16/1/2012
Fumar
Comecei fumando cigarrilhas com 27 anos (de acordo com um comparativo de revistas de internet, já velho, Mel Gibson começou fumando cigarros com 9...). Talvez por que cigarrilhas não são feitas para tragar, eu fumava esporadicamente. As que eu comprava, naquela época, chamavam-se Palomitas, e tinham um aroma adocicado. Algum tempo depois passei para charutos, mas eu passei a ser repudiado pelos meus charutos fedorentos. Alonso Menendez e outros baianos de Cruz das Almas. Lembro que em 1998, ou 1999 comprei meu primeiro cachimbo. E lembro que mais de uma cachimbada por dia me fazia passar mal. E minha mãe jogou fora uns dois ou três, até eu me casar em 2001. Mas cachimbo é um negócio para quem gosta de gastar tempo limpando, misturando fumos. E eu sou impaciente. Ou, estou procurando deixar de ser. Ao reencontrar uma ex-namorada em 2005, sem querer traguei uma cigarrilha. Ó o pensamento do besta: Se não é pra tragar, vou comprar cigarros... Pra quê... O vício que era de 4 ou 5 por dia passou, no pior momento, de quase 2 maços por dia. Principalmente por me ver escravo de uma coisa ruim (faz mal ao pulmão e ao bolso), tentei duas vezes parar, uma em 2009, outra em 2010. A primeira, por 12 horas, a segunda, por um pouco mais de dois dias. Em outro momento, em 2011 fumei 'varejos', uns dois ou três por dia, por uma semana, mais ou menos. Mas, cheguei à conclusão que a 'parada' tinha que ser cortante. Cold Turkey, como se fala na terra de Obama. Quinta, 12 de janeiro de 2012. Aniversário de um amigo. Restaurante. Três ou quatro vezes fui à calçada fumar. Na volta de uma delas, um amigo me disse: "Você perdeu a homenagem que a fulana fez para o aniversariante". Falei: "É, tava fumando..." Sexta, 13 de janeiro de 2012. Depois de terminar um maço por volta da uma da tarde, decidi não perder um ônibus, que estava parado na esquina da quadra aonde moro para ir pro trabalho, indo comprar um maço de cigarros (estava bastante adiantado, poderia perdê-lo) Durante a viagem até Niterói, decidi: "Não vou mais fumar". Bom, são duas da manhã de segunda-feira, 16 de janeiro de 2012. Estou tentando calcular de cabeça quantas horas se fazem desde a última vez que fumei... Aproximadamente 54 horas. Falta uma semana para não querer roer cenouras compulsivamente, e mais ou menos 6 meses para estar 'curado'. Um amigo sonhou por 5 meses e 29 dias que alguém oferecia cigarro à ele, e ele aceitava.No dia em que suponho que completou um mês, sonhou que recusava. Eu lembro que sonhei, de sábado para domingo, que uma moça perguntava: "O senhor fuma ?" e eu respondi que não... Pode parecer arrogância, mas quando lembro que me senti bem mal quando fumei depois de 12, ou 48 horas depois de ter parado, sinto que parei mesmo. Mas as crises de abstinência são brabas, para não falar um palavrão. Queridos leitores, quando estiverem lendo essa crônica-desabafo, espero que sejam mais horas sem um magrelo branquinho, com uma chama de um lado e um boboca do outro. Até a próxima crise de abstinência...
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28/10/2011
Conto
Xue Lao é chinesa, veio com 9 anos para o Brasil, mais especificamente Niterói, Rio de Janeiro. Hoje deve ter uns 26, 27 anos. Rogério a conheceu há cinco anos, ele estudante de letras na UFF, ela recém empregada em uma típica pastelaria chinesa no Centro de Niterói. Ele achava curiosa a femilidade daquela moça magrinha de cabelos e olhos negros. Não que fosse linda, claro que não. Mas tinha, ou melhor, ainda deve ter, uma beleza exótica. Sua timidez, sua subserviência eram intrigantes. Além do esperado sotaque, trocando 'erres' por 'eles'. Rogério a observava, entre pastéis, kibes, joelhos, que em Niterói são italianos, e outros salgados, e planejou convidá-la para sair. Já tinha percebido que não havia parentesco com o dono da pastelaria, também chinês. Deste, algumas vezes, observou que a esposa vinha o visitar, com uma menina que aparentava uns seis anos, e um menininho, que parecia ter uns três. É hoje, pensou. Saio depois da segunda aula e passo lá, Chegando lá, neste dia, percebeu-a triste. Perguntou o que foi, disse que foi uma bronca que levou. Ele se aproximou, pediu que estendesse uma de suas mãos, pegou com as suas, e disse: "Você não merece isso, mas deixa estar, isso passa. Xue, você quer ir ao cinema comigo no sábado?". Ela ficou indecisa, temerosa, achando que ele apenas queria se aproveitar dela, e respondeu que não tinha certeza se seria bom. "Que horas você sai no sábado ?". Cinco, responde. "Eu passo às cinco, passamos no shopping,e você escolhe o filme". Ela responde: "Tá bom", cabisbaixa. Passam os dias, chega o sábado, Rogèrio passa na pastelaria. Percebe que por baixo do avental Xue está mais arrumada do que nos outros dias. Em vez de a simples combinação camiseta e jeans, uma blusa florida e uma calça de brim mais justa do que as que ele se lembra. Vão para o shopping, assistem um filme bobo, uma comédia romântica, e na saída do cinema ele pega na mão dela. Ela sorri, cabisbaixa. Começam a namorar, ele vai até a casa aonde ela mora, com os dois irmãos, um rapaz e uma moça, mais velhos que ela, quatro e dois anos respectivamente. Ele a leva para a casa dos seus pais. Apesar da timidez, Rogério está apaixonado, e acredita que ela também. Passam-se meses, e Rogério decide alugar um apartamento pequeno na Ponta de Areia, um bairro próximo ao Centro. E a convida para morar com ele. "Mas Rogério, nós estamos namorando só há seis meses, meus irmãos não vão deixar". "Deixar ? Você tem vinte e dois anos, já é dona do seu nariz, ganha seu dinheiro." Não, não é tão simples, Rogério. Xue não é brasileira. Você vai ter que esperar um pouquinho. Mais seis meses, e retorna a proposta. - Sim, Rogério, vou morar com você, mas você vai ter que ter paciência comigo ? - Paciência ? Acho que vai ser mais fácil acontecer o contrário. - Tá, quando nos mudamos ? - Daqui a quinze dias. No início, Rogério evidentemente apaixonado não reclamava de nada. Xue ? O problema era exatamente o oposto. Era extremamente solícita. Demais da conta para um homem que não era machão, nem desejava uma Amélia. Um dia, cansado de sentir Xue como uma sombra, perguntou: Você não tem nada pra fazer ? Ela respondeu: - Não. - Então, Xue, vai escrever uma carta, por favor, eu fico agoniado de ver ver você aí, parada, só me olhando. Xue vai pra sala, Rogério está no quarto lendo, e dorme. Acorda só no dia seguinte. Um domingo. Vai pra sala, e Xue não está. Encontra uma folha de papel, escrita a mão, e começa a ler. "Rogério, você não vai entender nunca como uma mulher chinesa ama. Seja feliz".
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24/8/2011
Lembranças gravadas com fogo

Acordei com essa frase na cabeça, não sei por que. Com o passar dos anos, algumas pessoas e, pelo jeito, eu também, ficam nostálgicas, saudosas de bons momentos. E, às vezes, só nos lembramos de mágoas. Como marcas no gado.  Lembro de uma entrevista de Dercy Gonçalves em que ela diz: "Carinho não deixa marcas". Mas, isso pode não ser a verdade com V maiúsculo. Lembro de coisas boas e ruins, e adapto a uma frase de Vítor Belford (isso, ele mesmo, o lutador): "O passado é um cheque descontado, o futuro é um cheque pré-datado, e o presente é dinheiro vivo, 'cash'". Mas, e os cheques sem fundos que nos passaram ?

O ser humano é feito de lembranças, tristezas e alegrias. Resta fazer os depósitos para que os pré-datados não voltem, na conta-corrente do Banco Vida... Colecionar bons momentos, aprender dos ruins e evoluir. Ser um ser humano melhor a cada dia.

Mas, às vezes, custo a acreditar que determinadas pessoas são fruto da corrida vencedora de um espermatozóide mais rápido que outros...

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5/8/2011
Mistérios da vida
Em dois meses perdi dois amigos: Uma amiga, que resolveu desistir da vida, e um amigo, que era cheio de vida e que, de repente, surgiu um tumor no cérebro. Desta, não fui ao sepultamento. Era longe e num dia que não tinha como 'matar' (sem trocadilho) o trabalho. Entre estes, a mãe de um amigo falece, e eu 'assisto' dois enterros em 8 dias... Cemitérios nunca me agradaram. Se não me engano, o primeiro enterro que eu fui eu tinha 7, 8 anos. A filha de uma amiga da minha tia. Acidente de carro. Desde então (acredito), comecei a pensar: Só quero ir agora no meu próprio. Menti, ou me enganei. Sepultei uma irmã, minha mãe, a tia da minha madrinha. Mas, dentre estes, o que mais chorei foi o de ontem. Não, não que não amasse minha mãe ou minha irmã. Mas, ver a dor de uma mãe, que deve ter uns 60 e tantos anos, o pai um pouco mais velho, a esposa, a irmã e dezenas de amigos, que, dentre 5 destes eu faço parte, se conhecem há quase 30 anos, e que se falam, que se preocupam um com o outro, foi muito para mim. Entendo que não devo querer egoisticamente 'prender' o morto, que não devemos remoer a tristeza. Tenho que me lembrar dele com a alegria e o senso de humor 99% do tempo presente. Mas a saudade é imensa. Renato "Mé" Zema, desejo que você, meu irmão-amigo, esteja em paz, batendo papo com John Lennon, Raul Seixas, Elvis, Amy, Janis, Jimi, Morrisson, Pixinguinha, Elis, entre outros. E, se não for muito trabalho, seja o anjo da guarda da turma.
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24/7/2011
Felicidade
O que é felicidade para você ? Ganhar na Mega-Sena ? Poder comprar uma HD-TV de 168 polegadas ? Tenho descoberto muitas coisas. Amy Winehouse tinha 20 milhões de dólares, e não era feliz. Nem Kurt Cobain, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Brian Jones, e Jim Morrison provavelmente eram felizes. Por que, imagino, se fossem felizes, não se exporiam tanto à substâncias químicas para alterar os sentidos. Posso esta errado ? Posso. Dos sete escritores norte-americanos premiados com o Nobel de Literatura, cinco eram alcoólatras (o certo é alcoólicos, mas um bombom com licor também é alcoólico, e não um bêbado...), e não sei se eles se achavam felizes ou tristes. Louis-Ferdinand Céline se dizia triste. Mas, não vejo tristeza em João Ubaldo Ribeiro. Você pode estar pensando: Será que que você (eu) não está divagando demais ? Pode ser número 2. Mas, estou tão contente com as coisas simples da vida que nem quero ficar milionário, nem entrar em estados alterados da percepção. Se bem que uma cervejinha agora...
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10/7/2011
O instinto da vida, do amor, da perpetuação da espécie.
Vi recentemente um vídeo no Youtube: Schopenhauer e a Filosofia do Amor. De forma vanguardista, ele mostrou antes de a psicologia elucidar o motivo, o impulso da atração entre homem e mulher, que este impulso é quase sempre nada racional. Sentir-se atraído significa biologicamente: Ele(a) vai me 'servir' para gerar bons e belos 'filhotes'. Inconscientemente. E, geralmente, as personalidades depois se mostram incompatíveis. Ouvindo o programa No divã com Gikovate, explica-se sobre os egoistas, 'egoistinhas' e generosos. De uma forma geral, vejo as pessoas como 'egoistinhas' praticamente como maioria no mundo lá fora. "Eu quero sua atenção, eu quero aquele carro, eu quero essa programação para o final de semana". O generoso vai 'ceder' por vários motivos: Por que não quer brigar, por que sente que cedendo vai manter a outra pessoa do seu lado, etc. E talvez por isso existam tantos pares assim. Simplesmente por que se completam. O generoso se dá, o egoista aceita e pede. O problema são os extremos. O mundo ideal não existe, a pessoa ideal é rara... Cabe apenas procurar o equilíbrio.
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28/6/2011
Uma vontade louca de chorar
Os seres humanos (e não me excluo da classe) às vezes sentem isso. O pai de um amigo faleceu hoje, ainda não sei como ele está, mesmo com a rapidez dos contatos eletrônicos. Mágoas que causei completaram o dia. Tentando fazer algo de bom. A vida é assim: nos tempos de paz os filhos enterram seus pais, assim como sepultei minha mãe. Mistérios que engulimos como sapos de Schopenhauer. Continue nadando, Nemo. Me resta beber o morto, por que como disse Picasso: Drink to me, drink to my health, you know I can't drink anymore.
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13/6/2011
Suicídios
Quando ouvimos falar de suicídios, geralmente imaginamos pessoas com mil problemas, terrivelmente pertubadas. Eu tinha uns 16 anos, e uma moça se suicidou no prédio aonde eu morava, e aquilo foi muito intrigante para mim. Sábado, uma amiga que admirava o que eu escrevo aqui se suicidou. Eu só soube hoje. Estou muito mais intrigado, por que ela era determinada, lutadora, nunca tinha me dado indícios de depressão, ou qualquer outro desequilíbrio. Monique Hazait, que esteja com Deus.
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22/2/2011
Sobre Hormônios, sites de redes sociais e inferno
Todo ser humano tem um grau de impulsividade, e ouvindo um psicólogo num programa de rádio relembrei que em estado de paixão os seres humanos não são quase nada racionais. Segundo ele, nessa situação é melhor tomar um banho frio do que tomar uma decisão. E, ainda segundo ele, em estado de paixão, no pico da emoção estamos (ou estaríamos) na mesma situação da euforia gerada pelo uso da cocaína. Mas como tomar um banho frio se, com esse calor, a água aqui deve estar em uns 26° ? Aí, a pessoa amada está no Facebook, no MSN, e não aparece... O que fazer ? Deletá-la ? Deletar-se ? Bom, o meu plano é esperar o Carnaval chegar. P.S.: O orkut praticamente morreu. Orkut morto, Facebook posto.
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23/1/2011
Coisas a fazer:
Parar de esperar demais das pessoas  [  ].
Parar de esperar qualquer coisa de qualquer pessoa [  ].
Parar de esperar [  ].
Parar [  ].
Lembrar que àz vezes o ócio é necessário [  ].
Chutar a ansiedade [  ].
Chutar pro gol, e de prefeência, fazê-lo [  ].
Jogar fora as coisas que, desconfio, nunca mais vou usar [  ].
Num esforço extremo sorrir mesmo que, desconfio,  parece que o mundo lá fora está contra mim [  ].
Parar de desconfiar... [  ].
Parar de me irritar com a falta de noção do mundo lá fora (isto não é desconfiança, é fato...) [  ].
Parar de protelar [  ].
Eu disse: Parar de protelar ! [  ].
Trabalhar por dias melhores, e por um melhor eu [  ].
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22/12/2010
Ela
Fazendo os cálculos, ela tinha 21 anos. Já teve 3 filhos, mas um não vingou. O terceiro, fruto de uma provável relação incestuosa, viveu apenas 24 horas.
Na maior parte do tempo é mau-humorada. Não admite que entrem no seu espaço, que ela julga dela.
Mas quando está com o desejo insconsciente e instintivo de perpetuar a espécie, se torna manhosa, literalmente se joga nos meus pés.
Mas, ela não me ama. Nem poderia amar. É só uma gata (literal) de 3 anos e meio.
Ah Maricota (como eu a chamo), se você fosse mulher...
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21/12/2010
Remédios
Pro calor ? Paciência...
Pra inércia ? Permanecer parado
Pra tristeza ? Desenho animado
Pra falta de dinheiro ? Ficar quietinho em casa...
Pra matar o tempo ? Internet !
Pra impaciência ? Paciência...
Pra vida ? A própria Vida
Pra morte ? J. Cristo
Pra mim ? Não tenho remédio...
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13/12/2010
Diferente
O ser humano 'sofre' um paradoxo: Todos os seres humanos são da espécie Homo sapiens sapiens, biologicamente ao se 'cruzarem' e gerarem prole fértil, são, de acordo com Linneu, que não é o Lineu da "Grande Família", mostram-se pertencentes à mesma espécie.
Mas, todo mundo é diferente, e semelhante ao mesmo tempo.
Para agrupar por 'classes' você vai precisar analizar por 'tribos urbanas': Emos, Góticos, lutadores de Jiu-Jitsu, e outras tribos.
Não, eu não pertenço à nenhuma. Eu queria ter pertencido à uma tribo indígena pra viver pelado no calor, mas nasci na cidade grande...
Vejo tanta gente mal-educada nos ônibus, fúteis nas lojas, sem-noção no mundo lá fora que acho que sou um alienígena...
Que não lembra aonde deixou a chave do disco-voador, nem a própria aeronave...
"Eles estão surdos" do Roberto Carlos parece tão atual...
Você vai dizer: Você está mal-humorado hoje ? Pode ser.
Dizem que Dale Carnegie, que escreveu o best-seller "Como fazer amigos e influenciar as pessoas" morreu amargurado com a humanidade.
Acho que ele estaria mais amargurado hoje se pegasse um ônibus Rio - Niterói e visse pessoas falando alto, se esbarrando para ir à escada de descida, usando celular como radinho de pilha para ouvir funk...
Aí eu penso na pergunta que não quer calar: Casar ou comprar uma bicicleta ?
Você também se sente um alienígena ?
Se você achar a chave do seu disco-voador, me dá uma carona ?
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28/11/2010
O Retorno de Jedi
Eu pensei seriamente em parar de escrever. Mas esqueci que sou impulsivo, minha memória tem falhado bastante. E como a alcoolterapia não tem me ajudado a dormir, vou ver se escrevendo o sono bate.
Me deparei no ônibus de volta do trabalho com sentimentos estranhos. O medo, a insegurança que eu e os cariocas temos vivido nos fazem refletir sobre a vida. Vemos os outros envelhecendo, nós mesmos envelhecendo e chego à conclusão de que viver ainda é bom. Ainda vale à pena. Valer à pena. O custo. O ônus.
Mesmo que tenhamos que lidar com um mundo louco. Tenho alunos teimosos, insipientes (procure no dicionário, vai ser bom para vocês, meus queridos leitores). Que me fazem sonhar com um mundo perfeito. Uma ilha, uma plantaçãozinha de víveres, um barquinho para ir ao médico e ao dentista quando for necessário. E um laptop com modem 3g...
Não, a vida não é assim.
Ainda vou descobrir um plano infalível para sobreviver e 'derrotar a golducha'...
E o Aranha ataca novamente.
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22/11/2010
Tudo é Sexo e Último Post
Tudo é Sexo, disse John Lennon. Durante algum tempo achei que ele estava errado, eu era romântico. Depois de várias situações que passei e estudando o comportamento humano concluí que John Lennon estava certo.
O instinto da perpetuação está por trás de tudo.
A atração física é resultado da análise inconsciente de como será a prole. Pais saudáveis = filhos saudáveis, seios bem formados = amamentação bem encaminhada.
Quase não há amor. Amor para mim = companheirismo, compreensão, afinidade, cumplicidade, amizade, carinho físico e verbal, tudo isso somado. Tudo isso ? Você está querendo muito, meu(minha) querido(a) leitor(a) pode pensar. Pode ser. Mas era o que eu queria.
Como não consegui (três namoros firmes que se acabaram, um casamento fracassado, quatro relacionamentos no total, muitas paixões), penso seriamente em ser celibatário.
Pensar só no trabalho, escrever um livro, plantar uma árvore, aprender a jogar xadrez corretamente (ainda não sei), e, enquanto ainda houver tesão, sexo casual.
Um amigo me disse: O Amor não existe. Não sei se é verdade.
Você vê um clipe do Paul McCartney com Linda, e, se você não sabe, ele foi acusado de eutanásia. Ele respondeu: Só estive distante dela, depois que nos casamos por 8 dias, quando estive preso no Japão por porte de maconha...
O Amor existe, mas é raro.
Um conhecido meu, que deve ter uns 40 e poucos anos, ficou viúvo meses atrás. Observando-o percebi o quanto o ser humano não está preparado para perder o(a) companheiro(a).
Me fez pensar o quanto é complicado não poder contar com uma pessoa.
Nós, eu e você, podemos morrer a qualquer momento. Basta estar vivo.
Por isso tudo penso sinceramente em viver uma vida solitária.
Você ouve frases como: "Quem gosta de pênis ereto é homossexual, mulher quer dinheiro". A humanidade me decepciona,,,
E como duvido da minha capacidade e do interesse que outros possam ter no que escrevo aqui, e para encerrar determinadas lembranças, vou fechar a torneirinha de asneiras.
Mudar radicalmente.
Um dia escrevo um livro de crônicas 'decente'.
Beijos para quem for de beijo, abraço pra quem for de abraço.
posted by Etzhagas at 10:51 AM | in:
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8/11/2010
Relacionamentos
Na era da Internet, dos programas de mensagens instantâneas, sites de relacionamentos, tudo é deletável. As pessoas, as conversas, tudo.
Tudo muito prático.
Alguns casos até tem control z (desfazer).
Dependendo, não tem, mas a vida é assim.
Cai um pingo azul na tela do Photoshop e control + z resolve, não se faz uma andorinha, e a poesia vai-se embora...
Fazer o que, temos que trabalhar, ganhar o sustento pra pagar a caverna (o buraco, como diz um amigo meu), o telefone, o 'mingau'  e seguir em frente...
Tudo muito prático (você já disse isso antes).
Ás vezes acho que a Lacuna Inc. devia existir de verdade. Não entendeu ? Veja "Brilhos Eternos de uma Mente Sem Lembrança", e você vai me entender...
A vida não tem control + z, mas todos os programas tem...
posted by Etzhagas at 10:06 PM | in:
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8/11/2010
Hoje
Não estou a fim de falar nada. Paguei uma conta 'astronômica' atrasada da Oi atrasada, do fixo, e estou me sentindo um idiota. Há dois anos fiz um plano Total Plus Flex Hyper Full Extreme Cool, que só me ferrou... Na época, tive que comprar outro aparelho e o funcionário que me atendeu disse que minha conta tería uma deflação, mas o que aconteceu foi exatamente o contrário...
Um dia desses fico louco e cancelo tudo.
Quer falar comigo ? Me manda uma carta. O Correio agradece.
Não sabe aonde eu moro ? Manda pro Snak do Grajaú, todo mundo lá me conhece.
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27/10/2010
Solteiros x Casados
A vida é muito curiosa... Na empresa em que trabalho, vi duas situações, digamos, pitorescas, dignas de uma pintura. Um funcionário beijou uma funcionária, ela se apaixona, ele não, ela manda 10 torpedos pro celular dele, e agora ele pergunta: O que eu faço ?
Outro, casado, olhou pro salto do calçado da mulher errada, e a mulher dele não gostou (não vou explicar aqui, a história é longa, quem quiser explico por email). Ela usou a desculpa de que a casa que ele moram foi pintada na seguinda, e ela não dormiu em casa... Amanhã (hoje) vou saber o que aconteceu com eles...
Por essas e por outras, acho que eu sou muito chato... Não tenho mais cabeça pra essas situações... Provavelmente eu não caso mais... Vou desconfiar tanto que, atualmente, acho que vou ser 'para sempre' um pai separado solteirão... A não ser que alguma moça me convença de que existe noção nesse negócio chamado Amor...
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22/10/2010
Como você se sente em relação a isso ?

Essa é uma pergunta clássica da psicanálise, tão clássica que virou chacota em um desses filmes de troca de personalidade. A mãe é psicóloga, a filha estudante. E um dia a filha está no lugar da mãe, se utilizando dessa pergunta para se safar da situação de não ser a psicóloga...

Mas é uma pergunta correta e desconsiderada pela maioria das pessoas. Mas, para mim, psicólogo de butiquim, a pergunta seria: Por quê me sinto assim ?

Às vezes fico tão nervoso, ansioso, triste por uma frustração que me esqueço de perguntar a mim mesmo...

Quer saber ? Para com isso ! Não tenho (ou temos) que ficar tão abespinhados, irritados, nervosos, tristes. O rio corre para o mar e vai continuar correndo.

A vaca atolou no brejo ? Daqui a pouco nós vai lá e desatola ela...

E você ? Como se sente em relação a isso ?

 

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19/10/2010
quem eu sou
Tenho um amigo que me manda de vez em quando um link de um novo site de relacionamentos... nem me inscrevo mais... uso um mais frequentemente que, enquanto webdesigner, acho-o de navegabilidade confusa, mas que possui serviços interessantes.
O que me aborrece (irritado que ando...) é a clássica pergunta: Fale de você (eu).
Cheguei à conclusão de sou apenas um bicho homem, homem-bicho, que anseia por morada, vestimenta, alimento, sexo, descanço, e algum divertimento. Trabalhar ? Se não fosse preciso disporia minha vida para aprender (por que não sei de verdade...) e ensinar xadrez para crianças... por que acredito que é mais útil do que saber sobre o monte Kilimanjaro... Só trabalho por que preciso, ou, não devo ser apaixonado pelo que faço, ou, pelo menos, não tanto...
E escrever, por que sem arte o homem-bicho enlouquece...
Amor ? Me tornei (quase) descrente. Sou tão chato que (acredito) nenhuma mulher me aturaria por muito tempo...
posted by Etzhagas at 11:57 PM | in:
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18/10/2010
Sangue demais, sangue de menos, ar condicionado
Título estranho ? Talvez. Mas o que acontece é que mulheres tem menos sangue do que os homens. E daí ? Por isso sentem mais frio do que os homens. E também por isso vão acordar seus companheiros no meio da madrugada para pedir que diminuam ou desliguem o ar condicionado...

E como algumas são minhas alunas vão pedir para 'diminuir' o ar condicionado no meio da aula...

A recomendação para o mundo corporativo é que se mantenha o ambiente em 26° C, o que pra mim é quente... Aí, 'marco' o splinter em 23, 24, por que, como professor irriquieto que sou, ando pra lá e para cá durante a aula; além disso, sou obrigado a trabalhar de jaleco, o que não 'curto' por dois motivos: jaleco branco suja pra caramba, ou melhor, a poeira, as mãos sujas de tinta de marcador de quadro branco, fazem com que o jaleco que foi lavado no fim de semana já esteja sujo nos bolsos no primeiro dia, e motivo dois: esquenta !

Senhor Criador de todas as coisas: Já que o Senhor criou a mulher sentindo mais frio que o homem, podia lembrá-la de levar um casaquinho pra aula ?

Estou pedindo demais ?

É preciso lembrar também que computadores e monitores, mesmo LCD, emanam calor...

É... Meu mundo perfeito tem ar condionado central...
posted by Etzhagas at 11:28 AM | in:
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7/10/2010
O Beijo
A maioria não sabe como o beijo surgiu na humanidade. Você sabe ? Foi pela necessidade de sal. Isso mesmo. As pessoas (preferencialmente casais...) sugavam o suor para lhes roubar mutuamente o suor do rosto. Aí descobriram o prazer de beijar na boca, que se descobriu recentemente que traz vários benefícios, dentre eles queimar calorias. Um beijo tórrido de dois minutos pode corresponder a um Danoninho.  Que uma coisa animal ninguém discute. Já ví os gatos lá de casa trocando carinhos (se é que podemos considerar assim) com os focinhos próximos, um do outro.

A psicologia vai dizer que é extensão da fase oral do ser humano. Bendita mucosa...

Mas, depois surgiram as confusões. Um beijo estalinho pode ser cumprimento, ou demonstração de paixão. Em alguns países homens se cumprimentarem com beijo no rosto é normal. Em outros não. "Ligar em cima pode acender embaixo" ou não. Pode ser só afeto. Garotas de programa não beijam, por que "é muito íntimo", mas algumas beijam.

Moças e rapazes fazem estatísticas de quantos beijos rolaram nos 4 dias de carnaval, e nem vão lembrar do rosto dos beijados, que também fizeram suas estatísticas.

Beijo técnico ? Duvido, de muitos beijos técnicos surgiram namoros entre atores e atrizes.

O fato é que beijo pode levar à mais beijos, ao sexo. Ou, à desilusão de que a outra pessoa diga: "Ora, foi só um beijo.".

Depois que inventaram o saleiro, acabaram-se as desculpas...
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19/9/2010
Não foi
Não foi escolhido o meu conto entre os 10 do concurso Contos do Rio... Fiquei chateado ? Fiquei sim. Achei que era bom. Penso que o problema foi a temática. Um homem e uma mulher que se conhecem às portas da enchente de cinco de abril. O conto está "aí em baixo" (8 da noite, 5 de abril). Será que é tão adulto assim ?

Confesso que esperava o pior, ou seja, o que se mostrou a verdade, ou (mais um)'seja', estou 'fora'. Acordei cedo, comprei o jornal, peguei o ônibus para ir pro trabalho, procuro o caderno prosa & verso no meio de inúmeros cadernos de venda de carros (irritante isso, estes cadernos deviam ser opcionais pra quem não quer comprar carro, um bolo imenso de papel que vai virar base de sanitário de gatos, pelo menos...), leio a lista e não estou lá... Sou apenas um entre uns 590 rejeitados... Um misto de frustração e comiseração me abate, me afundo na poltrona do ônibus e torço pra chegar logo, passar na lanchonete, pedir pão-na-chapa, cafezinho e entorpecente e uma nova idéia para escrever...

Entre os títulos, algumas idéias que tinham passado pela minha cabeça (ainda bem que não as escolhi, pensei, ia rolar uma coincidência que minha autocrítica me avisou que, no confronto direto, provavelmente eu iria perder... Principalmente a do disco voador. Mas, quanta gente não pensou em um alienígena no Largo da Carioca ?)

Eu esperava pelo menos uma 'menção honrosa':

O conto Oito horas é um bom exemplo de como o carioca enfrentou a enchente, sem perder o bom humor e o romantismo, mas, Sr. Antônio Armut, sua temática fere os princípios deste concurso... Apesar de o senhor não falar em sexo, há uma apologia implícita ao sexo livre que não podemos concordar, afinal de contas, o senhor não é o Nelson Rodrigues...

Leio o primeiro conto, achei interessante, e penso: Devia ter escrito algo na mesma linha... Mas claro, coloco mentalmente um defeito: o "cara" escreveu uma introdução "imensa" antes de chegar no diálogo... Mas, tenho de admitir humildemente: Está melhor que o meu...

Bom, que venha o Contos do Rio de 2011...

Sou carioca e não desisto, ainda que abusando das reticências...
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7/9/2010
Perguntas
Quantos amores eu deixei para trás?
Quantos me deixaram ?
Quanto eu deixei para fazer, e quanto eu fiz e não perceberam ?
Quanto eu ouvi, e quantas vezes me fiz de surdo ?
Quanto tempo eu vou ter que esperar pelo próximo ônibus, pela próxima chance, pelo próximo amor, ou:
Quanto eu vou esperar para um amor voltar, pela chance que eu devo deixar passar, ou pelo oônibus que vai ser melhor do que esse que passou lotado, ou que vai me fazer andar mais até chegar em casa ?
Não sei
Mil perguntas...
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23/7/2010
Amor, fui à feira
História reais que me intrigam. O homem trabalha de madrugada na Petrobrás, em Macaé. Sai de casa oito da noite, chega em casa 8 da manhã. Casado há 10, 12 anos, quem me narrou não soube ser mais preciso. Apesar desse tempo todo, quando o normal é a paixão arrefecer, ele continuava apaixonado. Crédulo, chegava em casa e começou a encontrar um bilhete preso por imâs na geladeira: "Amor, fui à feira".  Lia, dormia, e acordava com aquelas mesas portáteis de tomar café da manhã com frutas e ovos mexidos e o sorriso de sua esposa.
Até o dia em que teve um piriri, dor de barriga, e voltou muito mais cedo para casa...
Uma e meia da manhã...
Ela não estava...
E (já) estava o bilhete...
(Segundo o relato) Ele quebrou a casa toda...
Ele conta a história no bar, com lágrimas a rolar...
Ela ? Não se sabe mais dela.
Fico pensando: Será que ela achou que nunca seria descoberta sua traição ?
O que será que passava na cabeça dela ?
Eu não sei. Depois dessas e outras, fico pensando se vale à pena casar nos dias de hoje...
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6/7/2010
8 da noite, 5 de abril

Oito da noite. Cinco de Abril. Rua da Carioca engarrafada. Extremamente engarrafada. “Ah, é só uma chuva, Praça da Bandeira enche um pouquinho, todo mundo para...”, pensa Max, na fila do ônibus. Espera. Meia hora, e parece que nada acontece, a não ser a idéia de pegar o metrô. “Não, cheio demais, vou esperar mais um pouco”.

-Desculpe, mas, você vai pro Grajaú?

-Eu gostaria, e você?

-Vou ficar antes do ponto final, Praça Verdun.

-Sei

-Você não acha melhor tentar um ônibus no Passeio Público? Acho melhor, do que esperar aqui só uma linha.

-Pode ser, vamos.

-Como você se chama?

-Carla, e você?

-Max, prazer. (Max estende a mão e Carla o cumprimenta). Vão caminhando com seus guarda-chuvas aparando as lágrimas do céu pelo Largo da Carioca.

-Eu tenho medo de ser assaltada, e você me parece uma pessoa confiável.

-Você diz isso pela minha aparência de “coroa” ou por causa do terno?

-As duas coisas, mas não trate a si mesmo de “coroa”...

-Você deve ter uns 20 e poucos anos, eu tenho 45. Errei sua idade ?

-Não muito, tenho 26. Caramba, olha o trânsito... O que você vai fazer?

-Procurar um bar para fazer hora, me acompanha?

Pararam num bar da Mem de Sá, beberam algumas cervejas,  conversam sobre banalidades, observam o trânsito lento como uma procissão.

-Max, é meia-noite, o papo foi ótimo, mas vou tentar voltar pra casa.

Ônibus passam lotados como numa carreata dos desesperados.

-Carla, não vou pegar ônibus lotado. Não agüento imaginar ficar horas em pé.

-A idéia também não me agrada, mas o que vamos fazer?

-Vou procurar um hotel barato para descansar os ossos.

-Vou com você, mas claro, cada um num quarto.

-Cansou das minhas piadas?

-Não é isso, e você me entendeu.

-Ok, você venceu: cada um no seu ‘quadrado’, digo, quarto.

-O que você esperava? “Vamos juntos, meu coroa charmoso”?

-Só estava brincando, Carla, não sou um sátiro.

-Desculpe, é que todo homem é igual.

- Carla, eu não sei a extensão dessa enchente, não para de chover.  Eu não estava pensando em um quarto para nós dois. Você não me conhece, não sabe mais que quatro horas da minha vida.

-Você está certo, desculpe...

-Vamos, aquele hotel ali.

Mal se aproximam, e o funcionário informa: - Só tem um quarto, cama de solteiro.

-Fique com ele, Carla, eu vou voltar para algum bar.

Carla pensa, pensa...

-Vai virar a madrugada bebendo?

O funcionário interrompe:

-A rádio informou que está um caos lá fora, tem gente andando quilômetros para chegar em casa.

Max decide, vira-se para Carla e diz:

-Você dorme na cama, eu durmo no chão

E para o funcionário do hotel:

-Você me arruma um colchonete?

-Posso lhe conseguir um cobertor extra, e o senhor usa como colchonete.

-Parece que é o jeito...

Max pega a chave, o ‘cobertor-colchonete’ e Carla parece olhar para ele com alguma ternura.

-Pensei que você iria preferir ficar bebendo.

Max não diz nada

Carla entra primeiro, Max em seguida, tira o paletó, transforma-o num travesseiro, arruma o cobertor no chão, deita-se. Carla o observa.

-Me desculpe pela situação

-Não há culpa, relaxe.

Carla se deita, sentindo compaixão daquele homem que pouco conhece.

-Max?

-Sim.

-Já está dormindo?

-Quase, se você deixar...

-Se você prometer que não vai abusar de mim pode deitar aqui do meu lado, de costas pra mim.

-Não, romântico demais isso.

-Deixe de ser bobo...

-Não deixo. Boa noite. Estamos exaustos demais para pieguices.

-Você é um homem especial, Max.

-Obrigado, mas sou apenas um homem comum, que tem idade para ser seu pai.

-Mas não você não é.

-Com certeza, não.

Carla se levanta, se deita atrás dele, e o abraça.

-O que você está fazendo?

-Isso te incomoda?

-Não, mas, por que não se deita na cama e dorme?

-Estou carente e com frio, só isso...

-Carla, eu tenho uma relação mal-resolvida, e não quero iniciar outra agora.

-Tudo bem, nesse momento só quero o seu calor.

-Mulheres...

Carla se levanta e volta pra cama.

Max se levanta, olha Carla nos olhos:

-Desculpe, não quis afirmar que você é egoísta.

-Eu entendi...

-Vamos fazer o seguinte: Você fica com o cobertor, eu vou embora.

-Não, não faz isso. Deita aqui do meu lado, vamos dormir.

-Tá...

Max se deita ao lado de Carla, ela coloca a cabeça em seu peito.

Conversam mais um pouco e adormecem. Ambos guardam seus sentimentos em alguma gaveta.

Carla acorda pelas 6 da manhã, liga a TV e descobre a extensão do caos.

-Max, acorde, mas, duvido que consiga trabalhar hoje.

-Anh, o quê ?

-Nosso prefeito disse para ficarmos em casa.

-Hã ?

-Isso mesmo.

-Bom vou ligar pro trabalho, se não houver expediente vou voltar pra casa, e você?

-O mesmo...

Tomam café, saem, e voltam para o Largo da Carioca. Encontram um sol tímido, e uma nuvem singular.

-Estranha essa nuvem, comenta Carla.

-É uma altocumulus.

-Como você sabe ?

-Estudei meteorologia, mas preferi ser advogado.

-Ela parece dizer que os tempos serão melhores.

-Tomara... Bom, vou pegar aquele ônibus, Carla. Obrigado pela paciência.

-Me dê um cartão seu, posso precisar de um advogado meteorologista...

-Tome. Espero que não me ligue para bebermos cerveja enquanto a chuva não passa no Centro do Rio...

Carla o abraça.

 -Obrigada por ter me respeitado.

- Não fiz mais do que a obrigação.

-Quero saber mais sobre aquela nuvem, me explica mais tarde?

-Talvez, vai depender do tempo...

 

P.S.: Este conto está concorrendo ao "Contos do Rio". Sei que não devo ter esperanças, mas a moça da recepção do InfoGlobo disse: "Todos lançaram sua sorte"...

posted by Etzhagas at 02:42 PM | in:
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28/6/2010
Observando os seres humanos...
Gosto muito de observar animais, desde formigas a cães, gatos, etc. Mas, sábado passado, observei dois casais distintos num restaurante. Um deles, o rapaz argumentava, argumentava, falava, e a moça só discordava. Sem o auxílio da leitura de lábios, num determinado momento, o rapaz se levanta e diz: - Vou ao banheiro, como quem diz: - Desisto... O cara vai, a moça dá uma tragada após outra do cigarro que está fumando, como quem diz: - Não arredo, não dou o braço a torcer.

O outro casal a moça, fala, fala, e o rapaz parece distraído, como quem diz: - Não aguento mais esse papo... Mas, mais tarde rola um sexo e vamos em frente...

Não sei se eu que sou o chato, carente, piegas, coração de manteiga, mas me parece que os seres humanos e as seres humanas estão cada vez mais egoístas e propensos a relações não completamente satisfatórias por comodismo, ou seja: Melhor estar com esse(a) traste aqui, do que sem ninguém.

Do primeiro casal, eu diria pro cara: Vai embora, procura outra ! Pra moça do segundo par eu diria: Ele só quer te comer mais tarde, procura outro.

Você pode dizer: Mas você pode estar interpretando errado. Posso, mas, sem falsa modéstia, os sinais de comportamento são tão claros que, tenho certeza, não me enganei não...

Aí o nobre leitor(a) pode retrucar: Pessoas perfeitas não existem, consequentemente relacionamentos perfeitos também não existem. Concordo, você tem carradas de razão.

Mas, será que não é melhor quebrar o vaso de vidro, para abrir espaço para o vaso de cristal ?
Sou chato ? Devo ser... Por isso atualmente estou só...
posted by Etzhagas at 11:02 AM | in:
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9/6/2010
Verve
Ouvi dizer que a verve está em alta quando a pessoa simplesmente tem necessidade de escrever. Ou, como ouvi dizer que João Ubaldo Ribeiro explicou, ao chegar atrasado a um encontro: "Fulano não parava de falar!".
Consegui escrever o conto para o concurso "Contos do Rio", num surto de insônia no domingo passado, e finalizado na segunda de manhã, mas não estou confiante de que vou conseguir ganhar nem uma mariola. Sei lá, apesar de acreditar de ter lançado mão do "mote", uma foto que mostra a Paróquia de Sto. Antônio, o prédio da Petrobrás, os últimos, em termos de número, prédios da Treze de Maio, a lateral do prédio do Ed. Av. Central, e uma curiosa nuvem redonda neste pedaço de céu do Largo da Carioca, não me sinto seguro.
Será que alguém se sente ?
Um amigo gostou, mas acho-o suspeito.
posted by Etzhagas at 07:57 AM | in:
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24/4/2010
100
Parabéns ! Você está lendo o centésimo post ! Você ó 1.000.000 visitante deste site ! Não clique aqui, por que você não ganhou nada. Se você recebeu um email dizendo que você ganhou 500.000 libras esterllinas do Google Lotery, preciso dizer que é caô ?
A vida é dura pra quem é mole, e mole pra quem é duro, rijo, firme, tenaz, determinado, com nervos de aço. Matar um leão por dia é cansativo. LIdar com um mundo sem educação e sem noção lá fora também.
Mas vamos em frente, mesmo que a Verve, essa inspiração vinda da inquietude, do personagem que não para de falar, parecem ter se cansado, esgotado.
Você não é quem você pensa que você, mas o que você escreve.
É verdade, me sinto velho, cansado. Por mais que não se deva dizer isso, por que "atrai".
O negócio é acreditar que dias melhores virão, com gente fina elegante e sincera.
Bem vindo(a) ao final da primeira década do século 21.
posted by Etzhagas at 01:38 PM | in:
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12/4/2010
Post número 99
Bonito número, mas estou cem idéias, com trocadilho... Sinto que é muito fácil ter idéias quando está tudo certo na vida, mas na minha não está. Tá faltando grana e sobrando ansiedade... Às vezes odeio o capitalismo selvagem, no qual você não é o que, ou quem, você é, mas sim o que o seu contracheque diz... Mas, vamos em frente. Como um dos sobreviventes do temporal que caiu sobre a cidade maravilhosa de São Sebastião do Rio de Janeiro, tenho muito a agradecer e pouco a reclamar. Não moro acima de um lixão, não estou dormindo num abrigo da prefeitura.
Mas, ficar na rua por horas tentando voltar para casa não é, definitivamente, uma experiência agradável. Dizem que são prenúncios do fim do mundo, de acordo com a profecia maia, mas prefiro não acreditar nisso.
Quero acreditar que vou ficar rico escrevendo um livro sobre um romance sobre uma ex-presidiária e um escritor falido, que descobrem um meio de assaltar um banco e que fogem pro Caribe...
posted by Etzhagas at 03:55 PM | in:
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