28/10/2008 08:47 AM, posted by Rafael Albuquerque in:

Ela enxerga o claro do lado escuro
De um coração que, há muito, padeceu.
Capaz de ascender, até mesmo, o meu.
O meu que está tão longe de ser puro...

Pois, mesmo quando nem tudo está bem,
E a manhã chega sem trazer o dia,
Desaparece com todo o mal que havia,
Traz luz e serenidade para alguém.

Por isso que a amo sem picardia,
Mesmo vivendo minha vida vadia,
De alguém que não merece o seu calor.

Porém, que te quer bem com todo o ardor,
Feito olor de flor que me faz lembrar
Que a obrigação é minha, a de cuidar...

Rafael Albuquerque

12/8/2008 02:26 PM, posted by Rafael Albuquerque in:

 

Eu ando pelas ruas da cidade

Em qual delas a esperança ficou?

Tem homens-vira-latas na sarjeta

Se alimentando do que nos sobrou

 

E esses coitados não têm idade

Vestindo trapos que jogamos fora

Vivendo com o que não nos serve agora

Nesse sujo e eterno pranto sem cor

 

Sem cama, a criança chora sem bulha

E sonha em ser o Czar do Entulho

Agradece por hoje ter comido

 

E come, mesmo que esteja vencido

Vencido como o seu irmão sem sorte

Que, de fome, fora embora com a morte

Rafael Albuquerque

12/8/2008 02:25 PM, posted by Rafael Albuquerque in:

 

 

 

De toda tua voz, queria saber a cor

Teu cheiro, teu gosto, teu jeito de amor

Passando o rosto pelo teu corpo inteiro

Deixando o meu do teu coração alheio

 

Testaria da nua a sensibilidade

Voando como nunca, muita vontade

Querendo me perder por dentro dos cachos

Dentro dos olhos que, ainda, não me acham

 

E, sorrindo esse sorriso tão preciso

Que eu preciso para que melhore o meu dia

E que a noite passe gostosa por mim

 

Pois as palavras acabam em agonia

Numa fria realidade de um fim

E, nisso, sou entristecedor de mim...

Rafael Albuquerque

12/8/2008 02:23 PM, posted by Rafael Albuquerque in:
  O que vejo em você é algo tão puro

Que, saber que está bem, fico também

O que me deu faz enxergar além

Em sentimentos, construí um muro

 

Só você consegue fazer um furo

E observar quem mora em meu bem

Noites de frio e você não vem

Meu solo do coração é mais duro

 

Mostre o caminho de ascender minh’alma

Elevar-me aos céus e fazer chorar

Quero te ver, mesmo de olhos fechados

 

De tão linda, faz-me ajoelhar

Você é o melhor dos tesouros criados

Que me cria, alimenta e acalma...

Rafael Albuquerque

12/8/2008 02:22 PM, posted by Rafael Albuquerque in:

 

 

 

Ser um poeta é a minha maior virtude?

Eu, muito cedo, descobri o sentido

Da vida e do seu fino fio de vidro

E segurei o máximo que pude

 

E você diz que isso é uma qualidade

Mas, muito cedo, descobri o segredo

Enxerguei a verdade e fiquei com medo

Foi assim que eu perdi minha liberdade

 

Você não entende que essa dor que lê

O seu poeta sente de verdade

É o que você não consegue entender...

 

Nas rimas, você só vê vaidade

Minha grande esperança é que isso mude

Ainda acredita que isso é virtude?

Rafael Albuquerque

12/8/2008 02:20 PM, posted by Rafael Albuquerque in:

 

É com lágrima, suor e meu sangue

Que escrevo com medo de que te zangue

Navalhei palmeiras e fiz minha nau

E eu fim de longe, não me queiras mal

 

Vim viajando vazio, velho mundo

Encontrei um undoso mar profundo

Untado por sentimento enjaulado

Apedrejado por todos os lados

 

Cria-te coragem, jovem criança

Pois dessa dança, já não somos mais

Já que o que te faltas é confiança

 

Não te embarque nunca mais em meu cais

Ficas tu por aqui e sem cobrança

Com a força que mostraste outrora aos pais

Rafael Albuquerque

12/8/2008 02:18 PM, posted by Rafael Albuquerque in:

 

 

O garoto, com fome, já não canta

Nem sabe de onde vem a próxima janta

Morando bem pior que muito bicho

E ainda vivendo com a sobra do lixo

 

O menino, com sede, já não dança

Há muito tempo, perdeu a esperança

E, ainda teme o homem bem vestido

Que, quando chove, terá o seu abrigo

 

O garoto não tem educação

Acabou trocando o livro por pão

Esse menino não tem direção

 

Será que o sol sabe nascer pra ele?

Ele que acorda sem colchão no chão

E sem saber se hoje vai comer...

Rafael Albuquerque

12/8/2008 02:16 PM, posted by Rafael Albuquerque in:

 

Outrora, chamei a chuva chovendo

Fez com que tudo soasse melhor

E a angustia se resumiu em pó

Em dó maior, sigo sempre aprendendo

 

Estou tão bem que me sinto culpado

Bem demais num namoro abençoado

Tem a forma de me fazer crescer

Está, a todo momento, ao meu lado

 

Estou certo, o mesmo, eu jamais serei

Mas um rei, um rei de um mundo sem reino

Sei a quê veio, e, por isso, amei

 

Agora, penso em tio tempo todo

Tempo de razão que, um dia, larguei

Amei e amo como um mero tolo

Rafael Albuquerque

12/8/2008 02:15 PM, posted by Rafael Albuquerque in:

Meu coração, de olhos sempre fechados

Atado pelas amarras do tempo

Cansado, tantas vezes enganado

Triste por frios e falsos acalentos

 

Tempo passa voraz, sem perdoar

E não deixa de mostrar seu fanal

Tal que os meus olhos ardem com o seu ar

Denso a noite com lua sem sinal

 

Seria você um anjo que me guia?

Trilha que trilha nesse infindo escuro?

Traz amor puro de melhor valia

 

Cria algo que, como alma perdure

Fura coração que, agora, amacia

Acaricia na prisão sem muro

Rafael Albuquerque

12/8/2008 02:13 PM, posted by Rafael Albuquerque in:

Talvez, eu seja como todo mundo

Talvez, esse experiente escritor

Não passe de um de seus personagens

Talvez, eu sinta como todo mundo

 

Pena usar soneto para demonstrar

Que eu não queria deixar-te partir

Mas, que hoje, canto a ti a sorrir

Talvez eu não quisesse te espantar

 

Vai ver, seja uma pessoa comum

Homem que sente como qualquer um

Talvez, quem tu pensaste, nem exista

 

E o sentimento cai em meio ao vão

Talvez, esse homem que tu tens visto

Choram mais forte com o coração

Rafael Albuquerque

27/5/2008 03:52 PM, posted by Rafael Albuquerque in:

Já ri na lua e fui feliz aqui

Quando a vi sorrir enquanto dormia

E o frio que fazia, enquanto lia

Ardiam vozes que eram pra mim

 

E, enquanto a vida não me manda a morte

Ou alguma coisa ainda mais forte

Tenho, ao norte, algo a se conquistar

E vou fazer com que venha pra cá

 

Fundindo-me a forças francas e aladas

Com asas fortes como a que cobri

Ou rosto de menina desgarrada

 

Talvez eu nunca encontre paz ali

Mas esse calor que me traz sossego

É capaz de me encher de luz e medo

Rafael Albuquerque

8/5/2008 01:35 AM, posted by Rafael Albuquerque in:

Isso que Zeus me confidenciou

Que a bela Afrodite não queria

Mas, mesmo assim, Dionísio festejou

A mensagem que Hermes levaria

 

O segredo que chamamos de amor

Assim, quem saiu perdendo fui eu

Até que meu coração padeceu

Castigo de Prometeu é menor

 

Apaixono-me com força maior

Até Hércules me inveja o olhar

E a minh’armadura já virou pó

 

E nem Hefesto pôde consertar

Pois, quem me trouxe o sol não foi Apolo

Foi ela, quem me carregou no colo

Rafael Albuquerque

8/5/2008 01:32 AM, posted by Rafael Albuquerque in:

Sua tristeza é mais doce que um sorriso

Sei que já sofreu por gente demais

Exigiu tudo que um coração faz

E você já se acostumou com isso

 

Muita gente já sofreu por você

E, nem por isso, o amor é ruim

É um sentimento que não tem fim

Faremos de tudo pra merecer

 

Eu vi quando você chorou à chuva

Chorando suas memórias proibidas

Memórias que nos traz à nossa vida

 

Fiquei triste por não pensar em mim.

Com uma visão ainda mais turva

Sabemos que o seu mundo é mau pra mim

Rafael Albuquerque

20/3/2008 01:39 AM, posted by Rafael Albuquerque in:

Se você soubesse a falta que faz

Soubesse a luz que seu olhar me traz

Com a paz e a vontade de tocar

Sentir seu corpo com gosto de mar

 

Vontade de conhecer por completo

Não só reflexo de fim de semana

E, sim, deitada, nua em minha cama

Sem se preocupar em fazer o certo

 

Talvez, eu jamais prove de seu gosto

Posso, até, jamais sentir o seu toque

Mas, eu adoro beijar o seu rosto

 

E o que eu mais quero é que você me mostre

E me faça de tudo que é capaz

Deixe-me sonhar como ninguém mais...

Rafael Albuquerque

17/3/2008 06:25 AM, posted by Rafael Albuquerque in:

 

 

Atravessar sem olhar pode ser loucura

Loucura seria não deixar você entrar

Andar sem algum norte pode ser loucura

A loucura seria deixar você pra trás

 

Caminhar só, na chuva, pode ser loucura

Loucura seria deixar de ver seu sorriso

Mas, afinal, baseada em quê é a loucura?

Se o que é normal depende totalmente disso...

 

E se tudo o que somos for uma loucura?

Que a sanidade faz parte dessa ilusão...

Coitado de quem é considerado são.

 

O que não conseguiria aproveitar o dia

Pois sempre chegaria na hora da partida

Se eu for à loucura, deixa que a loucura cura...

Rafael Albuquerque

17/3/2008 06:22 AM, posted by Rafael Albuquerque in:

 

 

Como porção de água que se ascende

Uso do olhar como poção que prende

A crise do “eu”, enfermo de amor

Sem vontade e com chama sem cor

 

Com auguro de camisa de força

Péssimo jeito de doce vazio

Sem alento pra ser amor de amigo

Ambíguo, já no calo, silencio

 

Tu tens medo do teu choro valente

Alegro, feio, calmo e permanente

Sentimento, seja ele qual for

 

Não me vejas com olhar penitente

O mais forte, com tudo que se sente

Num desalado coração sem dor

Rafael Albuquerque

17/3/2008 06:18 AM, posted by Rafael Albuquerque in:

 

 

 

Aquele brinco simbolizava mais

Bem mais que um tolo pedaço de metal

Daquele corpo são, coberto de sal

Da minha velha Princesinha do Mar

 

Ela o ofereceu muito mais que o seu brinco

Ela ofereceu o seu gosto e, talvez

O nobre afago de toda aquela tez

Nesse breve olhar, sabor de vinho tinto

 

Junto a um sorriso que brilha diferente

E abrasador naquele corpo molhado

E com um belo seixo brilhante no dente

 

Ela ofereceu até mais que o sonhado

E, ele, teria tudo, com certeza

Se não esquecesse o brinco sobre a mesa...

Rafael Albuquerque

16/3/2008 01:29 AM, posted by Rafael Albuquerque in:

Eu quero um brinde aos de bom coração

E para a vida que não passa em vão

Ou um brinde aos de coração partido

Pede sempre a presença do amigo

 

Quero um brinde aos de coração feliz

Que realmente amou com se diz

Quero um brinde aos de coração que chora

Triste, mas que fora feliz, outrora.

 

Um brinde aos de coração com derrotas

Que levantou sem medo ou face morta

Sem a expressão de um vulto decaído

 

Quero um brinde aos sem coração algum

Que dos amores, não restou nenhum

Que ainda anda por aí perdido

Rafael Albuquerque

14/3/2008 04:40 PM, posted by Rafael Albuquerque in:

 

Ele sempre comeu mais que poderia

E foi feliz, sem pagar a quem devia

Sorria por sua beleza sem igual

Mas era incapaz de provocar algum mal

 

Ficava irado com as maldades do mundo

Mas tinha preguiça de tentar mudar tudo

Vivia cercado de belas mulheres

Orgulhoso, não precisava de fé

 

Sempre bondoso, ele ajudava as crianças

E conquista tudo que o olhar alcança

Tudo sempre dava certo para ele

 

Sempre fora, por todos, idolatrado

Impossível outro homem como aquele

Levei-o, pois a inveja foi o meu pecado...

Rafael Albuquerque

14/3/2008 04:33 PM, posted by Rafael Albuquerque in:

 

 

Perdoe-me! Não pude segurá-lo

Pois a alma cega quando traída

Eu quis, sempre, a vinda dele pra cá

Se não tivesse pulado em partida

 

Não queria que o anjo fosse eu

Eu que sempre cuidei desse rapaz

Fez coisas que não seria capaz

Não fosse a alma por quem se perdeu

 

Eu não quis levá-lo àquele lugar

Sempre é escuro e só eu sei onde fica

Não terá direito a colo de amiga

 

Desperdício, seu exemplo por lá

Na vida, só uma decisão errada

A de pular pela mulher amada

 

 

Rafael Albuquerque
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