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Ciência vs Religião (K.Stumpf)Muitas pessoas afirmam que a religião pode conviver com a ciência sem danos ao desenvolvimento científico. Particularmente, não acredito nesta hipótese, visto que ciência e religião são muito diferentes, conforme vimos anteriormente. Vejamos na história o que considero o grande momento da ciência: O nascimento da ciência moderna com o desvelamento do universo (séc. XVI e séc. XVII). Recordemos que Ptolomeu (séc. II d.C.) foi o primeiro a publicar um tratado sistemático sobre astronomia, sendo que o mesmo acreditava que a Terra era o centro do universo. A idéia de Ptolomeu foi usada pela Igreja para afirmar que Deus fez o mundo para estar no centro de tudo e para ser o senhor deste mundo criou o homem à sua imagem e semelhança. No séc. XVI um polonês chamado Nicolau Copérnico (1473-1543) sanou problemas matemáticos até então impossíveis de se resolver, argumentando que ao invés da Terra ser o centro do universo esta posição deveria ser do sol. Sua teoria deu sentido à posição e movimentação dos planetas. Mesmo diante da explicação plausível, Copérnico humildemente admitia que sua idéia fosse hipotética. No século seguinte sua tese foi condenada pela Igreja, pois durante mil anos a doutrina cristã ensinou que a terra era o centro imóvel do universo, conforme a própria bíblia em seu salmo 93: “Tu fixaste a terra imóvel e firme”. Martin Lutero também se manifestou dizendo: “O povo dá ouvidos a um astrólogo principiante que se empenhou em mostrar que a Terra se move e não o céu ou o firmamento, o Sol e a Lua...”. João Calvino indagou aos fiéis: “Quem ousaria colocar a autoridade de Copérnico acima da do Espírito Santo?”. Assim como Copérnico, Galileu e Newton também tiveram que enfrentar a ira da Igreja para firmar suas descobertas científicas, sobre a nova cosmologia e a lei da gravidade. Também o francês Voltaire (1694-1778), um deísta e crítico feroz da Igreja católica com relação ao seu poderio e intromissão nos negócios do Estado. Cabe ainda lembrar David Hume (1711-1776), compartilhador da premissa de John Locke, de que o conhecimento não ultrapassa a barreira da experiência, em outras palavras, lidamos com probabilidades e esperanças e não com certezas. Ainda neste âmbito, o filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) demoliu as provas da existência de Deus, afirmando ser algo que não pode ser provado, assim como a inexistência. Uma forma agnóstica que visa resolver o problema pela compreensão de que este não pode ser resolvido. Mesmo com poucas palavras foi possível constatarmos que ciência e religião não combinam, nem seguem no mesmo rumo. A religião busca o bem estar do homem em outra vida, sendo que a vida real deve ser de devoção, adoração e sacrifícios (a idéia da submissão). Em oposto, a ciência busca o bem estar do homem em vida, não exige devoção, pois tudo que sabe é aquilo que provou por meio da experiência científica.
Os primeiros pensadores da humanidade
Há indícios de que nos séculos VI, V e IV a.C., na Grécia, nasceu a filosofia – uma maneira racional do homem tentar entender o mundo em que vivia. O mais famoso dos filósofos, chamado Sócrates (470-399 a.C.) abre a questão que segue na humanidade até os dias atuais: De que modo se deve viver? Vale lembrar que os pré-socráticos haviam se preocupado apenas com questões inerentes à formação do mundo, ex.: O que sustenta o mundo? ou, do que é composto? Surgem os discípulos Platão (428 ou 427 - 347 a.C.) e Aristóteles (384 - 322 a.C). O primeiro irá dar margem ao pensamento cristão, ao afirmar a existência de dois reinos (dualidade platônica), um temporal e um atemporal. Naquele tempo, a filosofia mais conhecida em Jerusalém era a dele, por isso utilizava-se a linguagem grega, que inclusive foi usada na escrita do novo testamento bíblico. Platão tenta unir o mundo racional ao abstrato. O segundo pensador, embora discípulo de Platão, irá rebater sua idéia de “dois mundos”, alegando a existência de apenas um mundo, sobre o qual devemos filosofar. Assim, ele insere o homem na realidade, ou então, como é consuetudinário dizer: “Com os pés no chão”. Aristóteles ainda formulou a lógica aduzindo a necessidade da observação e do experimento antes da reflexão abstrata. Sócrates não deixou manuscritos, suas teorias são conhecidas por meio de seus discípulos já citados. Para uma visão geral de Platão se faz necessário à leitura de sua obra denominada A república. Para conhecer o pensamento Aristotélico é preciso ler as obras-primas: A política, Ética a Nicômaco, A poética, Retórica, Analíticos posteriores, Física, Metafísica e Sobre a alma. Depois deles, vieram os Cínicos (anti-sociais do mundo antigo), os Céticos (primeiros relativistas da filosofia), os Epicuristas (primeiros humanistas científicos e liberais) e os Estóicos (com a filosofia do império romano). Não abordarei sobre estes, visto que o presente não se trata de um manual de história da filosofia. A idéia aqui é recordar o surgimento dos primeiros sábios do mundo, muito antes do nascimento de Cristo Deixe um Comentário |
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