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O Espiritismo - Parte 01 (H.Gil)

010131, 9-Jul-2008 .. Postado em Artigos da Tribuna Cética .. 0 comentários .. Link

Introdução.

 

                Mais uma vez o Tribuna Cética se prontifica ao estudo de mais uma Doutrina dentre as tantas que se dizem verdadeiras frente aos chamados fatos sobrenaturais. É claro que o foco principal é sempre o mesmo: O que acontece após a morte? Como é de conhecimento comum existem diversas religiões, crenças, doutrinas, filosofias de vida ou qualquer outro rótulo que buscam responder a essa questão com base no que consideram correto.

                O Tribuna Cética talvez, por até o presente momento, ter tratado apenas religiões ditas mais comuns (Católica e Evangélica) não olvida-se (esquece-se) das demais. Porém faz-se necessário elucidar (esclarecer) as pessoas que a palavra ceticismo não é um sinônimo de ateísmo. Essa é uma confusão muito comum, entretanto uma posição cética, nada mais é do que um ponto de vista onde avalia-se as proposições feitas, a luz, de diversas ferramentas como a lógica, razão e cientificidade procurando comprovar se tais proposições são verdadeiras ou não.

                Dessa forma é possível ter-se uma visão cética sobre todo e qualquer assunto. O que de fato não conclui-se como algo ruim uma vez que isso trata-se de um exame onde faz-se a verificação de toda informação que recebemos para que está possa ser aceita como verdade, todavia não é estranho escutarmos afirmações pejorativas com clara intenção de trazer descrédito ao cético, ou qual foi o cético que nunca ouviu algo como: “Ah você é cético demais, nada vai te convencer.”

                Esse tipo de afirmação é comum e totalmente errônea, pois o cético como regra geral não estará preso a dogmas (verdades inamovíveis) para ele toda verdade “está” verdade, e não “é” verdade, ou seja, para um cético algo que é considerado como verdade, pode ser mudado, basta que haja provas e que tais evidências comprovem que a afirmação que anteriormente tinha-se como verdade, já não mais responde de modo satisfatório frente a nova afirmação.

                Pois bem elucidado (esclarecido) tais fatos, esperamos que o leitor parta do princípio que não estamos aqui para simplesmente contrariar qualquer crença de modo a descredibilizá-la, nossa intenção é por em exame as afirmações que as doutrinas proclamam e verificar se não há falhas, desse modo não há um preconceito, não busca-se provar que a doutrina em pauta está errada, agora se ao final do exame essa mesma deixa a desejar e claro que não poderemos aceitá-la como verdadeira.

                Como pauta do presente texto apresenta-se então o Espiritismo, que hoje tem um número considerável de adeptos pelo Brasil, entretanto vamos conhecer um pouco mais sobre a referida doutrina, que proclama como seu diferencial ter a ciência andando lado a lado com suas proposições. Abro um pequeno parêntese aqui, deixando claro que esse texto trata-se de um artigo simples e que não tem como objetivos um estudo exauriente de modo que os conceitos aqui apresentados, são os mormente encontrados dentro do conhecimento popular.

                Tem-se como ponto inicial o caso das irmãs Fox, pelo que encontra-se em livros e matérias relacionadas, as irmãs Fox (Margarida e Catarina) faziam parte de uma família canadense que emigrou para os EUA, passando a morar em Hydesville um vilarejo do condado de Rochester, a casa onde foram morar era alugada e segundo algumas fontes, já era tida como assombrada.

                Há relatos de que barulhos estranhos haviam sido escutados pelos antigos moradores, mas ninguém conseguia descobrir a sua origem, conta-se que em determinado momento Catarina Fox desafiou a entidade que ela acreditava ser o Diabo (aqui vale um estudo sobre qual era já a influência da religião sobre estas pessoas) a reproduzir os sons que ela fazia (estes sons seriam o mesmo som produzido por um simples estalar de dedos) o que segundo é relatado veio a acontecer.

                Dessa forma diz-se que essa suposta entidade por meio de um código de letras, onde um determinado número de pancadas corresponderia a certa letra do alfabeto, teria afirmado ser o espírito de um homem que fora assassinado naquela casa. Em 31 de março de 1848 diz-se que os supostos barulhos atingiram tal intensidade que já eram escutados por vizinhos e continuaram a ser produzidos mesmo depois que a mãe e as meninas saíram e foram dormir na casa de Léia Fox que era a filha mais velha.

                Assim como as irmãs Fox outras pessoas também começaram a afirmar ter tais dons, o que depois foi nomeado de mediunidade, na França o pedagogo Hypolite L. D. Rivail, passou a estudar com alguns companheiros os supostos fenômenos, Hypolite sob o pseudônimo de Allan Kardec, publicou livros e editou a Revista Espírita, foi ele o encarregado de codificar, pois acreditava não ser ele o autor e sim os supostos espíritos. Tem-se então em Kardec um divisor de águas na doutrina espírita.

                Os chamados fenômenos espíritas são variados, indo supostamente desde a produção de sons diversos, inclusive com a possibilidade de voz direta, ou seja, a possibilidade de um espírito falar com você em alto e bom tom, ainda estaria inclusos, produção de sons, efeitos luminosos, deslocamento de objetos, formação de figuras em graus diversos de densidade, moldes de partes do corpo humanos em outros objetos etc.

                Ainda haveria os fenômenos subjetivos, quando sob a ação de espíritos, um médium fala, escreve, podendo ser em seu idioma ou em outro que lhe é desconhecido, desenha ou pode ver e ouvir coisas que não são percebidas em condições normais. Dessa época para cá muitos foram os estudos sobre o Espiritismo que teve uma certa explosão na Europa com foco principal na França, atualmente decaindo pela mesma Europa.

                O Espiritismo crê que seu diferencial esteja na não refutação da ciência, os espíritas acreditam que a ciência ande em consonância com seus princípios, dizem eles também não ser preso a dogmas, e ser o espiritismo uma constante evolução onde cada vez mais a ciência comprovaria as afirmações emanadas dessa doutrina, sob este aspecto é que iniciaremos nosso questionamento.

 

“Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará” (A Gênese).

 

                O mundo sofreu diversas mudanças, dentro de cada ramos das ciências pode-se ver quebra de paradigmas, seja ela na Física, Matemática e na área das humanas, no entanto nessa escala de evolução e de novos conceitos que hoje permeiam o senso científico, se analisarmos o Espiritismo fica óbvio sua estagnação frente as demais chamadas ciências. Tem-se em vários artigos tais fatos e aqui irei reproduzir em parte o conteúdo de um artigo intitulado Espiritismo, Ciência e Lógica.01 A qual aborda de uma forma muito clara tal distância que encontra a doutrina espírita.

                Como veremos no quadro abaixo, há a demonstração do modelo geral da descrição do que entende-se por Ciência e do que tem-se no Espiritismo que almeja ser científico.

01-     http://ateus.net/artigos/critica/espiritismo_ciencia_e_logica.php

Ciência

Espiritismo

Comum as novas gerações de cientistas refutarem trabalhos anteriores. Aversão a critérios de “autoridade”.

Resistência de se distanciar da ortodoxia kardequiana. Culto à autoridade contido no espírito da Verdade ou Kardec. Havendo claro, exceções.

Obra de grandes mestres como (Principia Mathematica, Origem das Espécies, etc.) ainda lidas como referência, como fonte de valor histórico e como forma de adentrar no raciocínio do autor. Todavia o estudante utiliza bibliografia recente, expandida e corrigida.

Livros de Kardec ainda utilizados sem alterações mesmo no que há de errado. Em alguns casos há notas de roda pé corrigindo alguns erros.

A lógica é usada apenas como ferramenta. O raciocínio precisa estar corroborado de evidências.

A lógica é utilizada como meio de prova ou refutação de hipóteses, não havendo verificação de se a natureza pensa igualmente.

O bom senso e a experiência usual nem sempre são seguidos. (Relatividade e Mecânica Quântica são bons exemplos, ainda pode ser citada a “Ação à distância” de Newton). Opta-se por soluções pragmáticas ainda que esdrúxulas.

O senso comum, ao lado da lógica é superestimado

Há grande discussão em torno da filosofia da ciência quanto à questão de melhor metodologia para o estabelecimento de novos conceitos (refutabilidade, crise de paradigmas, etc).

O conhecimento espírita ainda é majoritariamente indutivo, baseado em moldes científicos do século XIX (positivismo).

Teorias inverificáveis, mas belas, são postas de lado.

Persiste a presença de hipóteses “ad hoc” inverificáveis para sustentar pontos nebulosos da doutrina. Ex: vida “invisível” em outros planetas.

 

                Enfim, esse quadro trás apenas alguns pontos que mostram o quão distante a chamada ciência espírita encontra-se da Ciência atual. Enquanto uma tratou de renovar-se de otimizar-se, outra permaneceu estática, imóvel baseada nos mesmo moldes, onde cabe a pergunta será válida essa ciência, ou pretende-se ela também como dogma inquestionável?


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