Tribuna Cética

O Espiritismo - Parte 02 (H.Gil)

231108, 15-Jul-2008 .. Postado em Artigos da Tribuna Cética .. 1 comentários .. Link
 

                 Enfim, como explanado no começo do texto, o fato em questão é: Terá o Espiritismo a resposta para a tão conturbada pergunta; O que acontece após a morte? Ressaltando que entende-se no presente texto, morte o estado onde o corpo humano já não consegue mais sobreviver por si só. É interessante uma explanação histórica rápida apenas para demonstrar que tal assunto, não é um produto de questionamento contemporâneo, pelo contrário, as aspirações para responder a tal questionamento já vem de longa data.

                Como pode-se encontrar em livros de história egípcia, essa civilização acreditava assim como as outras, possuir a resposta, dentre seu conjunto de crenças, acreditavam que o corpo possuía um espírito dividido em duas partes, e que para que parte desse espírito sobrevivesse era preciso preservar o corpo, daí o desenvolvimento da tradição de embalsamarem-se os mortos. Entretanto, nesse processo é interessante observar que vários órgãos eram retirados, o coração por ACREDITAR-SE ser o órgão onde residiam todos os sentimentos, raciocínios e emoções, permanecia dentro do corpo.

                Outros órgãos ainda eram tratados e conservados em vasos com substâncias químicas, entretanto o cérebro, esse conforme ACREDITAVA-SE não teria muita utilidade sendo descartável, era removido pelas narinas com auxílio de ganchos. Outrossim fica claro se observado com o que sabemos hoje, como era errônea a CRENÇA desse povo. É fato que o cérebro é o responsável, pelos sentimentos, pelo raciocínio, pela nossa própria consciência, sendo que, ao sofrer danos, seja devido a um acidente, uma doença, ou por influência de substâncias químicas, a personalidade da pessoa pode ser alterada.

                Mas então porque ainda hoje existe a CRENÇA na imortalidade, na continuidade das lembranças, dos sentimentos e da consciência após a morte do órgão que fica responsável por isso? Em um artigo de Ronaldo Cordeiro, publicado no site da STR trás algumas explicações bastante plausíveis, as quais, tomo a liberdade de transcrever.

“(...) a noção da imortalidade da alma é a base de muitas das religiões mais populares do mundo. A idéia da morte após uma vida breve num mundo repleto de injustiças, violência, miséria e desgraças desigualmente distribuídas, parece ser bastante angustiante para a maioria das pessoas. Sem a doutrina da vida após a morte, em que haveria a vida eterna e em que os bons seriam recompensados e os

maus punidos, dificilmente as religiões conseguiriam ser tão influentes sobre seus adeptos como o são hoje e sempre foram. É inevitável mencionar os recentes atentados suicidas de 11 de setembro nos EUA, cometidos por homens convencidos de que seriam recompensados com o paraíso. Antes que alguém pense que isso só acontece com terroristas fanáticos, que tal o caso do suicídio coletivo do Templo do Povo, em 1978, quando morreram 912 seguidores de Jim Jones? E os 39 da seita Heaven's Gate? Ou os mais de 700 mortos do Movimento da Restauração dos Dez Mandamentos em Uganda? Como disse Richard Dawkins em Os Mísseis Desgovernados da Religião, "Não há dúvida de que o cérebro suicida e obcecado pela vida após a morte é uma arma poderosa e perigosíssima". É pouco provável que as religiões venham a abrir mão de uma arma formidável como essa em nome de simples, meras constatações científicas.(...)”

 

                Nesse mesmo artigo, a qual também se debate o tema aqui proposto encontramos, mais informações úteis, como a existência de uma corrente que acredita que os espíritos sofreriam conseqüências do que acontece com o corpo, e dessa forma estaria explicado o porquê da personalidade, memórias e o humor mudarem, ou seja, o espírito estaria passível de sofrer influências de tais coisas materiais, entretanto sendo ele influenciável dessa maneira, o que oporia a concepção da sua morte concomitantemente com a do cérebro?

                Ainda SUPONDO a existência de espíritos, e que tais espíritos continuassem a existir com a morte do cérebro, porque teríamos cérebros tão complexos? A natureza é inteligente e certamente possuiríamos cérebros muito menores, consumiríamos menos energia, seríamos mais leve, os partos seriam menos dolorosos e mais fáceis. Ainda encontra-se freqüentemente e aqui friso, que não é exclusividade do Espiritismo mais de todo sistema de crença religioso, todos eles procuram respaldo para provar sua veracidade, na incapacidade da ciência de provar que aquilo que eles afirmam não existe.

Ou seja, é o chamado “Inversão do ônus da prova” que resulta em uma das ações mais covardes e de mal caráter que os religiosos se valem, e que só convencem os mais leigos. Pois bem, a ciência só poderia tentar comprovar, que algo é ou não é verídico se fosse possível se fazer provas sobre o que se afirma, desse modo é impossível provar-se algo que nem se quer foi apresentado evidências. Agora CRER em algo assim, é totalmente insano e desprovido de inteligência, Bertrand Russel exemplifica muito bem tal falácia ao propor:

“Imagine que há um bule de chá chinês orbitando ao redor do sol, você não pode provar a inexistência deste bule porque ele é muito pequeno para ser visto pelo telescópio. No entanto, ninguém além de um louco diria: Eu estou disposto a crer no bule porque ninguém provou que ele não existe”.

                Tal mal-caratismo é encontrado muito com qualquer pessoa que queira defender seus dogmas religiosos, como sempre digo, o fato de a ciência AINDA não responder a todas as perguntas, não faz com que as versões contadas pelos religiosos sejam verdade, aceitar isso é aceitar uma bobagem, uma falácia. Ainda como sistema de provas dos ditos espíritas temos um vasto arsenal de provas que se encaixam como pseudo-provas, sendo em sua maioria, experiências pessoais, testemunhos de fenômenos isso sem contar as inúmeras fraudes que a ciência, e mais os mágicos desmascaram.

                Interessante se faz a observação desses últimos profissionais, que atualmente tem sido de grande auxílio nas descobertas de fraudes utilizadas para fazerem as pessoas CREREM em tais bobagens, como é bem conhecido entre o meio cético, o mágico James Randhi que possui um instituto nos EUA onde estuda os supostos casos de paranormais, oferece um prêmio de US$ 1.000.000,00 para quem demonstrar seus “poderes” e passar pela bateria de teste que os comprovem, entretanto é engraçado que até hoje ninguém se propôs para tal.

                Dentre as desculpas mais ouvidas, e aqui sim principalmente pelos espíritas, estaria à escusa de que o médium não estaria “autorizado” pelas forças divinas a utilizar-se dos “poderes” para benefício próprio. Mas então eu pergunto, e porque ele usaria bem beneficio próprio? Porque não deixar então que após ganhar o tal premio a mesma “entidade” decida qual a melhor maneira de beneficiar outras pessoas, dado ao SUPOSTO fato que ele tem um nível de “Iluminação e evolução” maior?

                Mas ainda restaria, a última desculpa, onde com certeza alguns diriam que os espíritos, não estão aqui para trazer benefícios materiais, mas para auxiliar no nosso desenvolvimento, nem que isso envolva fazer o suposto “paciente” passar por dificuldades. Que discurso lindo não? Entretanto é hipócrita e falacioso também, pois em nada ajudam as pessoas que lá vão procurando pelo auxílio para seus problemas, pelo contrário, gostaria de saber como ficaria um médium ao saber que seu conselho acabou por prejudicar ainda mais uma pessoa. Com certeza a resposta seria a mesma: “Ele precisava passar por isso para alcançar o seu grau de evolução”. Ou seja, se procura achar mais uma vez a justificativa em algo que ninguém prova ninguém tem certeza, apenas CRÊEN.

                Se ninguém vê problemas nisso, não sei por que então criticam outras religiões, até mesmo as mais radicais como as que dão sustentação aos extremistas, porque afinal de contas todas lidam com isso a CRENÇA. Cada um como sua insanidade obedecendo as ordens de seus próprios Deuses, que ironicamente sempre vão de acordo com a vontade dos seus interpretadores, sejam eles, padres, pastores, médiuns, sheiks, ou qualquer outro tipo de sacerdote que exista, como bem disse Nietzsche umas das piores criaturas que existe sob a face terrestre é o sacerdote que acretida ser o único com autoridade e competência para interpretar leis divinas.

                Uma variante desse tipo de falácia é comumente encontrada entre os espíritas quando querem explicar algumas das teorias amalucadas, geralmente para isso empregam meios que para eles e tão só para eles fornecem um explicação satisfatória. Deixem-me explicar. Uma das principais questões que me veio a mente quando comecei a me questionar sobre o espiritismo foi: Considerando que cada pessoa tem uma alma, ou seja, quando ela morre o espírito aguarda uma nova oportunidade para re-encarnar.

Após essa assertiva tentemos imaginar o seguinte, no ano de 1200 digamos que a população mundial fosse e 1 bilhão de pessoas, hoje em 2008 é fato, e todos sabem que esse número aumentou e muito, como não tenho a informação com precisão, vamos supor que estaria em 3 bilhões, pois bem a pergunta é: Esses dois bilhões a mais de pessoas não tem almas? Poderíamos sugerir sarcasticamente que existe um “criador” de novas almas? SUPONDO haver esse criador como poderia afirmar-se que os espíritos re-encarnam? Como saber se não é um novo?

Enfim, as explicações que já escutei são das mais variadas, mas sempre sem nenhuma evidência ou base que a comprovasse a não ser a FÉ daquele que a professou, dessa forma ouvi coisas como:

1-      Haverias diversos planos onde a vida na terra seria apenas mais um, com outros por ascender e outros abaixo. O problema aqui ainda poderia ser questionado, mas de onde vêm essas almas? Quantas são? Qual o último plano? Qual o primeiro?

2-      Outra explicação esdrúxula seria de que existem almas em outros planetas, e que por isso a quantidade de almas poderia variar conforme fossem enviadas de um planeta para outro. Nem preciso dizer nada né? Os espíritas não conseguem demonstrar que existem espíritos aqui na Terra, mas se acham com autoridade de afirmar que existem espíritos em outros planetas.

3-      E por último, mas com certeza deve haver outras, pois a capacidade do ser humano de inventar histórias, mitos e lendas para justificar seus apontamentos é algo muito vasto, mas como dizia, existem alguns que afirmam que tudo possui um espírito, as pedras, os animais, as árvores e que TALVEZ com o aumento da população humana, outras formas teriam se reduzido. Aqui também quando perguntadas no que se baseiam, resistem em negar que são meros ACHISMOS querendo sempre justificar dizendo que leram em algum lugar, mas nunca se lembram das fontes, o que é um fato quase sempre comum entre os religiosos pouquíssimos deles usam fontes, na sua grande maioria apenas ouviram falar algo a respeito.


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200805, 20-Jul-2008 .. Comentário por Rose Vittorassi
Após um período dedicado à faculdade, volto a frequentar o Tribuna Cética, e atendendo a pedidos do meu amigo e autor do artigo posto meu comentário.
Achei o H. Gil bastante comedido ao falar do espiritismo, não usou termos pejorativos e foi muito polido nas observações. Não sou nenhuma grande estudante da doutrina espírita mas já frequentei centros, participei de palestras e até de grupos de estudos, onde sempre afirmaram que a ciência andava junto com o espiritismo, coisa que eu nunca entendi bem, afinal a ciência jamais provou a existência de vida, materia ou imaterial, fora da terra, mas o espiritismo crê nisso. Inclusive há uma hierarquia nos planetas, afirmando que as almas que encarnavam pela primeira vez na terra vinham de marte, o planeta inferior a terra em desenvolvimento. Imaginam como seria bom vivermos em júpiter ou saturno, que teoricamente teriam formas de vida muito mais evoluídas. Seguindo nesse raciocínio, minha instrutora dizia que pessoas como a Madre Tereza de Calcutá estavam na sua última encarnação na Terra e depois partiriam para outro nível de vida, sendo as almas menos evoluídas nesse outro nível.
Poderia seguir dando exemplos dessas "teorias" que não convencem céticos, mas não quero me estender muito. Por fim faço uma ressalva: os "espíritas fanáticos" não são tão chatos quanto os "evangélicos fanáticos"! Acho que por isso toda a polidez de nosso autor ao se referir ao espiritismo.

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