de criminosos, e advinhem... quase sempre rola uma "pérola" desses marginais, que em seus interrogatórios se dizem "religiosos" como se isso fosse um atestado de idoneidade e inocência!
           Ridiculo! Totalmente ridículo! Para tais pessoas que defendem tanto as benefices da religião eu apresento o resultado de uma pesquisa particular, desde abril, todos os processos que tive contato (uns 40), tiveram como denunciados religiosos, sejam eles católicos (90%) e evangélicos (10%), todavia, não tive o desprazer até agora de achar um único ateu ou agnóstico.
           Ah sim, não dá pra esquecer, apesar de ser um único caso até agora, também registrei um denúnciado cuja religião era espirita (por sinal esse foi o que mais issistiu em utilizar seus dogmas como forma de defesa das acusações, o interrogatório foi quase uma seção espírita, faltou só o idiota falar que queria psicografar o depoimento de Kardek afirmando que ele era inocente).
            Por favor né!
           Espero que continue a existir magistrados igual a esse,  que não sejam inocentes ao ponto de aceitarem desculpas esfarrapadas de pessoas que se escondem atrás de falácias no intuíto de verem afastadas de si a responsabilidade decorrente dos atos que patricaram.


O avanço científico e a origem do universo (K.Stumpf)

001212, 4-Jul-2009 .. Postado em Artigos da Tribuna Cética .. 1 comentários .. Link
 

É cedo para dizer que o universo foi projetado por uma força superior inteligente. Deixar de pesquisar e apenas acreditar é parar no tempo. O homem é investigador por natureza, é curioso. Costumo fazer a seguinte analogia: Acreditar sem investigar é como ganhar uma caixinha fechada e guardá-la até a morte sem ao menos tentar abri-la. Isto é, você nunca vai saber o que havia dentro da caixinha, mas após sua morte alguém vai tentar abri-la e se conseguir irá descobrir e avançar seus conhecimentos.

A física dá saltos cânticos e se aproxima da verdade sobre a origem do universo. Este é um caminho racional e Deus não aparece nele. O átomo não é mais a menor partícula existente e assim, abre alas para novas descobertas. Cientistas afirmam que um átomo não necessita de uma reação para surgir, ou seja, ele pode surgir por acaso. Estuda-se a possibilidade do universo ser finito e formado de diversas galáxias.

O aperfeiçoamento da física quântica possibilitou a elucidação de fenômenos que antes eram desconhecidos e proporcionou a descoberta de uma nova família de partículas e de campos para suas interações. Surgiram esperanças no avanço das pesquisas da matéria e suas interações, como exemplo o comportamento dos buracos negros, o big-bang, o interior dos prótons, nêutrons e partículas que estão sendo descobertas.

Esta mesma área da física nos trouxe aparelhos sofisticados, menores que os antigos e mais eficientes. Em suma, computadores, celulares e outras tecnologias estão perdendo em tamanho e ganhando em eficiência. Os principais e fundamentais fatores do modelo econômico da globalização mundial estão nos saltos cânticos. Devemos isto a física-laica e gênios como Max Planck, Henrich Hertz, Bohr, Einstein, Infeld e outros. A verdade ainda não foi revelada, mas a ciência caminha em direção a ela. Mesmo assim, uma visão mais probabilística e menos racionalista da verdade se impõe sobre nós, ou seja, a posição mais apropriada continua sendo a agnóstica.

A superação contínua do conhecimento é essencialmente necessária, pois ela prova o que não é, e com isto elimina inverossimilhanças. Este avanço assusta doutrinadores religiosos, haja vista que ameaça às escritas e até mesmo à possibilidade de existência divina. Os teístas têm pavor do encontro definitivo com a resposta, pois acreditam que se enunciada condenaria todos a um estado de inutilidade existencial. Sem uma análise ao menos superficial, faz se parecer um inferno a possibilidade de não haver fundamento básico para o mundo físico e sim apenas partículas que se dividem e se sucedem.


A teoria do Big Bang


O termo big bang é oriundo de um físico inglês chamado Fred Hoyle, o qual ridicularizou a teoria, cognominando-a desta forma e, dando a entender que se tratava de uma “explosão”, o que de fato é inverídico. Hoyle defendia outra teoria conhecida como Universo Estacionário. O big bang marca a fase densa e quente sofrida pelo universo, que deu início a sua expansão, conforme derivação das equações de Friedmann a partir das equações de Einstein. Atualmente, os dados existentes permitem saber como é a geometria do universo, porém não se tem idéia de sua topologia. Pressupõe-se que o universo tenha cerca de 13,7 bilhões de anos. A extensão do universo foi determinada por Edwin Hubble (1889-1953) ao provar a existência de outras galáxias e que estas se afastam de nós. O trabalho de Hubble definiu nosso lugar no cosmo. Em 1924 houve a publicação de fotografias provando que as manchas de luz difusas e distantes, chamadas de nebulosas, se tratavam de gigantescos sistemas de aglomerados de estrelas semelhantes à Via Láctea, e não poeira e gás como pensavam alguns cientistas anteriormente. Constatou-se ainda que as galáxias se afastam em velocidade proporcional à distância que as separa, isto é, quanto maior a distância, maior a velocidade. Junto com Milton Homason, Hubble elaborou a equação conhecida como Lei de Hubble-Homason (vm=16r), onde “vm” representa em quilômetros por segundo a velocidade de afastamento de uma galáxia em relação a outra e “r” expressa a distância entre as galáxias. Em estudo, foi constatado que se uma galáxia estiver situada a cem milhões de anos luz em relação a outra, esta se afasta a mil e seiscentos quilômetros por segundo, o que significa que o universo continua se expandindo.

Segundo George Gamow, toda a matéria existente hoje no universo estava antes concentrada em um “átomo inicial” e que uma intangível quantidade de energia, depois de intensamente comprimida, repentinamente explodiu, formando ao avançar do tempo gases, estrelas e planetas. À medida que se expandia o universo a temperatura média baixava. Alguns autores acreditam que no momento em que a temperatura do universo for totalmente resfriada ele vai começar a diminuir de tamanho novamente, voltando ao “átomo inicial”. Há uma outra teoria de que existiu um universo antes deste e que as galáxias ao invés de se afastarem, se aproximaram.

Diante de pesquisas em aceleradores de partículas, houve a descoberta de que com apenas um segundo de existência o universo já formava nêutrons com sete prótons cada. Outra descoberta foi que com média de 500 mil anos o universo sofria um resfriamento acelerado, com partículas se fundindo e formando bolsões de gás provavelmente causados por alterações gravitais que permitiram a formação de protogaláxias que originaram estrelas.

A teoria geral da relatividade apresenta o macro-universo (estrutura universal e força da gravidade), enquanto a física quântica descreve o micro-universo. Falta a chave de ligação entre as duas, a unificação teórica que permitiria a grande descoberta. Enquanto isto não ocorre, a teoria do big bang é a única que nos apresenta indícios coerentes do que possa ter ocorrido. Considerando a idéia de que antes do big bang o universo era uma singularidade, entende-se que o tempo não existia, pois havendo matéria infinita em espaço nulo a singularidade é suficiente para frear o tempo. Cabe frisar que toda a teoria em questão é baseada em observação telescópica (telescópio de Hubbler), sendo possível que esta dilatação do universo tenha ocorrido em apenas uma parte dele, ou seja, pode se tratar de um fenômeno regional. Isto porque o alcance da observação é limitado pelo referido aparelho telescópico.



Ciência vs Religião (K.Stumpf)

231152, 3-Jul-2009 .. Postado em Artigos da Tribuna Cética .. 0 comentários .. Link
 

      Muitas pessoas afirmam que a religião pode conviver com a ciência sem danos ao desenvolvimento científico. Particularmente, não acredito nesta hipótese, visto que ciência e religião são muito diferentes, conforme vimos anteriormente. Vejamos na história o que considero o grande momento da ciência: O nascimento da ciência moderna com o desvelamento do universo (séc. XVI e séc. XVII). Recordemos que Ptolomeu (séc. II d.C.) foi o primeiro a publicar um tratado sistemático sobre astronomia, sendo que o mesmo acreditava que a Terra era o centro do universo. A idéia de Ptolomeu foi usada pela Igreja para afirmar que Deus fez o mundo para estar no centro de tudo e para ser o senhor deste mundo criou o homem à sua imagem e semelhança. No séc. XVI um polonês chamado Nicolau Copérnico (1473-1543) sanou problemas matemáticos até então impossíveis de se resolver, argumentando que ao invés da Terra ser o centro do universo esta posição deveria ser do sol. Sua teoria deu sentido à posição e movimentação dos planetas. Mesmo diante da explicação plausível, Copérnico humildemente admitia que sua idéia fosse hipotética. No século seguinte sua tese foi condenada pela Igreja, pois durante mil anos a doutrina cristã ensinou que a terra era o centro imóvel do universo, conforme a própria bíblia em seu salmo 93: “Tu fixaste a terra imóvel e firme”. Martin Lutero também se manifestou dizendo: “O povo dá ouvidos a um astrólogo principiante que se empenhou em mostrar que a Terra se move e não o céu ou o firmamento, o Sol e a Lua...”. João Calvino indagou aos fiéis: “Quem ousaria colocar a autoridade de Copérnico acima da do Espírito Santo?”. Assim como Copérnico, Galileu e Newton também tiveram que enfrentar a ira da Igreja para firmar suas descobertas científicas, sobre a nova cosmologia e a lei da gravidade. Também o francês Voltaire (1694-1778), um deísta e crítico feroz da Igreja católica com relação ao seu poderio e intromissão nos negócios do Estado.

      Cabe ainda lembrar David Hume (1711-1776), compartilhador da premissa de John Locke, de que o conhecimento não ultrapassa a barreira da experiência, em outras palavras, lidamos com probabilidades e esperanças e não com certezas. Ainda neste âmbito, o filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) demoliu as provas da existência de Deus, afirmando ser algo que não pode ser provado, assim como a inexistência. Uma forma agnóstica que visa resolver o problema pela compreensão de que este não pode ser resolvido.

     Mesmo com poucas palavras foi possível constatarmos que ciência e religião não combinam, nem seguem no mesmo rumo. A religião busca o bem estar do homem em outra vida, sendo que a vida real deve ser de devoção, adoração e sacrifícios (a idéia da submissão). Em oposto, a ciência busca o bem estar do homem em vida, não exige devoção, pois tudo que sabe é aquilo que provou por meio da experiência científica.


Os primeiros pensadores da humanidade


       Há indícios de que nos séculos VI, V e IV a.C., na Grécia, nasceu a filosofia – uma maneira racional do homem tentar entender o mundo em que vivia. O mais famoso dos filósofos, chamado Sócrates (470-399 a.C.) abre a questão que segue na humanidade até os dias atuais: De que modo se deve viver? Vale lembrar que os pré-socráticos haviam se preocupado apenas com questões inerentes à formação do mundo, ex.: O que sustenta o mundo? ou, do que é composto?

Surgem os discípulos Platão (428 ou 427 - 347 a.C.) e Aristóteles (384 - 322 a.C). O primeiro irá dar margem ao pensamento cristão, ao afirmar a existência de dois reinos (dualidade platônica), um temporal e um atemporal. Naquele tempo, a filosofia mais conhecida em Jerusalém era a dele, por isso utilizava-se a linguagem grega, que inclusive foi usada na escrita do novo testamento bíblico. Platão tenta unir o mundo racional ao abstrato. O segundo pensador, embora discípulo de Platão, irá rebater sua idéia de “dois mundos”, alegando a existência de apenas um mundo, sobre o qual devemos filosofar. Assim, ele insere o homem na realidade, ou então, como é consuetudinário dizer: “Com os pés no chão”. Aristóteles ainda formulou a lógica aduzindo a necessidade da observação e do experimento antes da reflexão abstrata.

Sócrates não deixou manuscritos, suas teorias são conhecidas por meio de seus discípulos já citados. Para uma visão geral de Platão se faz necessário à leitura de sua obra denominada A república. Para conhecer o pensamento Aristotélico é preciso ler as obras-primas: A política, Ética a Nicômaco, A poética, Retórica, Analíticos posteriores, Física, Metafísica e Sobre a alma.

Depois deles, vieram os Cínicos (anti-sociais do mundo antigo), os Céticos (primeiros relativistas da filosofia), os Epicuristas (primeiros humanistas científicos e liberais) e os Estóicos (com a filosofia do império romano). Não abordarei sobre estes, visto que o presente não se trata de um manual de história da filosofia. A idéia aqui é recordar o surgimento dos primeiros sábios do mundo, muito antes do nascimento de Cristo



Compare criacionismo e evolucionismo e reflita (K.Stumpf)

040429, 20-Jun-2009 .. Postado em Artigos da Tribuna Cética .. 4 comentários .. Link
 

CRIACIONISMO

 

EVOLUCIONISMO

Deus criou o homem e os demais seres vivos já na forma atual há menos de 10 mil anos

X

O homem e os demais seres vivos são resultado de uma lenta e gradual transformação que remonta há milhões de anos

Os fósseis (inclusive de dinossauros) são animais que não conseguiram embarcar na Arca de Noé a tempo de salvarem-se do dilúvio

X

Os fósseis e sua datação remota confirmam que a extinção de espécies também faz parte do processo evolutivo

Deus teria criado todos os seres vivos seguindo um propósito e uma intenção

X

As transformações evolutivas são resultado de mutações genéticas aleatórias expostas à seleção natural pelo ambiente

O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus e, portanto, não descende de primatas

X

O homem não é descendente dos primatas atuais, mas tem uma relação de parentesco. Ambos descendem de um ancestral comum já extinto

Não há como comprovar a hipótese evolutiva em laboratório e, portanto, ela não é científica

X

Seres vivos com ciclo de vida mais curto comprovam a evolução por seleção e adaptação, como no caso de populações de bactérias resistentes a determinados antibióticos

Desde Darwin, vários aspectos de sua teoria já foram revistos, o que prova sua inconsistência

X

Apenas detalhes científicos que ainda não estavam claros no tempo em que Darwin viveu, como os avanços na área da Genética e da Biologia Molecular, foram revistos. No essencial, a teoria é válida há 145 anos

A Segunda Lei da Termodinâmica demonstra que os sistemas tendem naturalmente à entropia (desorganização)

X

A Segunda Lei da Termodinâmica não se aplica a sistemas abertos, como os seres vivos

A perfeição dos seres vivos comprova a existência de um Criador inteligente

X

Os seres vivos são complexos, mas longe de serem perfeitos. O apêndice humano é um exemplo de estrutura residual sem função

Mesmo admitindo a Evolução, ela só poderia ser de origem divina por caminhar sempre no sentido da maior complexidade e do aperfeiçoamento biológico

X

A evolução não caminha sempre para a maior complexidade. Insetos atuais são mais simples que seus ancestrais já extintos. Nem sempre evolução significa melhoria, apenas maior adaptação ao meio ambiente

A origem da vida ainda não é explicada de modo satisfatório pelos evolucionistas

X

Aspectos fundamentais envolvendo a origem da vida ainda precisam ser mais bem esclarecidos, mas o método científico e não-dogmático é o caminho mais adequado para atingir esses objetivos



O Espiritismo - Final (H.Gil)

150301, 25-Jul-2008 .. Postado em Artigos da Tribuna Cética .. 1 comentários .. Link

                 Outras questões interessantes que me vem a mente é que a maioria dos religiosos, e não diferente com os espíritas, eles tem sempre exemplos para citar, mas esses exemplos acontecem em um passado obscuro, onde os meios científicos ainda não eram tão exigentes, é de se espantar que com o avanço e progresso da ciência, da filosofia, da racionalidade os tais fenômenos tenham diminuído de forma brutal. Mas aqui os espíritas podem ficar tranqüilos, os milagres dos católicos e evangélicos também tiveram a redução no supostos ocorridos, arrisco a dizer que tornaram-se extintos.

                Atualmente com a globalização das informações, nada escapa dos noticiários, entretanto, é rara a reportagem que traga algum caso de fenômenos sobrenaturais ou milagres que não sejam desvendados (leia-se explicados, resolvidos) por algum órgão especializado. Ocorre sim uma mercantilizarão de informações estúpidas, quase todos os casos que lembro a respeito de coisas sobrenaturais apresentadas em reportagens, tinham um apelo escancarado para prender a atenção do público, ou seja, é aquela reportagem que é anunciada desde o começo do telejornal, mas só apresentada no final, com a óbvia intenção de manter o telespectador somente naquele canal durante todo o programa, ou seja, sensacionalismo puro.

                Todavia, após passar a reportagem sobre o tal fato misterioso, são raros os veículos de mídia sérios, que procuram alguém que os explique. Geralmente a reportagem ou documentário é apresentado e na outra semana, nada mais é dito, ou seja, mostra-se aquilo como sendo uma verdade, como sendo um fato, talvez para um ignorante ingênuo (e só consigo definir com essas palavras as pessoas que aceitam sem se questionar as informações que a TV e seus programas passam) até seja. Pessoas desprovidas de qualquer discernimento, talvez até acreditem que aquilo seja verdade, mas felizmente alguns jornais, e veículos de investigação mais sérios tratam de mostrar a fraude que ocorre por de trás dos fenômenos sobrenaturais.

                A internet tem se mostrado uma ferramenta útil nesse sentido, são muitos os blogs que trazem informações sobre publicações sérias com explicações bem compreensíveis e nada miraculosas dos supostos fatos sobrenaturais, entretanto, o povo em geral não tem muita curiosidade, nem vontade de pesquisar tais coisas, preferem ater-se a coisas que julgam mais importante, como os últimos capítulos da novela, ou os jogos de futebol. Não desmerecendo tais meios de entretenimento, mas alguém que quer ter sua opinião levada a sério deve inteirar-se o mínimo possível sobre o assunto que se fala, e não achar que todos serão convencidos por meros ACHISMOS da pessoa que professa como mera replicadora do que viu na TV, achando-se com autoridade inquestionável.

                Ademais, veio-me agora ao pensamento um fato muito estranho, acredito que 99% das pessoas, que já tenham relatado terem passado por contatos mediúnicos, nenhuma delas relatou que viu, ouviu ou sentiu a presença de “espíritos” de animais. Seja sincero com você mesmo, alguma vez você escutou alguém falando que viu o fantasma de uma vaca? Ou que conversou com a alma de um cachorro? Bom, se isso não aconteceu, poderíamos pensar que os animais não teriam “espíritos”. Mas eu como cético, se precisa-se achar uma desculpa para tentar justificar isso (ainda que não tivesse provas) me apegaria, no seguinte discurso: “Nós humanos não conseguimos ver esses espíritos, porque eles estão em um plano diferente de evolução, e por isso os seres humanos são incapazes de  “conectar-se”com eles”.

                O que vocês acham? Acredito que esse engodo funcionaria com muitas pessoas, mas não com aqueles que conseguem ver o “mal-caratismo” que se expõe em tais assertivas desprovidas de provas e evidências, mas quem sabe após alguns espíritas lerem esse texto eles comecem a “enxergar” alguns “bichinhos”, mas já vou advertir; os usuários de drogas e os enfermos de doenças mentais tal como demência e esquizofrenia também vêem bichos, formas, pessoas e todo tipo de coisa que o cérebro humano seja capaz de pensar. Quero ver qual é o médium que vai ver o primeiro espírito de um ser jurássico como um Raptor, afinal de contas eu nunca ouvi nada a respeito, ou quem sabe assombrações de vacas em frigoríficos, coisas desse tipo.

                Tantas evidências apontando para a não existência de tais crendices, entretanto, ainda assim temos pessoas que CRÊEN serem verdadeiros tais relatos, nessa hora só posso acreditar que há um fator psicológico que explica essa necessidade que tantas pessoas têm de conceberem um ser ou seres em outro plano que estão protegendo e fazendo ações para tornar nossa vida melhor. Eu classificaria isso como “crise existencial mesclada com carência afetiva e insegurança crônica”, ou de uma maneira mais reduzida, como é de praxe, digo que é a “bengala psicológica” que foi passada de geração para geração, mas quando as pessoas vão abrir os olhos? Quando elas realmente vão evoluir ao ponto de perceberem que não precisam de “amiguinhos” imaginários, quando elas perceberam que podem cuidar uma das outras?

                Acho que isso ainda levará muito tempo, enfim, o progresso pode ser lento, mas como cunhou Darwin, só os mais adaptados permanecem.



O Espiritismo - Parte 02 (H.Gil)

231108, 15-Jul-2008 .. Postado em Artigos da Tribuna Cética .. 1 comentários .. Link
 

                 Enfim, como explanado no começo do texto, o fato em questão é: Terá o Espiritismo a resposta para a tão conturbada pergunta; O que acontece após a morte? Ressaltando que entende-se no presente texto, morte o estado onde o corpo humano já não consegue mais sobreviver por si só. É interessante uma explanação histórica rápida apenas para demonstrar que tal assunto, não é um produto de questionamento contemporâneo, pelo contrário, as aspirações para responder a tal questionamento já vem de longa data.

                Como pode-se encontrar em livros de história egípcia, essa civilização acreditava assim como as outras, possuir a resposta, dentre seu conjunto de crenças, acreditavam que o corpo possuía um espírito dividido em duas partes, e que para que parte desse espírito sobrevivesse era preciso preservar o corpo, daí o desenvolvimento da tradição de embalsamarem-se os mortos. Entretanto, nesse processo é interessante observar que vários órgãos eram retirados, o coração por ACREDITAR-SE ser o órgão onde residiam todos os sentimentos, raciocínios e emoções, permanecia dentro do corpo.

                Outros órgãos ainda eram tratados e conservados em vasos com substâncias químicas, entretanto o cérebro, esse conforme ACREDITAVA-SE não teria muita utilidade sendo descartável, era removido pelas narinas com auxílio de ganchos. Outrossim fica claro se observado com o que sabemos hoje, como era errônea a CRENÇA desse povo. É fato que o cérebro é o responsável, pelos sentimentos, pelo raciocínio, pela nossa própria consciência, sendo que, ao sofrer danos, seja devido a um acidente, uma doença, ou por influência de substâncias químicas, a personalidade da pessoa pode ser alterada.

                Mas então porque ainda hoje existe a CRENÇA na imortalidade, na continuidade das lembranças, dos sentimentos e da consciência após a morte do órgão que fica responsável por isso? Em um artigo de Ronaldo Cordeiro, publicado no site da STR trás algumas explicações bastante plausíveis, as quais, tomo a liberdade de transcrever.

“(...) a noção da imortalidade da alma é a base de muitas das religiões mais populares do mundo. A idéia da morte após uma vida breve num mundo repleto de injustiças, violência, miséria e desgraças desigualmente distribuídas, parece ser bastante angustiante para a maioria das pessoas. Sem a doutrina da vida após a morte, em que haveria a vida eterna e em que os bons seriam recompensados e os

maus punidos, dificilmente as religiões conseguiriam ser tão influentes sobre seus adeptos como o são hoje e sempre foram. É inevitável mencionar os recentes atentados suicidas de 11 de setembro nos EUA, cometidos por homens convencidos de que seriam recompensados com o paraíso. Antes que alguém pense que isso só acontece com terroristas fanáticos, que tal o caso do suicídio coletivo do Templo do Povo, em 1978, quando morreram 912 seguidores de Jim Jones? E os 39 da seita Heaven's Gate? Ou os mais de 700 mortos do Movimento da Restauração dos Dez Mandamentos em Uganda? Como disse Richard Dawkins em Os Mísseis Desgovernados da Religião, "Não há dúvida de que o cérebro suicida e obcecado pela vida após a morte é uma arma poderosa e perigosíssima". É pouco provável que as religiões venham a abrir mão de uma arma formidável como essa em nome de simples, meras constatações científicas.(...)”

 

                Nesse mesmo artigo, a qual também se debate o tema aqui proposto encontramos, mais informações úteis, como a existência de uma corrente que acredita que os espíritos sofreriam conseqüências do que acontece com o corpo, e dessa forma estaria explicado o porquê da personalidade, memórias e o humor mudarem, ou seja, o espírito estaria passível de sofrer influências de tais coisas materiais, entretanto sendo ele influenciável dessa maneira, o que oporia a concepção da sua morte concomitantemente com a do cérebro?

                Ainda SUPONDO a existência de espíritos, e que tais espíritos continuassem a existir com a morte do cérebro, porque teríamos cérebros tão complexos? A natureza é inteligente e certamente possuiríamos cérebros muito menores, consumiríamos menos energia, seríamos mais leve, os partos seriam menos dolorosos e mais fáceis. Ainda encontra-se freqüentemente e aqui friso, que não é exclusividade do Espiritismo mais de todo sistema de crença religioso, todos eles procuram respaldo para provar sua veracidade, na incapacidade da ciência de provar que aquilo que eles afirmam não existe.

Ou seja, é o chamado “Inversão do ônus da prova” que resulta em uma das ações mais covardes e de mal caráter que os religiosos se valem, e que só convencem os mais leigos. Pois bem, a ciência só poderia tentar comprovar, que algo é ou não é verídico se fosse possível se fazer provas sobre o que se afirma, desse modo é impossível provar-se algo que nem se quer foi apresentado evidências. Agora CRER em algo assim, é totalmente insano e desprovido de inteligência, Bertrand Russel exemplifica muito bem tal falácia ao propor:

“Imagine que há um bule de chá chinês orbitando ao redor do sol, você não pode provar a inexistência deste bule porque ele é muito pequeno para ser visto pelo telescópio. No entanto, ninguém além de um louco diria: Eu estou disposto a crer no bule porque ninguém provou que ele não existe”.

                Tal mal-caratismo é encontrado muito com qualquer pessoa que queira defender seus dogmas religiosos, como sempre digo, o fato de a ciência AINDA não responder a todas as perguntas, não faz com que as versões contadas pelos religiosos sejam verdade, aceitar isso é aceitar uma bobagem, uma falácia. Ainda como sistema de provas dos ditos espíritas temos um vasto arsenal de provas que se encaixam como pseudo-provas, sendo em sua maioria, experiências pessoais, testemunhos de fenômenos isso sem contar as inúmeras fraudes que a ciência, e mais os mágicos desmascaram.

                Interessante se faz a observação desses últimos profissionais, que atualmente tem sido de grande auxílio nas descobertas de fraudes utilizadas para fazerem as pessoas CREREM em tais bobagens, como é bem conhecido entre o meio cético, o mágico James Randhi que possui um instituto nos EUA onde estuda os supostos casos de paranormais, oferece um prêmio de US$ 1.000.000,00 para quem demonstrar seus “poderes” e passar pela bateria de teste que os comprovem, entretanto é engraçado que até hoje ninguém se propôs para tal.

                Dentre as desculpas mais ouvidas, e aqui sim principalmente pelos espíritas, estaria à escusa de que o médium não estaria “autorizado” pelas forças divinas a utilizar-se dos “poderes” para benefício próprio. Mas então eu pergunto, e porque ele usaria bem beneficio próprio? Porque não deixar então que após ganhar o tal premio a mesma “entidade” decida qual a melhor maneira de beneficiar outras pessoas, dado ao SUPOSTO fato que ele tem um nível de “Iluminação e evolução” maior?

                Mas ainda restaria, a última desculpa, onde com certeza alguns diriam que os espíritos, não estão aqui para trazer benefícios materiais, mas para auxiliar no nosso desenvolvimento, nem que isso envolva fazer o suposto “paciente” passar por dificuldades. Que discurso lindo não? Entretanto é hipócrita e falacioso também, pois em nada ajudam as pessoas que lá vão procurando pelo auxílio para seus problemas, pelo contrário, gostaria de saber como ficaria um médium ao saber que seu conselho acabou por prejudicar ainda mais uma pessoa. Com certeza a resposta seria a mesma: “Ele precisava passar por isso para alcançar o seu grau de evolução”. Ou seja, se procura achar mais uma vez a justificativa em algo que ninguém prova ninguém tem certeza, apenas CRÊEN.

                Se ninguém vê problemas nisso, não sei por que então criticam outras religiões, até mesmo as mais radicais como as que dão sustentação aos extremistas, porque afinal de contas todas lidam com isso a CRENÇA. Cada um como sua insanidade obedecendo as ordens de seus próprios Deuses, que ironicamente sempre vão de acordo com a vontade dos seus interpretadores, sejam eles, padres, pastores, médiuns, sheiks, ou qualquer outro tipo de sacerdote que exista, como bem disse Nietzsche umas das piores criaturas que existe sob a face terrestre é o sacerdote que acretida ser o único com autoridade e competência para interpretar leis divinas.

                Uma variante desse tipo de falácia é comumente encontrada entre os espíritas quando querem explicar algumas das teorias amalucadas, geralmente para isso empregam meios que para eles e tão só para eles fornecem um explicação satisfatória. Deixem-me explicar. Uma das principais questões que me veio a mente quando comecei a me questionar sobre o espiritismo foi: Considerando que cada pessoa tem uma alma, ou seja, quando ela morre o espírito aguarda uma nova oportunidade para re-encarnar.

Após essa assertiva tentemos imaginar o seguinte, no ano de 1200 digamos que a população mundial fosse e 1 bilhão de pessoas, hoje em 2008 é fato, e todos sabem que esse número aumentou e muito, como não tenho a informação com precisão, vamos supor que estaria em 3 bilhões, pois bem a pergunta é: Esses dois bilhões a mais de pessoas não tem almas? Poderíamos sugerir sarcasticamente que existe um “criador” de novas almas? SUPONDO haver esse criador como poderia afirmar-se que os espíritos re-encarnam? Como saber se não é um novo?

Enfim, as explicações que já escutei são das mais variadas, mas sempre sem nenhuma evidência ou base que a comprovasse a não ser a FÉ daquele que a professou, dessa forma ouvi coisas como:

1-      Haverias diversos planos onde a vida na terra seria apenas mais um, com outros por ascender e outros abaixo. O problema aqui ainda poderia ser questionado, mas de onde vêm essas almas? Quantas são? Qual o último plano? Qual o primeiro?

2-      Outra explicação esdrúxula seria de que existem almas em outros planetas, e que por isso a quantidade de almas poderia variar conforme fossem enviadas de um planeta para outro. Nem preciso dizer nada né? Os espíritas não conseguem demonstrar que existem espíritos aqui na Terra, mas se acham com autoridade de afirmar que existem espíritos em outros planetas.

3-      E por último, mas com certeza deve haver outras, pois a capacidade do ser humano de inventar histórias, mitos e lendas para justificar seus apontamentos é algo muito vasto, mas como dizia, existem alguns que afirmam que tudo possui um espírito, as pedras, os animais, as árvores e que TALVEZ com o aumento da população humana, outras formas teriam se reduzido. Aqui também quando perguntadas no que se baseiam, resistem em negar que são meros ACHISMOS querendo sempre justificar dizendo que leram em algum lugar, mas nunca se lembram das fontes, o que é um fato quase sempre comum entre os religiosos pouquíssimos deles usam fontes, na sua grande maioria apenas ouviram falar algo a respeito.



O Espiritismo - Parte 01 (H.Gil)

010131, 9-Jul-2008 .. Postado em Artigos da Tribuna Cética .. 0 comentários .. Link

Introdução.

 

                Mais uma vez o Tribuna Cética se prontifica ao estudo de mais uma Doutrina dentre as tantas que se dizem verdadeiras frente aos chamados fatos sobrenaturais. É claro que o foco principal é sempre o mesmo: O que acontece após a morte? Como é de conhecimento comum existem diversas religiões, crenças, doutrinas, filosofias de vida ou qualquer outro rótulo que buscam responder a essa questão com base no que consideram correto.

                O Tribuna Cética talvez, por até o presente momento, ter tratado apenas religiões ditas mais comuns (Católica e Evangélica) não olvida-se (esquece-se) das demais. Porém faz-se necessário elucidar (esclarecer) as pessoas que a palavra ceticismo não é um sinônimo de ateísmo. Essa é uma confusão muito comum, entretanto uma posição cética, nada mais é do que um ponto de vista onde avalia-se as proposições feitas, a luz, de diversas ferramentas como a lógica, razão e cientificidade procurando comprovar se tais proposições são verdadeiras ou não.

                Dessa forma é possível ter-se uma visão cética sobre todo e qualquer assunto. O que de fato não conclui-se como algo ruim uma vez que isso trata-se de um exame onde faz-se a verificação de toda informação que recebemos para que está possa ser aceita como verdade, todavia não é estranho escutarmos afirmações pejorativas com clara intenção de trazer descrédito ao cético, ou qual foi o cético que nunca ouviu algo como: “Ah você é cético demais, nada vai te convencer.”

                Esse tipo de afirmação é comum e totalmente errônea, pois o cético como regra geral não estará preso a dogmas (verdades inamovíveis) para ele toda verdade “está” verdade, e não “é” verdade, ou seja, para um cético algo que é considerado como verdade, pode ser mudado, basta que haja provas e que tais evidências comprovem que a afirmação que anteriormente tinha-se como verdade, já não mais responde de modo satisfatório frente a nova afirmação.

                Pois bem elucidado (esclarecido) tais fatos, esperamos que o leitor parta do princípio que não estamos aqui para simplesmente contrariar qualquer crença de modo a descredibilizá-la, nossa intenção é por em exame as afirmações que as doutrinas proclamam e verificar se não há falhas, desse modo não há um preconceito, não busca-se provar que a doutrina em pauta está errada, agora se ao final do exame essa mesma deixa a desejar e claro que não poderemos aceitá-la como verdadeira.

                Como pauta do presente texto apresenta-se então o Espiritismo, que hoje tem um número considerável de adeptos pelo Brasil, entretanto vamos conhecer um pouco mais sobre a referida doutrina, que proclama como seu diferencial ter a ciência andando lado a lado com suas proposições. Abro um pequeno parêntese aqui, deixando claro que esse texto trata-se de um artigo simples e que não tem como objetivos um estudo exauriente de modo que os conceitos aqui apresentados, são os mormente encontrados dentro do conhecimento popular.

                Tem-se como ponto inicial o caso das irmãs Fox, pelo que encontra-se em livros e matérias relacionadas, as irmãs Fox (Margarida e Catarina) faziam parte de uma família canadense que emigrou para os EUA, passando a morar em Hydesville um vilarejo do condado de Rochester, a casa onde foram morar era alugada e segundo algumas fontes, já era tida como assombrada.

                Há relatos de que barulhos estranhos haviam sido escutados pelos antigos moradores, mas ninguém conseguia descobrir a sua origem, conta-se que em determinado momento Catarina Fox desafiou a entidade que ela acreditava ser o Diabo (aqui vale um estudo sobre qual era já a influência da religião sobre estas pessoas) a reproduzir os sons que ela fazia (estes sons seriam o mesmo som produzido por um simples estalar de dedos) o que segundo é relatado veio a acontecer.

                Dessa forma diz-se que essa suposta entidade por meio de um código de letras, onde um determinado número de pancadas corresponderia a certa letra do alfabeto, teria afirmado ser o espírito de um homem que fora assassinado naquela casa. Em 31 de março de 1848 diz-se que os supostos barulhos atingiram tal intensidade que já eram escutados por vizinhos e continuaram a ser produzidos mesmo depois que a mãe e as meninas saíram e foram dormir na casa de Léia Fox que era a filha mais velha.

                Assim como as irmãs Fox outras pessoas também começaram a afirmar ter tais dons, o que depois foi nomeado de mediunidade, na França o pedagogo Hypolite L. D. Rivail, passou a estudar com alguns companheiros os supostos fenômenos, Hypolite sob o pseudônimo de Allan Kardec, publicou livros e editou a Revista Espírita, foi ele o encarregado de codificar, pois acreditava não ser ele o autor e sim os supostos espíritos. Tem-se então em Kardec um divisor de águas na doutrina espírita.

                Os chamados fenômenos espíritas são variados, indo supostamente desde a produção de sons diversos, inclusive com a possibilidade de voz direta, ou seja, a possibilidade de um espírito falar com você em alto e bom tom, ainda estaria inclusos, produção de sons, efeitos luminosos, deslocamento de objetos, formação de figuras em graus diversos de densidade, moldes de partes do corpo humanos em outros objetos etc.

                Ainda haveria os fenômenos subjetivos, quando sob a ação de espíritos, um médium fala, escreve, podendo ser em seu idioma ou em outro que lhe é desconhecido, desenha ou pode ver e ouvir coisas que não são percebidas em condições normais. Dessa época para cá muitos foram os estudos sobre o Espiritismo que teve uma certa explosão na Europa com foco principal na França, atualmente decaindo pela mesma Europa.

                O Espiritismo crê que seu diferencial esteja na não refutação da ciência, os espíritas acreditam que a ciência ande em consonância com seus princípios, dizem eles também não ser preso a dogmas, e ser o espiritismo uma constante evolução onde cada vez mais a ciência comprovaria as afirmações emanadas dessa doutrina, sob este aspecto é que iniciaremos nosso questionamento.

 

“Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará” (A Gênese).

 

                O mundo sofreu diversas mudanças, dentro de cada ramos das ciências pode-se ver quebra de paradigmas, seja ela na Física, Matemática e na área das humanas, no entanto nessa escala de evolução e de novos conceitos que hoje permeiam o senso científico, se analisarmos o Espiritismo fica óbvio sua estagnação frente as demais chamadas ciências. Tem-se em vários artigos tais fatos e aqui irei reproduzir em parte o conteúdo de um artigo intitulado Espiritismo, Ciência e Lógica.01 A qual aborda de uma forma muito clara tal distância que encontra a doutrina espírita.

                Como veremos no quadro abaixo, há a demonstração do modelo geral da descrição do que entende-se por Ciência e do que tem-se no Espiritismo que almeja ser científico.

01-     http://ateus.net/artigos/critica/espiritismo_ciencia_e_logica.php

Ciência

Espiritismo

Comum as novas gerações de cientistas refutarem trabalhos anteriores. Aversão a critérios de “autoridade”.

Resistência de se distanciar da ortodoxia kardequiana. Culto à autoridade contido no espírito da Verdade ou Kardec. Havendo claro, exceções.

Obra de grandes mestres como (Principia Mathematica, Origem das Espécies, etc.) ainda lidas como referência, como fonte de valor histórico e como forma de adentrar no raciocínio do autor. Todavia o estudante utiliza bibliografia recente, expandida e corrigida.

Livros de Kardec ainda utilizados sem alterações mesmo no que há de errado. Em alguns casos há notas de roda pé corrigindo alguns erros.

A lógica é usada apenas como ferramenta. O raciocínio precisa estar corroborado de evidências.

A lógica é utilizada como meio de prova ou refutação de hipóteses, não havendo verificação de se a natureza pensa igualmente.

O bom senso e a experiência usual nem sempre são seguidos. (Relatividade e Mecânica Quântica são bons exemplos, ainda pode ser citada a “Ação à distância” de Newton). Opta-se por soluções pragmáticas ainda que esdrúxulas.

O senso comum, ao lado da lógica é superestimado

Há grande discussão em torno da filosofia da ciência quanto à questão de melhor metodologia para o estabelecimento de novos conceitos (refutabilidade, crise de paradigmas, etc).

O conhecimento espírita ainda é majoritariamente indutivo, baseado em moldes científicos do século XIX (positivismo).

Teorias inverificáveis, mas belas, são postas de lado.

Persiste a presença de hipóteses “ad hoc” inverificáveis para sustentar pontos nebulosos da doutrina. Ex: vida “invisível” em outros planetas.

 

                Enfim, esse quadro trás apenas alguns pontos que mostram o quão distante a chamada ciência espírita encontra-se da Ciência atual. Enquanto uma tratou de renovar-se de otimizar-se, outra permaneceu estática, imóvel baseada nos mesmo moldes, onde cabe a pergunta será válida essa ciência, ou pretende-se ela também como dogma inquestionável?



Mais um Projeto de Lei imbecil (H.Gil)

040421, 20-Jun-2008 .. Postado em Artigos da Tribuna Cética .. 0 comentários .. Link
Então pessoal, já faz um tempo que não é postado nada por aqui, eu posso falar apenas por mim, mas acredito que seja também o mesmo problema dos meus colegas do blog, justifico a pouca produtividade devido ao semestre da faculdade estar exigindo muito,o tempo livre realmente está sendo pouco. Mas agora aliviando com as férias pretendo trazer novos post's. Enquanto isso vou vincular mais essa notícia que me deixou atônico. Clique AQUI ou  na figura e contribua com o abaixo assinado.



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